Dizem que “o que é nacional é bom” mas os Quatro e Meia são magníficos

O Coliseu do Porto já vibrava muito antes do apagar das luzes que anuncia o começo de qualquer concerto. E numa sala a rebentar pelas costuras, enchi-me de orgulho ao constatar que quem diz que nós (portugueses) não sabemos valorizar o que é nosso, está redondamente enganado. E assim foi, numa noite fria e chuvosa de novembro, que descobri quem são os Quatro e Meia.

As luzes apagam-se e o público entra em êxtase total. A energia vibrante está ao rubro. Assobios, palmas, euforia e muito mais numa sala que ainda se encontra às escuras. E todos expectantes aguardam o começo daquele que se revelou ser muito mais que um concerto e sim, um espetáculo com um misto de teatro e projeção multimédia.

© Teresa Mesquita

Num momento único e nunca antes visto no Coliseu do Porto, o baterista entra na plateia de mota, isso mesmo, mota. Pouco depois, ouve-se um helicóptero e as luzes azuis e vermelhas da polícia, anunciam a banda, que entra em palco através de um buraco que eles mesmos, abrem na “parede”, vestidos de macacão avermelhado e com máscaras a tapar a cara. Um momento muito singular e digno de registo. Após a simulação da sua captura pelas “forças policiais”, dão início ao concerto. Pessoalmente não conhecia os Quatro e Meia, mas fiquei logo surpreendida com a entrada que marcou pela diferença. Depois disso, e após as duas horas que se seguiram, percebi que se justificava a sala cheia.

© Teresa Mesquita

Para mim foi toda uma nova experiência e que fica difícil transpor para palavras, o que se viu e sentiu esta noite. Rendi-me e posso mesmo afirmar que foi amor à primeira vista, por uma banda de meninos que parecem vestidinhos para a missa de domingo, de cabelinho penteadinho pela mamã, mas charme não lhes falta. Carismáticos e super divertidos, não há um que se destaque. São mesmo um todo que se completa maravilhosamente, principalmente quando tocam e cantam o seu repertório.

© Teresa Mesquita

Fizeram-me viajar. Tanto com a sua sonoridade, como com as letras saudosistas e românticas a lembrar as milhentas cartas de amor que muitos de nós (de uma outra época) escrevemos e recebemos. No tempo em que ainda se escreviam cartas de amor. Daquelas em folhas de linhas retiradas de um caderno e com as eternas canetas bic, que também serviam para enrolar as fitas das cassetes perdidas no tempo das cartas de amor. Sim, os Quatro e Meia fazem-nos viajar de uma forma encantadora.

© Teresa Mesquita

Convidar o Miguel Araújo para partilhar um pouco do seu tempo, bem como da sua magia, em palco, foi a cereja no topo do bolo e assim se passou o tempo, sem que desse conta. Inacreditavelmente, o concerto acabou com uma ovação e um “bis” tão magníficos que o concerto se prolongou por mais umas quantas músicas. Músicas que o público ouviu e acompanhou, sempre de pé. Uns aos pulos, outros a bater palmas, alguns até mesmo a dançar. Se tivesse que resumir o concerto e a banda que desconhecia numa só palavra, só me ocorre… APAIXONANTE.

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