Em dia de reis, alt-J foram magos na Altice Arena - Imagem do Som
19736
post-template-default,single,single-post,postid-19736,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,footer_responsive_adv,qode-theme-ver-11.2,qode-theme-bridge,wpb-js-composer js-comp-ver-5.2.1,vc_responsive
 

Em dia de reis, alt-J foram magos na Altice Arena

A banda britânica iniciou a tour europeia em solo português e, oito meses depois de terem atuado no NOS Alive, voltaram a arrebatar os corações dos fãs nacionais.

Por motivos religiosos, o dia supostamente seria dedicado a Baltazar, Belchior e  Gaspar e para o seu ouro, incenso e mirra. Porém, os alt-J também são três, tocam que se fartam e presenciaram-se como autênticos reis na noite de 6 de Janeiro, na Altice Arena. A banda vinha apresentar pela primeira vez o terceiro álbum de estúdio “Relaxer”, bem como fugir pela primeira vez aos extensos e barulhentos festivais portugueses. Desta vez seria só alt-J e o seu fiel público, sem complicações.

E anteceder este selo de qualidade não era, à partida, tarefa fácil. O pavilhão ficou com meia casa: o segundo balcão completamente vazio, o primeiro com muitas cadeiras por ocupar e só a plateia dava ares de estar completamente repleta para receber o espetáculo dos alt-J. Conduzir todo aquele público fraturado num registo uníssono era o grande objectivo da banda inglesa que não desapontou mal chegou ao palco, batiam as 21h45.

Mas primeiro, às 20h30, a belíssima jovem de 25 anos,  Marika Hackman, subiu a palco para abrir as hostes. A cantora inglesa reproduziu na sua voz melancólica, 45 minutos de música naquela que foi a sua primeira passagem por Portugal. Grande parte do público ainda estava para chegar e o que já ocupava a Altice Arena só ansiava por ver os três músicos de Leeds em acção.

Certo é que depois do intervalo entre bandas, e uma ou outra cerveja para matar a sede para ouvir um dos melhores indie-rock da actualidade, as luzes lá voltaram ao palco principal e começaram a ecoar-se os primeiros versos de “Pleader”, o último single do terceiro álbum de estúdio “Relaxer”. Os alt-J começaram assim o seu concerto. A partir daqui foi sempre em crescente: a banda conjugou os maiores êxitos “Fitzpleasure”, “Something Good”, “In Cold Blood” ou “Tessellate”com músicas não tão conhecidas do grande público como “Nara” ou “The Gospel of John Hurt”. Ao fim de todas estas músicas, o público estava completamente conquistado, não só devido à excelente acústica do vocalista Joe Newman como da ligação do som à imagem, com excelentes efeitos visuais em diferentes músicas. Ali já não havia plateia ou primeiro balcão. Havia uma ligação forte à boa música que os alt-J estavam a entregar aos portugueses.

Apesar da já conhecida pouca interacção da banda inglesa com os seus fãs, existiram momentos de verdadeira coneção. “Matilda”, a balada mais famosa do trio foi ecoada por toda a Altice Arena, criando assim um grande momento de ternura e afinidade na sala. A partir daqui mais uns quantos êxitos mais dançáveis como “Hunger of The Pine” e “Left Hand Free”. Com um público completamente rendido, os alt-J despediram-se do palco depois do tema “Taro”. As luzes apagaram-se e o trio inglês voltou para os bastidores. Começaram-se a ouvir gritos, assobios e coros a suplicar pela segunda aparição da banda e, claro está, a hipótese de ouvir o grande êxito “Breezeblocks”. Bastaram cinco minutos para a banda voltar ao palco e cantar as últimas três músicas da noite: “Intro (An Awesome Wave)”, “3WW” e “Breezeblocks”. Esta última música foi a ideal para terminar o concerto em grande estilo e com os fãs todos do lado da banda, entoando repetidamente a frase “Please don’t go, please don’t go, I love you so, I love you so”. numa mensagem que poderia muito bem ser direccionada à banda de Leeds. Já antes deste último tema, Joe Newman despediu-se do público com um “obrigado” em perfeito português e já na sua língua materna a mensagem de voltar ao nosso país o mais depressa possível.

A verdade é que eles foram, cumpriram e apesar de não conseguirem esgotar a Altice Arena em 2018, a verdade é que criou-se uma mística interessante para uma possível enchente num futuro próximo. Outra vez em registo próprio, sem aquele pó e encontrões de festivaleiros. Até porque este tipo de música merece mais que isso!