duro

Duro – O Encerrar do Capítulo Discográfico

Duro – O Encerrar do Capítulo Discográfico

Redação
Redação
A Imagem do Som é um dos órgãos de comunicação social mais antigos do panorama musical português. Existimos para vos trazer toda a informação musical, dentro e fora do território nacional.

Os 40 anos dos Xutos & Pontapés são assinalados com um novo trabalho discográfico, ainda pensado e realizado (em grande parte) com o icónico fundador da banda, Zé Pedro. Este, nas últimas entrevistas que deu, dizia que “seria o melhor disco da carreira. Duro dá sequência a Puro, num conceito de Puro & Duro. Será que os objectivos foram concretizados?

Alinhamento do disco:

  1. Duro
  2. Alepo
  3. Fim do Mundo
  4. Mar de Outono
  5. Espanta-Espíritos
  6. Duelo ao Sol
  7. Às Vezes
  8. Sementes do Impossível
  9. Imprevistos

Classificação do disco: 7/10

Tiramos o disco do plástico e surgem as primeiras desilusões. Não existe making of nem a típica faixa bónus dos últimos discos. A brochura que acompanha o disco não acompanha o padrão das últimas, especialmente da do Puro. Notamos um vínculo infinito ao trabalho gasto e desactualizado de Rita Carmo, com uma quantidade exagerada de fotos do colectivo junto. Apenas o baterista Kalu é que faz um breve agradecimento, num documento que tende a esquecer (e mal) Zé Pedro.

Para a maior banda do panorama nacional, uma análise em grande. Façamo-la então faixa-a-faixa.

Duro – O disco abre com a sonoridade que caracteriza esta data redonda da banda. Uma música muito muito forte, com a guitarra de Zé Pedro sincronizada na perfeição na de João Cabeleira, num trabalho completado e complementado com uma letra soberba de Tim.

Alepo – Segue a linha da primeira faixa. Foi o primeiro esboço a ser revelado, em Janeiro de 2017. A gravação beneficia do facto da música ter tido rodagem na estrada.

Fim do Mundo – A primeira faixa feita e revelada após o falecimento de Zé Pedro. Uma música poderosa, com uma letra profunda, mas que, após o refrão termina de forma estranha e súbita. Sentimos ali falta de um solo de João Cabeleira.

Mar de Outono – Us and Them na versão portuguesa. Sendo o original bom, a réplica não pode ser má. Esta música inspirada numa dos Pink Floyd serviu de single de apresentação do trabalho, num videoclip que não faz jus à grandiosidade dos Xutos & Pontapés. A realização ficou aquém do que era expectável.

Espanta-Espíritos – Faixa que conta com a composição de Zé Pedro, embora não tenha sido incluída na versão final por ser “muito de ensaio”. Uma música forte, orelhuda, com o refrão a pertencer… A João Cabeleira.

Duelo ao Sol – Conta com a participação de Carlão. Produzida por Fred Ferreira (informação omissa na brochura) para o filme Linhas de Sangue. Não se enquadra nem com o conceito do disco, nem com as restantes faixas. Arrisca-se a ficar com o cognome de “Faixa para encher”.

Às Vezes – Faixa de registo acústico. Desde Gota-a-Gota (do disco Mundo ao Contrário, 2004) que não havia tal. Uma letra bonita mas onde existem falhas na concretização e na mistura. Num disco que se quer duro, esta faixa tem somente laivos de puro…

Sementes do Impossível – Fecha o filme Índice Médio de Felicidade. Apesar disso, a mensagem da letra encaixa no conceito deste disco. A música está algo lenta, mas não há como apontar o dedo à banda, somente tirar o chapéu. A música abre com um riff de Zé Pedro, que gravou este registo sem falhas, numa altura em que o seu estado de saúde era já muito débil.

Imprevistos – Encerra o disco e conta com a participação de Capicua e Jorge Palma. Capicua falou do imprevisto de participar num disco da banda de Tim e Kalu, enquanto Jorge Palma fez o seu story telling sobre um episódio com um touro nos Açores. Há falta de faixa bónus, podemos ser simpáticos e considerar esta a faixa bónus do disco.

No geral, é um bom registo discográfico. Não é o melhor disco da banda, nem poderá ser considerado um disco Puro & Duro. Tem pequenas falhas, algumas, imperceptíveis. A mistura do disco é estranha. Falta, pelo menos, mais um tema aguerrido para tornar concretizado o conceito de um disco duro. Poderá a banda de Tim entrar de novo em estúdio, para um trabalho totalmente sem Zé Pedro? Poder pode, mas é francamente difícil. Por isso, se este for o encerrar do capítulo discográfico, o público não pode ficar desapontado. Duro, Alepo e Espanta-Espíritos são faixas de grande nível.

Obrigado Zé Pedro. Obrigado Gui. Obrigado Kalu. Obrigado Tim. Obrigado João Cabeleira. Obrigado, Xutos & Pontapés!

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