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Animal Collective – “Painting With” – Crítica

Os Animal Collective continuam a deliciar-nos com a sua veia experimental, o polimento da ternura de configuração pop e a imagem de feições psicadélicas

Animal Collective
“Painting With”
Domino Records

💊💊💊💊

(4/5)

por Óscar Santos

O novo álbum de Animal Collective demonstra que, apesar de serem uma banda que já está no ativo desde o início deste milénio e este ser o décimo trabalho, continuam a desempenhar bem o seu papel na indústria musical. Este coletivo de Baltimore é composto por Avey Tare (David Portner), Panda Bear (Noah Lennox), Geologist (Brian Weitz) e Deakin (Josh Dibb), apesar de este último não ter participado neste álbum. Contribuíram para “Painting With” John Cale e Colin Stetson.

A primeira audição do disco pode soar a um som confuso e estranho, como se fosse um sentimento recusado, ficando-se mesmo indiferente. Contudo, com novas audições começa-se a afinar com as melodias das composições e torna-se um descobrimento reciproco. É possível que ainda assim seja o álbum mais acessível do grupo para um público geral, pois possui um formato mais pop. Não será por acaso que o grupo cita Ramones como o ponto de partida para este trabalho.

O álbum abre com a música “FloriDada”. Com este título conseguimos como que comparar os Animal Collective aos dadaístas, pois se uns quiseram romper as noções da arte, outros quiseram romper as noções musicais, tal como aconteceu novamente, com a criação de um álbum diferente dos precedentes, fazendo a sua evolução para algo novo.

“Floridada” abre bem o álbum, pois é de ritmo alegre, entusiasta e divertido que contagia à primeira audição, onde um coro de vozes se conjuga com jovialidade psicadélica, sintetizadores e batidas tropicais. Fica de imediato no ouvido de quem ouve e faz lembrar um pouco Beach Boys, o que não deixa de ter a sua graça, pois os Animal Collective gravaram este álbum no estúdio onde a banda de Bryan Wilson registou Pet Sounds.

“Floridada”, assim como “Lying in the Grass” e “Golden Gal”, são os singles de apresentação do álbum, sendo que este se caracteriza, de um modo geral, por músicas de tendência alegre, compostas em grande medida através de ritmos de percussão e batidas, de sintetizadores modulares que criam sons diferentes e únicos para a estrutura musical, e ao nível da voz, encontramos verdadeiros jogos de sobreposição e de progressão vocal que enchem a música, sendo o expoente máximo percetível em “The Burglars”.

Em “Painting With”, a banda tentou seguir um registo um pouco diferente, mas no início de “Golden Gal”, podemos como que sentir um aviso e ironia para os fãs que não gostam das mudanças do som da banda, graças à frase “Is this about? No, Blanche, she’s upset because they keep changing the taste of coke”, que é um sample retirado da sitcom The Golden Girl. Apesar dessas mudanças continuam sempre a deliciar-nos com a sua veia experimental, o polimento da ternura de configuração pop e a imagem de feições psicadélicas, sendo as suas criações um deleite para os sentidos.

Site Oficial da banda