Capitão Fausto põem Coimbra a dançar

Um concerto marcado pela autenticidade de uma banda que nos mostrou todos os lados daquilo que são, que fazem, e que nos oferecem.
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Ainda estou a “abanar o capacete”, a balançar a anca e a alternar o passo enquanto revivo, de fones nos ouvidos, as músicas que a noite de 7 de fevereiro de 2020, teve o privilégio de ouvir ao vivo, quando recebeu de forma tão calorosa o regresso dos Capitão Fausto à sala esgotada do TAGV de Coimbra. Um concerto marcado pela autenticidade de uma banda que nos mostrou todos os lados daquilo que são, que fazem, e que nos oferecem.

© Alexandre Vaz

Abriram com “Lentamente”, mas não foi lenta a reação do público, que logo desde início se mostrou enérgico e eufórico. Os Capitão Fausto agarraram-nos logo ao primeiro sinal, com a primeira nota, dando a descobrir que diante de nós estava a banda que nos iria iluminar a noite, fazendo os nossos lábios cantarolar as letras, assobiar refrões, aplaudir ao som da diversidade rítmica e viver ao máximo cada música que o nosso peito escutava com atenção.

Os Capitão Fausto surpreenderam-nos com um concerto intimista, composto pela versatilidade e arranjos únicos que, nos transportavam para a dimensão faustosa e “Faustiniana”, onde foi possível sentir entrega e cumplicidade entre banda que faz com que tudo resulte no ponto, onde havia espaço para todos brilharem como um só, mas também com a singular individualidade de cada um. Cumplicidade essa que contagiava a plateia, que parecia acompanhá-los desde sempre, cantando com pujança todas as letras das músicas que fizeram parte do reportório, desde as mais antigas, do primeiro álbum às mais recentes, d’ “A Invenção do Dia Claro”.

© Alexandre Vaz

Brilharam à luz de uma imensidão de cores, e falavam-nos com o seu caraterístico sentido de humor, arrancando algumas gargalhadas ao público que, música após música, ficava mais empolgado. Domingos Coimbra, baixista da banda, foi a primeira voz que se ouviu soar, agradecendo a vivacidade da sala. O vocalista, Tomás Wallenstein ficou encarregue de apresentar a banda, com um carisma que tornou o concerto mais genuíno e o ambiente mais familiar.

Os Capitão Fausto contaram-nos a sua história ao longo de músicas que marcaram o seu crescimento, partilharam connosco ensinamentos, vivências e emoções e agora resta-nos a nós contar, a todos aqueles que não estiveram presentes, o inigualável espetáculo, composto por todas as vertentes da banda, desde os exitos que aqueciam o coração, e que o público recebia em coro, aos expressivos sons da guitarra de Manuel Palha, passando pelas melódicas teclas de Francisco Ferreira, que bailavam freneticamente ao acompanho de uma bateria eufórica de Salvador Seabra, que fazia o pé bater, a bacia mexer, e o pescoço agitar, de um povo que sentia a cada segundo que passava, uma dificuldade imensa de permanecer sentado. Encantaram-nos também com músicas que já não tocavam há algum tempo, como “Flores do Mal” do álbum “Pesar o sol”, que foi recebida com saudade e aconchego.

© Alexandre Vaz

Cada membro vivenciava o concerto de forma única, sorriam, sentiam e “musicavam” como só eles, resultado de uma banda que faz aquilo que gosta e aquilo que é. Sem igual foi também o comportamento da plateia que se levantou toda ao som de “Santa Ana” do álbum “Gazela” e dançou em grito à liberdade, cantou na euforia da música e pulou agitada ao ritmo do solo de bateria… Tal era a ânsia de se mexer, de se desprender e viver os “Capitão Fausto” como devem ser vividos… Dançando.

Ao longo das músicas, as vozes da sala soavam alto, mas a banda também nos soube calar nas alturas certas. Engolíamos o entusiasmo, prendíamos a euforia, ouvíamos atentamente aquilo que eles nos tinham para dizer com as melodias, as palavras, e a diversidade de sonoridades. Captavam a nossa atenção e agarraram-nos do início ao fim, com tudo aquilo que os Capitão Fausto são.

Um concerto esgotado, marcado pela versatilidade, pela intimidade, e vivacidade, que nos mostrou tudo o que tínhamos vontade de ver e ouvir dos Capitão Fausto, uma banda com espaço para tudo e todos, que nos arrepia, que nos rouba a voz, que nos tira os pés do chão, que nos faz dançar, gritar e sentir.

© Alexandre Vaz

E não podiam dizer adeus sem as tão adoradas “Boa Memória”, “Certeza” e “Final” que marcaram o desfecho do concerto. Despediram-se mais próximos do público, dando-nos um abraço intimista e lembrando-nos de como é sentir música à vontade. Ali não houve espaço para julgamentos, só para vivências, e os Capitão Fausto sempre nos habituaram a sentir música, cada um à sua e da sua maneira.

O concerto termina… Mas era mesmo obrigatório esta história chegar ao final? Aguardamos o seu regresso. E serão de novo recebidos com o calor único da sala e do público, que conservarão para sempre esta boa memória.

Capitão FaustoGaleria Completa

OUTRAS NOTÍCIAS

NOVAiDS White-01