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Deep Purple: Deep’amente em grande forma!

Deep Purple

Texto: Rui Sousa
Fotografia: Ivo Carvalho

A banda britânica encheu o MEO Arena e juntou músicas do último álbum aos grandes clássicos. E até juntaram “Cheira bem, cheira a Lisboa” ao repertório.

Fim de tarde, início de noite e o Parque das Nações começava a encher-se de uma multidão, muitas delas equipadas a rigor, fosse com t-shirts alusivas à banda de Ian Gillan (voz), Steve Morse (guitarra), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) e Don Airey (teclado), ou simplesmente com a peça de roupa mais roxa que tinham no armário. Bem, o que interessa é que todos estavam ali por uma razão: ver a banda da sua juventude com sorrisos e entusiasmos, tais reações que tinham quando ouviam os gira-discos ou cd’s na passada adolescência.

A paragem no MEO Arena começou ao som dos UHF. A banda portuguesa comandada por António Ribeiro abria pela segunda vez um concerto dos Deep Purple, depois de o terem feito há várias décadas na já extinta Praça de Touros de Cascais. A casa ainda estava a meio gás quando a banda iniciou o concerto e foi enchendo à medida que se tocavam os temas mais famosos como “Matas-me com o teu olhar” e “Cavalos de corrida”. Entre músicas, o vocalista António Ribeiro explicou que a banda iria reverter parte do cachet daquele concerto para ajudar os bombeiros que lutaram no desastre de Pedrógão Grande. A banda natural de Almada terminou o seu concerto, já com o MEO Arena praticamente lotada, com “Menina estás à janela”, fazendo as delícias dos fãs a ecoarem o refrão durante longos minutos.

Espera habitual, uma selfie ali, uns comentários acolá. Todos os fãs ansiavam pelos ídolos de uma geração. “The Long Goodbye Tour” desvenda que esta seria provavelmente a última oportunidade de ver os britânicos ao vivo. Os Deep Purple lá fizeram a vontade (se bem que dez minutos depois do programado) e entraram a todo o gás com “Time for Bedlam”, tema do último álbum “Infinitive”, editado este ano.

Seguiram-se “Fireball” e “Bloodsucker”, em ritmos seguidos e sem pausas. Apesar da média de idades rondar os 70 anos, a banda mostrou-se desde início predisposta a ir com tudo para este concerto. O vocalista Ian Gillan que até então não tinha puxado ao máximo pela sua vez, soltou vários agudos ao som da guitarra de Steve Morse, mostrando que a sua voz ainda está (e esperemos que esteja mesmo!) muito longe da reforma. Com o final de “Strange kind of woman”, Gillan, que curiosamente estava vestido com uma t-shirt do Popeye, recebeu a primeira grande ovação da noite.

As palavras foram poucas até porque a banda estava ali para dar a melhor música aos seus fãs. “Johnny’s Band”, “Uncommon Man” e “The Surprising” suscintaram muitos improvisos, principalmente de Steve Morse e do teclista Don Airey.

O público vibrava a cada novo acorde e assim que perceberam que chegava o tema “Lazy”, a plateia soltou-se e vibrou com o tema dançavel da banda britânica.

Depois de “Birds Of Prey” e “Hell To Pay”, foi a vez de Don Airey, que estava a ser um dos elementos mais destacados do concerto, abrilhantou (não tivesse ele uma camisa estrelada), com um grande e ritmado solo de teclas. A cada minuto que passada o público parecia mais excitado e ficou arrebatado quando Airey tocou um exclusivo para os portugueses e principalmente os “alfacinhas”: “Cheira bem, cheira a Lisboa”, tema icónico de Amália Rodrigues. Um momento de boa disposição que deixou o MEO Arena ao rubro!

Viam-se muitos aplausos em pé dos balcões, e nem tempo deu para sentar mal começou a ecoar a música “Perfect Strangers”, uma das míticas dos Deep Purple. Seguiu-se outro clássico, Space Truckin, a um ritmo forte e claro a prever que o melhor estava ainda por vir.

Não tardou. Mal se começou a ouvir os primeiros riffs de “Smoke On The Water”, os assobios e aplausos foram notórios e os telemóveis foram colocados “on” para filmar aquele momento tão especial. Dos mais velhos aos mais novos, ninguém ficou indiferente e ajudaram Ian Gillan a completar o refrão do tema e a deixar o MEO Arena em uníssono.

“Vocês foram fantásticos, soberbos, magníficos! Nós adorámos estar aqui.”, foram as últimas palavras do vocalista antes de abandonar o palco com a restante banda.

Foram praticamente duas horas de concerto a grande nível, a relembrar vivências que o público teve ao som de muitas daquelas músicas e que esta não deve nem pode ser a última turnee da banda. Até porque todos eles continuam profundamente em grande forma!

Vê a galeria completa aqui.

Confira todo o alinhamento do concerto dos Deep Purple:

1. Time For Bedlam
2. Fireball
3. Bloodsucker
4. Strange Kind Of Woman
5. Johnny’s Band
6. Uncommon Man
7. The Surprising
8. Lazy
9. Birds Of Prey
10. Hell To Pay
11. Don Airey Keyboard Solo
12. Perfect Strangers
13. Space Truckin’
14. Smoke On The Water

Encore:

1. Hush
2. Roger Glover bass solo
3. Black Night