20 ANOS DEPOIS, ESTES ORNATOS SÃO DE TODAS AS CORES

A banda nortenha veio à capital apresentar o seu último concerto antes de mais umas eventuais férias musicais. Uma nostalgia para os fãs da geração dos Ornatos Violeta, um sonho para os que só tiveram oportunidade de os conhecer neste novo milénio.
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20 anos passam num ápice. E ontem, depois do concerto dos Ornatos Violeta no Campo Pequeno, e da celebração do último espetáculo da digressão “O Monstro Precisa de Amigos”, com toda a certeza a banda saiu com a sensação que o momento foi tão caloroso como rápido. 

O propósito do concerto era óbvio: reviver as grandes canções que fizeram crescer as pessoas. As músicas dos Ornatos sempre foram uma espécie de terapia: daquelas que nos fazem pensar, nos ajudam a evoluir, a descobrir os nossos medos e a tentar contorná-los. Reviver estes tempos de adolescência, do quase adulto é uma benção, agora que a grande maioria dos pais e mães de família, ou homens e mulheres, não tão punks como nos fins dos anos 90. 

© Alicia Gomes

O Campo Pequeno estava lotadíssimo para assistir encerramento de “O Monstro (ainda) Precisa de Amigos” – o álbum mais aclamado da banda portuense. Uma das grandes inovações deste espetáculo esteve na disposição da sala – ao invés do clássico palco de um dos lados, desta vez a praça de touros do Campo Pequeno criou um palco central, rodeado de público na plateia e nas bancadas, em jeito de 360º. Uma experiência muito interessante, que ofereceu uma nova dinâmica à apresentação.

Os Ornatos Violeta subiram ao recinto perto das 22,00 horas, sob uma grande ovação aos cinco membros da banda. Entraram de mãos no ar, como quem agradece à multidão por aquilo que ainda nem começou. Iniciaram com “Como Afundar”. “É como afundar nosso mundo em dor e não querer acordar” fazia tanto sentido nos olhos reluzentes dos muitos fãs que viam uma das suas bandas preferidas pela primeira vez.

© Alicia Gomes

Seguiram-se várias músicas do mítico “O Monstro Precisa de Amigos”, começando por “Tanque”, prosseguindo para “Pára de Olhar Para Mim” e “Para Nunca Mais Mentir”.

O primeiro grande coro uníssono da noite surgiu com “Ouvi Dizer” – o tema intemporal que serve para miúdo ou graúdo atravessou proporções épicas. Manel Cruz e os seus companheiros deram o máximo, sob luzes fortes e encarnadas que faziam vibrar os bonitos versos eternizados (na música) por Vítor Espadinha. 

© Alicia Gomes

Mais um par de músicas, e novo momento de loucura no Campo Pequeno, este em dose dupla.  Primeiro “O.M.E.M.”, um dos sons mais punks da banda, fez furor nas primeiras filas que rodeavam o palco, com muitos espectadores em estado frenético e de braços no ar. Depois, os primeiros riffs de “Chaga” levaram despertaram nova onda de loucura, e Manel Cruz começou a soltar-se de uma maneira praticamente indomável. Contornou o palco e elevou a voz até à exaustão, sincronizado com o toque mais elétrico da canção. A banda não o deixou para trás, e imprimiu-lhe uma sonoridade ainda mais intensa que o habitual, levando uma corrente de energia incrível a rodear o Campo Pequeno.

Eu estou bem, quase tão bem” foi também uma das frases mais cantadas por todos. “Coisas” não é daquelas músicas principais que nos lembramos dos Ornatos, mas a moral da história com que remata encaixa na perfeição.

© Alicia Gomes

A banda composta por Manel Cruz, Kinorm, Nuno Prata, Peixe e Elísio Donas continuou a todo o gás até à primeira pausa. Destaque para a embelezada “Capitão Romance”, e para a mais punk “Dia Mau”, que levou à primeira despedida (ainda que curta) do palco. Manel Cruz era o plano central de uma festa que se tornava cada vez mais incrível.

Mas o dia estava melhor que bom, e os Ornatos Violeta não fizeram um, não fizeram dois, mas sim três encores, que resultaram sempre em super ovações, não fossem aqueles os últimos momentos que os fãs viam a banda em 2019. Manel Cruz não aguenta a t-shirt no corpo muito tempo e prefere dar a sua pele no “ringue”. Curiosa a escolha de indumentária de Kinorm nos últimos encores com uma camisola do Boavista, equipa que tinha acabado de perder com o Benfica na mesma noite.

© Alicia Gomes

Houve oportunidade para alguns temas do primeiro disco, “Cão!”, editado em 1997, de onde saíram “Tempo de Nascer”, “A Dama do Sinal” e “Débil Mental”. Aproveitaram para dedicar a música “Pára-me Agora” à próxima banda que voltar a reunir depois de tanto tempo parado, como se o tema fosse uma passagem de testemunho para o retorno de Carlão e companhia agendado para 2020.

Após praticamente duas horas de concerto, e de todo o suor, decibéis e muita cor vindos daquele palco central, os Ornatos despediram-se de vez, com um clássico hino da RTP, “Raquel”. 

Os Ornatos estão tão versáteis que não podem ser só Violeta – estes Ornatos são de todas as cores e feitios. Esperemos por mais e boas novidades em 2020. 

Ornatos Violeta Galeria Completa

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