Da purpurina ao neomordernismo: o slay das queens de RuPaul.

Da purpurina ao neomordernismo: o slay das queens de RuPaul.

Rita Matias dos Santos
Rita Matias dos Santos
Após 6 anos exilada em Paris, Rita regressa à pátria persistindo contra todas as marés no seu sonho de escrever sobre música. Pelo menos da parte da tarde.
Depois de onze sólidas temporadas e uma world tour que deixou Portugal de lado no ano passado, as meninas de RuPaul apresentaram esta terça-feira, pela primeira vez, a Werq the World Tour no teatro Tivoli.

Pelas portas de um dos teatros mais importantes da cidade, encontrava-se na vasta fila, o público alvo de RuPaul Drag Race: dos 16 aos 60, do fato à purpurina, assim se previa uma noite de wig snatching.

© Joana Pereira

Ouviu-se a horas certas os primeiros graves musicais que dariam início a um espetáculo meticulosamente preparado, inspirado no sistema solar. Cada queen encarnava em si um planeta e representava-o de forma intensa e personalizada. Tal como os vermelhos ritmados de Kameron Michaels nos levaram a Marte, Aquaria mostrava-nos a feminidade e leveza de Vénus, acompanhado de um lip sync da canção homónima de Lady Gaga.

Das variadas vezes que o público se levantou para aplaudir, um dos principais momentos foi o feroz salva de palmas à subida em palco da mãe de Stefani Duvet, uma das mais conhecidas queen portuguesas. O público fê-lo pelo exemplo parental que é, devido ao apoio incondicional à carreira do filho.

© Joana Pereira

A interação com o público foi dos elementos fortes da noite. Numa brincadeira, foram aleatoriamente chamadas, pela apresentadora Asia O’Hara, três pessoas da plateia para um quick drag, no qual os sortudos deviam, em apenas dois minutos, fazer o melhor drag da sua vida com acesso a uma pequena seleção de perucas, roupa e maquilhagem. A quick-queen mais votada sonoramente pelo público, recebeu merchandising.

© Joana Pereira

Apesar de as cadeiras terem contido alguma energia, a vasta música, sobretudo pop, não impediu que a intensidade do espetáculo e o ambiente que dele se proporcionou, arrefece-se. No meio de gay slang, de fatos, de cultura pop, arquitetura neomoderna, prpurina, classe, e toda a riqueza que a cultura LGBT tem, as queens de RuPaul deixaram um rasto luminoso na cidade lisboeta.

 

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Rita Matias dos Santos
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