A fantástica viagem ao mundo folk dos Mumford & Sons em 360º

Com o folk como principal referência musical, a banda ainda se insurgiu por temas indie rock e algumas baladas poderosas. Os clássicos não foram esquecidos.
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O 25 de abril foi dia de liberdade e noite de magia ali para os lados do Parque das Nações, mais propriamente na Altice Arena, espaço que recebeu o concerto dos Mumford & Sons. A banda britânica chegava de uma longa digressão aos Estados Unidos da América e Canadá e por isso, traziam as vozes, instrumentos e o espetáculo em 360º muito bem oleados.

Esta era a quarta vez que a banda estava em Portugal, entre elas duas em concerto em nome próprio (concertos no NOS Alive 2012 e 2015, Coliseu de Lisboa em 2013 e este na Altice). Marcus Mumford, Ben Lovett, Ted Dwane e Winston Marshall são os quatro aventureiros de serviços: homens que adoram dar festa ao seu público, levam o folk no coração sem esquecer outros instrumentos que lhes dão consistência nos parâmetros do rock, pop e versões mais acústicas.

Os Mumford & Sons entraram de rompante e os aplausos subiram em escala. Marcus introduziu o concerto com um aportuguesado “boa noite”. Os concertos desta tour “Delta” é para promover o último álbum editado no final do ano passado, também com o mesmo nome. Por isso, não foi de todo surpreendente a escolha de um alinhamento mais virado para este tipo de músicas mais ecléticas, sem fronteiras de sonoridades e instrumentos.
Os Mumford & Sons começaram por Guiding Light, uma das mais famosas deste último álbum e transbordaram por temas clássicos como Little Lion Man, Holland Rover e The Cave para agarrar todo aquele público à volta que, claramente, rejubilava à mesma velocidade dos ritmos e ecoavam os refrões destas músicas de trás para a frente.

O jogo de luzes estava, também ele, muito bem conseguido e combinava na perfeição com o tom das músicas. Neste conceito de concerto a 360º – que bandas como os U2 e os Arcade Fire já nos proporcionaram nos últimos anos em Portugal – ganha-se sempre uma mística e afeição ao público inexplicável. E foi essa mística que tornou o concerto dos Mumford tão próprio em certos momentos, tal como na música seguinte Bevoled – mais uma do novo álbum. Mas Marcus Mumford, o frontman da banda, também teve oportunidade de mostrar todo o seu talento nas tarolas com uma interpretação na bateria em Lover of the Light, só ao nível dos mais multifacetados (que aliás é dessa essência que vive a banda britânica).
Seguiram-se temas mais virados para o acústico e consequente baladas. Ora aparece um banjo, ora aparece uma guitarra eletroacústica, ora um contrabaixo. Instrumentos personalizados a cada tema!

Em Believe um encanto de luzes pelos telemóveis do público – coisas que só o século XXI pode trazer. Um momento que teve tanto de bonito como de contagiante. Em Ditmas, o vocalista decidiu conhecer melhor os fãs com uma espécie de surf crowd até ao espaço de venda do merchandising. Marcus era ali um de nós, apenas com a festa folk em mente.

Com uma sequência de mais um par de músicas, a banda recolheu para a paragem da praxe mas trouxe surpresas no seu regresso. A banda voltou apenas com uma guitarra acústica, os quatro elementos juntaram-se numa espécie de quadrado losango onde entoaram em apenas um microfone as músicas Timshel e Forever. A Altice Arena viveu ali dez minutos emocionais, que agarraram o público ao vivo ou num dos quatro mega televisores disponíveis na sala com uma filmagem pensada a preto e branco para elevar ainda mais aquele momento tocante.

A seguir, mais uma surpresa: os australianos Gang of Youth, a banda que abriu o concerto dos Mumford & Sons, juntaram-se aos quatro magníficos para protagonizar a música Blood dos Middle East. Outro momento diferenciador que deu a conhecer uma versão mais eclética dos Gang of Youth, em especial do vocalista David Le’aupepe (aspeto à Jason Mamoa com voz de Eddie Vedder).

O final não poderia ter sido mais rompante Uma sequência de I Will Wait (o grande hit da banda) e a novíssima Delta (que também dá nome ao álbum) fecharam em grande o concerto de quase duas horas. Fechados numa grande cascata de confetis, os Mumford & Sons despediram-se com a certeza de um regresso, isto se nós o quisermos. Os aplausos, coros e êxtase dos fãs marcaram esse pedido nesta que foi a fantástica viagem ao mundo folk dos Mumford & Sons em 360º.

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