Arma psicadélica King Gizzard deu êxtase para os ritmos dançantes da dupla The Blaze – Vodafone Paredes de Coura – Dia 1

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O novo ano de Paredes de Coura trouxe um primeiro dia já bastante concorrido, com os principais nomes a revelarem-se e os portugueses a surpreenderem.

Texto: Rui de Sousa | Fotografia: Joana Pereira

A maioria dos festivaleiros chegaram a Paredes de Coura nesta quarta-feira, dia 15 de Agosto, mais precisamente ao campismo na Praia do Taboão para quatro dias de grande festa. O primeiro dia, apesar de não ter os grandes nomes do cartaz, conseguiu surpreender em grande escala.

Marlon Williams foi o segundo a subir ao palco, depois de um concerto bem conseguido de Grandfather’s House. O neozelandês atuou pela primeira vez em Portugal, o que tornou aquele concerto bastante especial. Pelas suas próprias palavras, o artista esteve alguns dias no nosso país e até confessou à plateia ter adorado o nosso fado. Aliás, uma das músicas que ficou mais no ouvido foi mesmo “When I Was A Young Girl” que pareceu ter ali uma inspiração portuguesa. Sobre o concerto em questão, o músico começou com um tom mais leve e foi elevando a fasquia com sons mais conhecidos do público como “Vampire Again“. O público ia chegando, a plateia continuava com os mesmo número mas os lugares sentados iam-se enchendo a passos largos, enquanto o sol radioso se ia colocando atrás das árvores. A própria banda de Marlon Williams também teve o seu momento de supremacia com solos muito cativantes. Acabado o concerto, percebeu-se que Marlon Williams tinha muito de Nick Cave com ele. E com esse génio que este ano ficou guardado para o NOS Primavera Sound, não se podia pedir mais.

A seguir, já com o início da noite escura a notar-se, os Linda Martini foram aposta segura do festival e não desapontaram em horário nobre. A banda vinha claramente de encontro com o estilo do Vodafone Paredes de Coura: muito rock, sonoridades e solos arrojados e um q. b. de maluquice à mistura. Ao início começaram por invocar alguns singles do mais recente álbum: “Boca de Sal” e “Gravidade” foram as mais receptivas pela plateia, que foi enchendo rapidamente (e muitos foram os que correram do campismo em direção ao recinto). Mas, obviamente, as que mais fizeram mexer o público foram as músicas mais transcendentes da banda lisboeta. “Amor Combate” ou “Mulher-a-Dias” tiveram, inclusive, direito aos primeiros moches desta edição. O público estava em êxtase e “Cem Metros Sereia” criou o melhor coro (em língua portuguesa) do dia com as entoações de “se eu não ficar perto… PERTO!”. E quando o melhor parecia estar visto, Cláudia Guerreiro e Pedro Geraldes saltaram para as primeiras filas da plateia e balancearam durante vários segundos num crowdsurfing que orgulharam os deuses do rock. As pessoas estavam em êxtase, os Linda Martini felizes.

Linda Martini – galeria completa AQUI

 

King Gizzard & The Lizzard Wizard era provavelmente a banda mais aguardada do dia. Meia hora dividiu o começo deste concerto com o fim dos Linda Martini. Bom para encher completamente a casa, deixando só espaço nos vales mais altos da área do festival de Coura. O transe é o adjetivo que melhor pode definir esta banda australiana. Os sete membros começaram a todo o gás e, verdade seja dita, o transe esteve lá desde o primeiro segundo com as guitarradas a sintonizarem-se com o pano de fundo, que neste caso curiosamente era uma televisão mal sintonizada. Orientados pela voz de Stu MacKenzie, os restantes seis membros só pararam depois de 15 minutos verdadeiramente alucinantes. O público estava agarrado e grande concerto garantido! A partir dali começam a entrar outras influências mais indie, se bem que as hipnose continuavam connosco. E ainda bem, porque é isto que mais se queria. “Digital Black“, “Sleep Drifter” e “Rattlesnake” foram as que mereceram maiores ovações. Isso e os thank you sucessivos do vocalista Stu. Paredes de Coura não estava preparado para tanto espetáculo. Sempre que quisermos juntar bom rock a ritmos psicadélicos, temos nos King Gizzard & The Lizard Wizard uma arma segura e expectante.

King Gizzard & The Lizard Wizard  – galeria completa AQUI

 

Depois foram os The Blaze a fechar o primeiro dia no principal palco do festival. A força musical ainda pairava nos corpos dos fãs dos australianos mas depressa se aventuraram em ritmos mais lentos mas também mais dançantes deste duo francês que começa a fazer escola pelo seu estilo único. Guillaume e Jonathan Alaric entraram com um excelente panorama em seu redor, ou seja, dois ecrãs em seu redor que ilustravam na perfeição o ritmo de cada música, desde imagens mais escuras para sons mais calmos ou de carros a arder nas músicas mais energéticas. Houve ecletismo, o que se pede sempre neste tipo de festival. Muitos se mexeram ao ritmo das músicas por isso cumpriram à justa para quem estava ali para os ver.

Já praticamente chegadas as duas da manhã, ainda estavam no recinto muito sobreviventes. O motivo? Um tal de Conan Osiris. Aquele que provavelmente é o músico português com maior hype no panorama nacional, juntou milhares de fãs no Vodafone FM, o palco secundário. Em pouco mais de uma hora, Conan interagiu, bem ao seu estilo, com a plateia. Muitas vezes arrojado (mas sem problema de o ser), cantou vários temas como o seu hitAdoro Bolos“, momento que fez disparar vários vídeos com o telemóvel. Depois, foi Nuno Lopes a mostrar (mais um ano) a sua vertente de DJ. E claro, nunca desilude.

Conan Osiris  – galeria completa AQUI

Um dia electrizante, é o que se pode dizer do primeiro de Paredes de Coura. Se continuar como começou, 2018 será um excelente ano.