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Alceu Valença Viveu e Reviveu na Casa da Música

Alceu Valença

Texto + Fotografias: Nuno Machado

Para muitos, o nome de Alceu Valença pode não trazer qualquer memória. Contudo, este músico com 47 anos de carreira veio ao Porto mostrar que a sua música é um legado que passa de geração em geração.

A década de 70 foi mote para alguns dos grandes temas deste nordestino natural de São Bento do Una que, já na altura, escrevia sobre o regime ditatorial que se viva no Brasil e as crises como a do petróleo e a censura.

A sala, meia cheia, aguardava ansiosamente a entrada do artista. “Agalopado” abriu as hostes. Um tema de 1977, do alinhamento do álbum “Espelho Cristalino” tem latente as raízes brasileiras, com um certo ar de rock.

Com múltiplas influências musicais, Alceu Valença foi revivendo os temas de outros tempos. “Descida da Ladeira” atirou com o público para os corredores. A Sala Suggia, para muitos considerada um ex-libris musical da Cidade do Porto (e da Casa a Música) transformou-se num salão de baile. Como que sem explicação, o público mais jovem começa a dançar.

Para espanto de muitos outros que se mantiveram sentados, apenas com a atenção voltada para este espetáculo secundário, Alceu parece não ter ficado surpreendido. Comentou que o alinhamento desta noite se baseava então nos seus primeiros álbuns, da década de 70, agora remasterizados e regravados em formato digital. “Na época só havia video em formato Super 8 e eu quis reviver o melhor momento da minha carreira e registá-lo para a posteridade”, explicou o nome do álbum (Vivo! Revivo!), da digressão e a razão por trazer a palco estas (suas) memórias ainda muito atuais. “Mas a camisa é a mesma; apenas mudei as faixas que já estavam desbotadas…” acrescentou!

(Muito) Mais discreto, mas a fazer lembrar Ney Matogrosso, Alceu Valença sai do palco ao final da décima primeira música. Um espetáculo bastante curto, para o que se previa. O encore serve como uma rotura entre as diferentes épocas musicais. Na “segunda parte” do espetáculo, vivemos as décadas de 80, 90 e 2000. Temas como “pelas Ruas que Andei” voltaram a dar comichão aos mais bailantes que nunca mais se voltaram a sentar, até ao final do concerto.

Alceu Valença trouxe música de outros tempos e com ela a vontade, para muitos já esquecida, de “dançar agarradinho”. Depois de Alceu Valença, a Sala Suggia jamais terá a mesma “credibilidade”.

Setlist:

Agalopado

Anjo de Fogo

Espelho Cristalino

Dente de Ocidente

Mensageira dos Anjos

Descida da Ladeira

Pontos Cardeais

Casamento da Raposa com Rouxinol

Edipiana

Papagaio do Futuro

Você Pensa

Encore:

Coração Bobo

La Belle de Jour / Girassol

Taxi Lunar

Como 2 Animais

Anunciação

Morena Tropicana