Ed Sheeran Goleia em Lisboa

Aquando do lançamento de Divide, em 2017, Ed Sheeran prometera passar por Portugal. E assim o fez. A iniciar na Europa a recta final da Tour que leva na estrada há mais de dois anos, o músico britânico trouxe consigo Ben Kweller, Zara Larsson e James Bay.
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Ben Kweller, nome desconhecido não só para o público em geral mas também para quem anda nestas lides, aproveitou esta recta final da Divide Tour para se estrear em estádios no passado mês de Maio. Ainda a apalpar terreno, o músico que tem como ídolo Nils Lofgreen (mítico guitarrista da E Street Band) não captou de forma eficaz a atenção e a casa de que dispunha.

© Teresa Mesquita

Ben Kweller – Galeria Completa

Já Zara Larsson conquistou o apreço do público que ia enchendo, a par e passo, o Estádio da Luz pelo segundo dia consecutivo. A sueca de 21 anos ousou deixar de fora o seu mais recente single, ‘Don’t Worry About Me’ mas captou a atenção do público com ‘This One’s For You’, canção-hino do Campeonato Europeu de Futebol de 2016… Que a nossa Selecção Nacional venceu.

© Teresa Mesquita

Zara Larsson – Galeria Completa

Por fim, James Bay mostrou que três artistas de suporte é exagerado. A fila dos habituais comes e bebes fizeram-se sentir em grande massa. No entanto, sendo dos três o mais conhecido, conseguiu inverter a situação, utilizando os seus temas mais conhecidos, nomeadamente o seu maior êxito, ‘Hold Back The River’. Bárbara Correia disse que “James Bay, apesar de ser mais calmo que Zara Larsson (que primou pela sua voz e pelo espectáculo em si), nas músicas mais conhecidas conseguiu captar a atenção do público”. Já Mariana Craveiro confessou-se “surpreendida pelo espectáculo de James Bay, embora tenha apreciado imenso a presença em palco da Zara Larsson, especialmente das bailarinas. Pagar para ver Ed Sheeran e ser presentada com dois bons espectáculos antes é sempre agradável”, rematou.

© Teresa Mesquita

James Bay – Galeria Completa

Numa demonstração das suas raízes inglesas, Ed Sheeran iniciou os acordes de ‘Castle on the Hill’ faltavam dois minutos para as 21h. O público recebeu o músico numa apoteose impressionante. ‘The A Team’ surgiu logo à terceira música, tendo sido o primeiro momento intimista entre músico e público. Afinal, estamos a falar do 1º single de Ed, que a tocou… pela 615ª vez! “Não abdico de a tocar”, confessou o músico.

Num alinhamento maioritariamente composto por músicas de Divide, ‘Don’t/New Man’ o britânico mostra ser um homem dos sete-instrumentos do século XXI, usando os loops que tinha à disposição de forma perfeita. Parece tão fácil. Afinal foi ontem que os Queen passaram semanas a gravar manualmente as vozes para ‘Bohemian Rhapsody’ para diversas fitas, não foi?

© Teresa Mesquita

De seguida, as luzes reduzem-se ao mínimo indispensável para ‘Dive’, que foi totalmente iluminada através das lanternas dos telemóveis do público. E aqui há espaço para uma pequena reflexão: um homem apenas em palco, com as suas guitarras acústicas, proporciona quer momentos em puro pop quer em puro ambiente acústico. Com total aceitação e até entusiasmo do público. Incrível, não é?

Houve espaço para o seu novo single, ‘I Don’t Care’, e para um espectáculo pirotécnico de cortar a respiração em ‘Galway Girl’ à hora de concerto. E curiosamente, pela primeira vez, Ed Sheeran não parou para trocar de instrumento, situação que se verificou apenas mais duas vezes (a paragem entre músicas é, de facto, um dos problemas de um one-man-show). Quem pensou que estava ali o momento da noite, enganou-se redondamente. “A energia aumentou imenso a partir da Galway Girl porque a partir dessa foram só praticamente músicas mais conhecidas pelos presentes que estavam mesmo todos a cantar, eufóricos e felizes”, constatou Bárbara. E contra factos, não há argumentos.

© Teresa Mesquita

“Foi apenas o aquecimento. Vamos ao concerto a sério”, atirou o inglês. E tinha razão. Seguiram-se ‘Thinking Out Loud’ (única música tocada com guitarra eléctrica), ‘Photograph’ (cujo acompanhamento visual foi de vir às lágrimas) e ‘Perfect’. Trio explosivo. Houve de tudo: beijos, abraços, choros, milhões de palmas e, sobretudo, 60 mil pessoas em plena sintonia vocal e espiritual com o músico. Um pouco como Bruce Springsteen consegue fazer nos seus concertos. De facto, a musicalidade, os curtos story tellings e o estrelato que Ed começa verdadeiramente a deter seriam perfeitas para uma residência na Broadway como Bruce fez recentemente.

‘Sing’ fechou o alinhamento, com o público entoando “Oh sing” já com o palco vazio. Havia fome por mais um par de músicas. E pelos vistos, o desejo era mútuo.
Ed Sheeran não é nenhum animal de palco. Longe disso. Por razões óbvias. Mas à entrada do encore o jogo já estava ganho. Restava saber se havia goleada. Tirando o máximo partido dos loops, o músico soltou-se e andou um pouco por todo o palco, extraindo a pouca energia que ainda restava entre o público heterogéneo. O espectáculo de pirotecnia que o acompanhou em ‘Shape of You’ e ‘You Need Me, I Don’t Need You’ corroboraram, de vez, a goleada. “Adorei o concerto todo, ele é super simples mas proporcionou um alto espectáculo sozinho. Achava que ele era bastante tímido mas não, surpreendeu-me imenso, fartou-se de interagir com o público, inclusivamente com desabafos e histórias suas!”, finalizou Bárbara. “Sentiu-se que Ed Sheeran estava a viver intensamente o concerto e isso tocou no coração de cada um dos presentes”, acrescentou Mariana.

© Teresa Mesquita

Um espectáculo one-man-show tem as suas vantagens. Fácil de transportar e montar em qualquer lado. Claro que, em arenas abertas, a acústica nem sempre é perfeita. E o Estádio da Luz e Ed Sheeran acusaram isso por vezes. Seria interessante ver o inglês em formato full-band. Mas na equipa que ganha não se mexe. E Ed Sheeran goleou. Não fosse ele estar vestido com a camisola da Selecção Nacional no final da sua actuação.

Ed Sheeran – Galeria Completa

 

Alinhamento:
Castle on the Hill
Eraser
The A Team
Don’t/New Man
Dive
Bloodstream
I Don’t Care
Tenerife Sea
All of the Stars/Hearts Don’t Break Around Here/Kiss Me/ Give Me Love
Galway Girl
Poor Wayfaring/I See Fire
Thinking Out Loud
Photograph
Perfect
Nancy Mulligan
Sing

Shape Of You
You Need Me, I Don’t Need You

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