Fatboy Slim no Panorâmico de Monsanto? Tudo é possível no Festival Iminente – Dia 1

Sim, foi mesmo ali em cima que Fatboy Slim atuou de surpresa. Conan Osiris, Bonga e Papillon foram outros dos artistas em destaque no primeiro dia de Festival Iminente.

Mais um ano, mais uma edição de Festival Iminente: a festa alternativa que privilegia a multiculturalidade musical e todas as artes urbanas. E com esta premissa, o festival decidiu abandonar Oeiras e viver o templo máximo lisboeta a envolver a arte urbana: o agora Miradouro de Monsanto, antigo Restaurante Panorâmico.

Assim que chegamos ao festival, já se ouvia a primeira música do excêntrico Conan Osiris, “Borrego”. O dia estava esgotado mas, às 17 horas, ainda estava meia casa pelo que foi fácil escolher um bom local para assistir ao concerto, no Palco Outdoor. O público ia vibrando a cada som, as batidas frenéticas entravam pelo corpo de Conan e especialmente do seu dançarino. Conan, entre músicas, aproveitava para colocar as pessoas a dançar, incentivando-as com algumas asneiras à mistura. Claro que no final não faltaram os hits “Celulite” e “Adoro Bolos”.

Depois aproveitamos para conhecer um pouco mais deste festival, ali por dentro do Panorâmico. Destaque para a criação de uma obra na parede do próprio criador do festival: Vhils. O artista português mais reconhecido na cena da street art fez uma obra que é uma homenagem à brasileira Marielle Franco, numa parceria com a Amnistia Internacional.

© Rui de Sousa

Volvidos ao palco principal, assistimos ao trio de baterias Bateu Matou. Com uma escolha musical até mais comercial como Britney Spears ou o tema “El Taxi”, talvez não tão a gosto daquele tipo de público, os Bateu Matou conseguiram conquistar todos os que ali estavam por darem a sua própria batida com as baquetas. Todas aquelas músicas ditas comerciais ficaram bem mais ritmadas e dançáveis.

Mais tarde, também no Palco Outdoor, Bonga deu um concerto à sua imagem: ritmos quentes africanos, vividos pela sua boa disposição e sentido de humor, onde não faltaram os grandes temas como “Mariquinha, vem comigo para Angola”, a música mais cantada e que mais telemóveis se viram a gravar.

Já à noite, deslocamo-nos pela primeira vez à sala secundária: o Palco Cave. A nova coqueluche do rap, Papillon, tinha ali um espaço pequeno mas muito perto dos fãs para sentir toda a vibe do concerto. Foi tudo isso que aconteceu quando cantou os temas do seu primeiro álbum de originais “Deepak Looper”. Quem é fã de Papillon ainda ficou mais feliz quando percebeu que Slow J (que fazia anos) também ali estava. Fez questão de o acompanhar na música “Imbecis/Íman”, com uma batida agressiva e bem acompanhada por todo o público. A própria guitarra elétrica e a bateria deram todo uma nova maneira de ver esta nova geração de rap. E Papillon está na linha da frente.

A loucura e imprevisibilidade deste festival trouxe o mítico Fatboy Slim a rodar uns discos num dos topos do Panorâmico. Um concerto surpresa preparado pelo Festival Iminente, que deixou todos aqueles que apreciam eletrónica em completo êxtase. Era praticamente meia noite quando o DJ começou a passar os seus sons, muitos deles já com mais de duas décadas. Boa nostalgia, bom espetáculo onde não faltaram temas como “Weapon Of Choice” ou “Right Here, Right Now”.

© Rui de Sousa

O primeiro dia do festival foi causado pela imprevisibilidade. O segundo dia reserva também grandes nomes, com destaque para o concerto de Valete às 20h, no Palco Outdoor.