Em dia de derrota no futebol, a vitória na música, foi dos Pain of Salvation

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Os fãs de futebol e dos Pain of Salvation tiveram uma razão para ter um dia feliz no dia do desaire que colocou Portugal fora do mundial.

Texto: Mário Rodrigues | Fotografia: João Moura

Depois da desilusão que foi a eliminação portuguesa, os fãs da famosa banda sueca deslocaram-se em massa ao RCA Club, em Lisboa, e depois de uma derrota ficaram a ganhar. Enquanto o futebol deu-lhes razões para 30 de junho ser um dia a não recordar, a banda de Daniel Gildenlöw concedeu aos seus seguidores uma noite memorável.

O concerto de abertura, a cargo dos Forgotten Suns, começou pelas 22:00, um bom horário que permitiu à banda portuguesa tocar para uma sala de espetáculos já cheia, depois de todos os que viram o jogo de Portugal se terem podido deslocar atempadamente ao recinto. O quinteto lisboeta, a jogar em casa, demonstrou desde o início que não podia ter havido melhor escolha para tocar antes dos Pain of Salvation. A sonoridade claramente prog metal da banda agradou o público que a ovacionou muito durante o final das músicas. Quando Nio Nunes afirmou aos espectadores que faltavam apenas duas músicas para o término da atuação, um dos presentes interrogou, “só?”, o que reflete de certa forma o pensamento de grande parte dos presentes, de que aquele estava a ser um ótimo concerto. Os cerca de três quartos de hora de concerto terminaram com “When Worlds Collide”, faixa de 15 minutos que dá título ao seu mais recente álbum e a pesada “Doppelgänger”, primeiro tema do EP “Revelations”, duas músicas que terminaram em bom plano uma performance imaculada por parte do grupo nacional. É importante referir que o vocalista revelou que a banda encontra-se a preparar um álbum de versões singles dos seus temas. Fiquem atentos.

Os Pain of Salvation iniciaram a sua atuação de quase duas horas de duração com “Full Throttle Tribe”, com o público a cantar e a aplaudir bastante, mostrando uma impressionante reação a uma primeira música. Seguiu-se “Reasons” e a atitude dos presentes foi idêntica à do primeiro tema. Numa arrepiante performance de “Meaningless”, ficou bem patente que os espectadores estavam mais do que conquistados, ao protagonizarem uma gigantesca salva de palmas, como se de um final de concerto se tratasse.

Daniel Gildenlöw encorajou os fãs a gritarem bem alto no início de uma perfeita “Linoleum” e estes corresponderam ao apelo do músico. Depois, o quinteto sueco levou os presentes ao ano de 2002 com “Rope Ends” e os segundos demonstraram que eram uma espécie de sexto elemento da banda neste concerto, ao acompanharem vocalmente as palavras de Gildenlöw. Os fãs demonstraram que são apaixonados pela música dos Pain of Salvation e fiéis à mesma ao terem comparecido em grande número e se terem entregue desta maneira. É relevante referir que a banda também fez por isso com uma incrível performance.

“Beyond the Pale” acentuou a ideia de que estávamos perante aqueles poucos concertos inesquecíveis, ao ser tocada com tamanha paixão. Com “Kingdom of Loss”, a banda revisitou o álbum de 2007, “Scarsick”, com Daniel Gildenlöw a demonstrar uma grande forma a nível vocal, tendo tocado apenas na sua guitarra no final do tema. A banda efetuou a uma performance poderosa da velhinha “Inside Out”, que não é tocada pela banda habitualmente e o público correspondeu com headbanging. Depois de uma faixa menos utilizada pela banda ao vivo, seguiu-se aquela que é provavelmente a mais tocada, a obrigatória “Ashes”, com uma prestação arrepiante por parte dos suecos.

O líder dos Pain of Salvation afirmou que faltavam apenas duas músicas para o final e que a banda esperava regressar em breve. A performance cheia de feeling da curta balada “Silent Gold”, conquistou aplausos e gritos por parte do público e “On a Tuesday” continuou a apresentar o mais recente trabalho da banda, com muito headbanging por parte do público, nas secções mais pesadas do tema. Até deu tempo para o baterista mostrar os seus dotes vocais na parte final, tendo sido ovacionado pelos fãs do quinteto.

A banda saiu do palco mas afinal de contas ao contário do que foi dito anteriormente por Daniel Gildenlöw, não faltavam só dois temas mas sim quatro. Os suecos regressaram para tocar “Inside”, com o frontman do grupo a apresentar-se sem guitarra e a poder entregar-se de corpo e alma à prestação vocal e terminaram com uma grande música, literalmente, falamos de “The Passing Light of Day”, a faixa mais longa do mais recente álbum e que dá nome ao mesmo. Este afirmou-se como mais um belíssimo momento no qual a toda a banda cantou o refrão, bem acompanhados por um público incansável, o qual foi parte integrante de uma noite para mais tarde recordar.

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