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Aerosmith fazem a verdadeira despedida no MEO Arena

Aerosmith

Texto: Hugo Sousa
Fotografia: Alexandre Antunes | Everything is New

Esta segunda-feira, dia 26, os Aerosmith vieram até ao MEO Arena com a digressão de despedida da banda, “Aero-vederci Baby!!!” para nos deixarem a todos com a lágrima no canto do olho.

Dezoito anos depois os Aerosmith voltaram a Portugal mas desta vez para se despedirem de nós em grande estilo. “Aero-vederci Baby!!!” é assim que se chama a digressão do último adeus da banda pela europa.

Haviam várias expetativas para a noite de segunda-feira mas nada como esperar para ver. Foi isso mesmo que os aficionados da banda oriunda de Boston fizeram. Durante cerca de quinze minutos depois da hora marcada, eram muitos os suspiros que percorriam o MEO Arena em troca de olhar para os relógios e telemóveis para ver se já estava na hora. Por volta das 22h, o espetáculo arrancou com uma produção multimédia que fazia um apanhado destes mais de 40 anos de carreira com “O Fortuna” de Carl Orff.

Os “Bad Boys from Boston” sobem ao palco e dão o pontapé de saída com “Let the Music Do the Talking” com Joe Perry e Steven Tyler a percorrerem o corredor central e colocarem-se mesmo em frente às ventoinhas colocadas estrategicamente para que esta fosse uma noite guiada ao sabor do vento.

“Olá Lisboa!”, diz-nos Tyler para depois se ouvirem “Nine Lives”, “Rag Doll” e a energética “Livin’ on the Edge” que colocou todos a cantar em uníssono e o MEO Arena ficou num verdadeiro alvoroço. O “casamento” entre Perry e Tyler é mais do que perfeito e a prova disso é dada em “Love in an Elevator” de 1989 que acaba por conquistar um ou outro distraído que não conhecia a canção.

Energia é algo que até não faltou e não iria faltar o resto da noite, apesar de alguns membros da banda mostrarem alguns (pequenos) sinais de cansaço. O palco é Steven, a guitarra é de Perry que a trata amigavelmente por tu em vários momentos, como em “Falling in Love (Is Hard on the Knees)” onde sola e canta enquanto o seu companheiro toca harmónica. Esta dupla é o verdadeiro frontmen dos Aerosmith.

“Stop Messin’ Around” e “Oh Well”, dois originais de Fleetwood Mac, fizeram parte do alinhamento preparado para esta noite e foram, de facto, bastante bem interpretadas sem qualquer apontamento a fazer. Depois de tanto frenezim, Perry – que troca a guitarra elétrica pela acústica – e Tyler – com maraca em punho e búzio – sentam-se para nos darem “Hangman Jury” e “Seasons of Winter.

Já quase todos tinham tido o seu “momento de glória” e estava na vez do baixista Tom Hamilton vir até ao centro do palco e, enquanto desfilava pelo corredor central, dar-nos um solo que serviu de introdução para “Sweet Emotion” que colocou o MEO Arena a cantar aos gritos o refrão.

Seteven pediu um momento para dar umas afinações nos auscultadores e foi aqui e a restante banda de diverte com um improviso que acabaria em “Boogie Man”. “Alguém tem um chapéu?”, pergunta-nos Tyler. Lá arranjou o adorno e  veio um dos momentos mais aguardados da noite, a “I Don’t Want to Miss a Thing”,  que faz parte da banda sonora do filme “Armageddon”. Continuamos por aqui com “Come Together”, dos The Beatles, com Joe Perry e Steven Tyler num dueto de fazer inveja.

Todas as canções tiveram uma interpretação muito própria com diversas variações em relação às versões originais mas em “Eat the Rich” o vocalista dos Aerosmith terminou da mesma forma que a gravação, com um arroto. Seguiu-se “Cryin’” – que também mereceu telemóveis no ar para gravar este momento – e um MEO Arena repleto de gerações diferentes cantou ao lado de Tyler.

“Dude (Looks Like a Lady)” (1987) foi a última canção desta primeira parte do concerto, com Joe Perry e Steven Tyler lado a lado no final do corredor central a dar o verdadeiro show.

Na pausa habitual que antecede o encore, instalaram um piano branco, de cauda. Tyler senta-se ao piano para interpretar o primeiro tema desta última parte: “Dream On”. O espetáculo encerrou com “Walk This Way”, no meio de confetes, mas não sem antes ouvirmos “Mother Popcorn” que não estava incluída no alinhamento inicial desta noite.

Foi uma verdadeira despedida que nos deixou a todos com vontade de os Aerosmith não desapareçam do radar.