Dá-me psicadelismo, eu respondo com amor – o 3º dia do Vodafone Paredes de Coura

Os Spiritualized cativaram pela energia, Father John Misty pela harmonia.
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No Vodafone Paredes de Coura temos um festival que gosta de oferecer (como dizem e bem) amor e música. Este slogan do Couraíso poderia ser um caso de estudo, já que o terceiro dia de festa reflete, na perfeição, a junção dessas duas fórmulas.

Os Spiritualized e Father John Misty eram os nomes mais aguardados da noite, mas a festa começou cedo, ainda com o sol a raiar forte.

Os First Breath After Coma foram a banda portuguesa escolhida para inaugurar o palco principal. A banda de Leiria vinha com um novo álbum na bagagem NU, e dentro dessa fórmula entregou ao público (bem composto para aquela hora do dia) sonoridades fortes, de mãos dadas com vozes apaixonadamente cativantes, enquanto os cinco membros compunham uma fila, onde transmitiam que ali ninguém era mais importante que ninguém. Depois passaram por músicas mais antigas, como Salty Eyes, com a participação surpresa do compatriota Noiserv. Os FBAC deram um concerto do qual só têm que se orgulhar.

© Igor de Aboim

First Breath After Coma Galeria Completa

Jonathan Wilson foi o artista que se seguiu. Muitas cabeças continuavam de olhos no palco mas o corpo bem relaxado na encosta, para ouvir as guitarradas editadas em Rare Birds, último álbum de Wilson. Os laivos de psicadelismo são uma constante, mas a essência está toda nas baladas que encaixam na perfeição num bonito sunset ali para os lados do Alto Minho.

© Igor de Aboim

Jonathan Wilson Galeria Completa

Já com praticamente 20 anos de carreira, os Deerhunter estavam mais que preparados para a tarefa de aquecer o concerto dos Spiritualized. Pouco depois das 21h, os Deerhunter entraram com a música que sabem fazer e à qual nos vão habituando, disco após disco. Essa mesma ideia foi-nos transmitida naquele início de noite fria. Com oito álbuns editados, os norte-americanos insurgiram-se mais na promoção das novas músicas de Why Hasn’t Everything Already Disappeared?, o álbum editado no início deste ano. Sem mais perguntas incluídas, as respostas em jeito de feedback foram dadas nos ecos dos grandes temas Snakeskin ou Helicopter.

© Igor de Aboim

Deerhunter Galeria Completa

Os Spiritualized já levavam consigo uma enchente, que sendo o primeiro dia de festival que não estava esgotado, não fugiu muito ao número limite. O space rock da banda liderada por Jason Pierce esteve no Paredes de Coura para elevar os fãs a outras galáxias, talvez tão brilhantes como a lua que se avistava no alto. Também eles com oito álbuns na carteira, todos presentes numa hora de espetáculo. O afastamento de Jason Pierce dos palcos por seis anos, por motivos de saúde, em nada se refletiu na atuação do vocalista dos Spiritualized. Umas vezes na loucura do psicadelismo, outras mais na onda eletrónica, e terminando num incrível gospel ao som do mítico “Happy Day”. A noite estava fria mas aqueceu depressa.

© Igor de Aboim

Spiritualized Galeria Completa

A única pessoa que podia dividir opiniões depois do final arrebatador de Spiritualized era Father John Misty. Apostando num outfit cool entre cores neutras (branco e preto) e com a já habitual farta barba, Josh Tillman estava obrigado a encantar, até porque é o que ele sabe fazer melhor, e sempre que vem a Portugal demonstra essa faceta ao mais alto nível. A música do norte-americano encantou desde o primeiro segundo. Aliado a uma banda consistente, Father John Misty combina a sua voz com um pezinho de dança que pode fazer inveja a muitos homens. Na noite fria que se fez sentir na vila de Coura, a voz doce e quente de Father John Misty, com as batidas folk rock, fica na perfeição. Os fãs não ficaram decepcionados, ainda mais quando o próprio fez juras de amor no final, ao som de I love you, honeybear. Tudo muito bonito, e com grande significado. Basicamente tudo aquilo que se sente no Couraíso.

© Igor de Aboim

Father John Misty Galeria Completa

No palco secundário, o destaque foram os Black Midi, que surpreenderam todos os festivaleiros de Coura. A banda londrina tem uma essência única, sem se preocupar minimamente com um tipo de sonoridade mais virada para o garage. Durante uma hora, os quatro elementos que se estrearam em Portugal no Mucho Flow 2018 (festival indie de Guimarães), entregaram-se de corpo e alma no palco Vodafone.Fm e, provavelmente , saíram de lá como uma das principais surpresas do dia.

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