Braços cruzados ontem, hoje, e sempre

Como começou já todos sabemos: “Boa noite Porto, aqui Xutos & Pontapés!”. Sim Tim, a plateia que esgotou a sala 1 da casa de excelência de rock na invicta está de ouvidos abertos, olhos atentos e de braços cruzados para receber, para sentir o “Duro”.
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Mas antes, e antes de comecar? A família da maior banda rock portuguesa aconchega e declara que não importa se a sala acolhe mil ou dez mil pessoas – a producão é séria quando se trata de Xutos & Pontapés: à entrada a Rita sorridente no merchandising, o Cajó a comandar o som, o Nuno Preto a assegurar-se que tudo está a 100% em palco, entre tantos outros que compõem a equipa da banda acarinhada (e muito) pelos fãs.

A banda foi fiel ao alinhamento do novo álbum na escolha das quatro primeiras cancões do concerto. “Imprevistos” serviu de introducão para a entrada do grupo em palco, que conteve desde logo a atencão do público que vem a dar o primeiro grande sinal de vida ao terceiro tema, “Fim do Mundo”. Palmas fortes, militantes e fiéis a acompanhar a forca e emotividade da bateria de Kalú. E não foi só isto. Em cima, ao lado e por dentro de todos os que enchiam aquela sala, estava “a chama daquela estrela que ficou mais leve e voou”.

© Ivo Carvalho

Manuel Paulo é o primeiro músico convidado da noite, nas teclas para “Mar de Outono”. Uma pausa no “Duro”, e de repente, parecia que agora sim, o concerto tinha acabado de comecar enquanto a noite não caía, subia! Ainda antes de se agarrar ao microfone para dizer que “o sol desce para Monsanto”, Tim rodopiava de energia numa malha de baixo que com o bombo do coracão dos Xutos fez o Porto perceber que era para saltar, para saltar, e ainda, para saltar.

“N’América” é dedicado ao Zé Maria, o célebre Kit, amigo da banda presente na audiencia que trouxe (na altura da edicão do álbum “Cerco”) o lenco que o Tim e tantos seguidores dos Xutos levam ao pescoco religiosamente. À semelhanca de tantas outras no concerto acústico “Ao Vivo na Antena 3”, segue-se uma cancão que provou sobreviver, aliás, viver e brilhar ao suporte da guitarra de Cabeleira, e pouco mais foi preciso: falamos de “Falcão”, tema editado há dez anos que surge com um novo arranjo inesperado, surpreendente e altamente bem conseguido.

Quem conhece a sala 1 do Hard Club veio preparado para um ambiente quente, bem quente, e agora Tim rende-se ao calor humano que se fazia sentir e faz uma pausa no momento instrumental de “Salve-se Quem Puder” para tirar o colete que traz vestido.

© Ivo Carvalho

Depois de saltar a pedido do público, o vocalista anuncia que se seguem mais duas músicas do penúltimo álbum (“Puro”) “um bocadinho exigentes a nível de letra derivado à velocidade a que se processam”. Então siga, é rock’n roll: “Milagre de Fátima” e “Ligacões Diretas”. O espírito prossegue para Cabeleira de cigarro na boca e companheiros, “Até Maria”. Espíritos Espantados num regresso ao “Duro” agora com a boa onda, a energia e as teclas do Vicente Santos.

“Porto, eu não sou daqui, mas voces fazem um gajo sempre sentir-se em casa”, são as palavras de Carlão no final de “Sangue da Cidade” que acrescenta ser “um orgulho do caracas estar aqui”. E Carlão continua um discurso emotivo, a falar (e bem) em nome de todos: “uma cena que os Xutos sempre me fizeram sentir desde o primeiro momento em que entrei em contacto com eles foi que eu era um deles, e todos nós a ouvir Xutos desde putos sentimos a mesma cena, nós somos todos Xutos”. “Mais sangue, mais sangue, é preciso mais sangue” diz Tim a abrir hostilidades para “Duelo ao Sol”.

© Ivo Carvalho

A festa já estava instalada, o público gritou para Kalú saltar, mas a noite ainda não estava no auge – “deixa aquecer mais um bocadinho” pediu o baterista. Depois de “Homem do Leme” e de “Circo de Feras”, a música, a ideia, o sonho que Zé Pedro nos deixou, “Não Sou o Único”: “Voces tem sido uns gajos do caracas, até as mais modernas cantam, como diria o Zé Pedro voces são a única razão para nós estarmos aqui hoje”, lembrou Tim.

A noite encerra com um animado e aclamado “Tu Também (10.000 anos atrás)”, com o vocalista a exclamar “boa noite” em tom de “acabou, acabou mesmo”. Brincadeira claro. Os comendadores estão de volta ao palco para celebrar uma noite tão bem conseguida de abertura da XL Tour no norte do país: depois de “À Minha Maneira” e “Dia de São Receber”, os Xutos não nos mandam para a Casinha sós, mandam-nos com o 7º single completo! Concretizado com a noite, Tim declara com humor: “vou tirar uma selfie às vossas palmas com os meus oculinhos”.

Bracos cruzados ontem, hoje, e sempre. Obrigado Xutos.

 

Xutos e Pontapés– galeria completa

OUTRAS REPORTAGENS