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Até 2018 NOS Primavera Sound!

NOS Primavera Sound

Texto: Tiago Pinto
Fotografias: Rui Oliveira

Chegados ao derradeiro dia, eis que o Nos Primavera Sound dispensou em todos os que por aqui passaram, uma vez mais, uma experiência única e ímpar. Sem ter descurado da importância que o dia de encerramento de um evento assume aos olhos do público, este dia 10 de junho para muitos ficará preservado nas suas memórias, envolto num manto de apreço e afeição.

Passavam das 17H00 e já muitos passavam pelo recinto. São Pedro fora generoso ao agraciar o Festival com bom tempo e altas temperaturas, tendo sido neste último dia que as mesmas se fizeram sentir com vigor. Um mar de toalhas de piquenique estendidas pelo relvado, cada um a empunhar o seu refresco, os sons já se apoderavam novamente deste espaço e cativavam os presentes.

A rainha, assim por muitos apelidada, Elza Soares, subiu ao Palco Super Bock. A enchente era notória, muitos contemplavam a sua presença ao longe. Sentada num trono, exportando uma mensagem de suma importância social com as suas músicas e letras que as compõem, Elza, o seu espírito, a sua magnanimidade, entre demais elementos que a podem descrever a sua pessoa, terá sido um dos pontos fortes, marcantes e de destaque da edição do Primavera 2017.

Foto de Imagem do Som.

Ainda não estavam ultrapassadas as 20H00. Subiriam ao Palco Nos os muito aguardados e adorados The Growlers. Sempre com um estilo peculiar e característico que adorna Brooks Nielsen e o gangue, os mestres de Surf Rock californiano compensaram, não só portugueses, mas também todos os que estiveram presentes no Vodafone Paredes de Coura 2015, pela sua atuação, entoando cantigas clássicas como Gay Thoughts, Row, até ás sonoridades mais recentes e igualmente contagiantes, como I´ll be Around ou Vacant Lots. Sem dúvida um concerto de qualidade muito superior ao último por eles prestado, mas sem comparação com os que presentearam aos portugueses no ano de 2013, com o mítico Hung At Heart acabado de sair.

Foto de Imagem do Som.

Para muitos já se fazia sentir o aperto no estômago e vontade em o aforrar. No entanto, para muitos a música e os artistas não lhes deram tréguas e, sempre em jeito de peregrinação, deslocaram-se a outros palcos. Foi a vez de Sampha no Palco Super Bock. O artista britânico, já marcadamente reconhecido na praça pelas muitas colaborações e associações com outros artistas, veio exibir os seus dotes enquanto músico e produtor. As luzes que o acompanharam realçaram a sensualidade da sua presença em palco e voz, levando muitos a saborear esta atuação com elevados níveis de entusiasmo e enlevo.

Terá sido, a par de outras, uma das escolhas mais árduas a ter de ser feita pelos festivaleiros. Verificam-se uma quase total coincidência a nível de horário, eis que se demonstrou necessário optar entre os bombásticos e crus Death Grips ou peritos de eletrónica dançável e catchy Metronomy. Decidimo-nos por Metronomy. Embora já hajam atuado um número considerável de vezes em território português, com um novo álbum em mãos, com uma nova postura em palco, sem nunca olvidarem hits como The Look ou Corinne, os músicos fizeram festança, tratando de levar ao rubro os milhares de pessoas que se encontravam diante deles. Parece ter sido transversal um sentimento de contentamento e aprazimento partilhado por todos os que compuseram o público deste espetáculo, mas foi possível comprovar, por parte de quem acompanhou esta banda desde as suas origens, um certo desagrado pelo fato de não haverem prestado homenagem a sonoridades sem-par, extravagantes e incomparáveis que moldam os seus primeiros trabalhos.

Já o Palco Nos estava devidamente apetrechado de elementos que iriam acompanhar a performance do artista encarregue de encerrar este palco principal. Por entre a névoa, imersos no que ia sendo exibido nos vários ecrãs dispersos, quase que arrebatados pelo espetáculo de luzes encetado, Aphex Twin, o rei-britânico da eletrónica experimental, afirmou com veemência o porque de ser lícito e correto atribuir-lhe tal título. Uma performance magistral, fazendo uso dos presentes nesta zona do recinto nas suas várias projeções visuais, Aphex Twin foi por muitos coroado com tendo sido um dos artistas mais impactantes desta edição do Nos Primavera Sound.

Mais uma edição de sucesso se concretizou. A nostalgia, agora sim, abatesse, as memórias perduram e materializam-se em fotos e vídeos dispersos pelas redes sociais, a ansia pelo retorno do Primavera já se sente. Um muito obrigado Nos Primavera Sound pela experiência oferecida aos amantes da música e um até já edição de 2018.