First Breath After Coma: de Leiria para o mundo

A banda leiriense apresentou o seu novo álbum NU no Estúdio Time Out
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O encontro estava marcado para as 21h30 e pouco a pouco começa uma pequena multidão com copos de vinho e cervejas na mão a aproximar-se do palco que iria receber First Breath After Coma. Meia hora depois a banda entra em cena para apresentar ao público o seu novo álbum. NU, o terceiro disco dos leirienses, depois de The Misadventures of Anthony Knivet (2013) e Drifter (2015), inclui uma parte visual em que as oito faixas correspondem a oito atos diferentes e no final culmina num filme de cerca de 40 minutos que conta uma história sobre o nascimento, a vida e a morte, expondo “a fragilidade do ser humano, os seus maiores medos e forças”.

© Joana Ruth

No Estúdio Time Out, os First Breath After Coma começam por contar essa história a um público que já parecia saber as letras do início ao fim, com The Upsetters, Howling For A Chance e Change. Depois de uma introdução ao álbum lançado no início deste mês, é altura de regressar “às mais antigas”, com Apnea de The Misadventures of Anthony Knivet e Nagmani de Drifter.

Antes de voltarmos a ouvir dois temas de NU, Roberto Caetano, um dos integrantes da banda, explica que este álbum nasceu de um processo diferente. Em vez de se deslocarem até ao estúdio e gravarem, decidiram levar o estúdio até si e reconstruiram uma casa onde moraram todos juntos durante a gravação do álbum. Desta forma, “cada um deu um cunho muito pessoal a cada música”, como é o caso do Please, Don’t Leave e Uneasy.

© Joana Ruth

Apesar da noite ser dedicada a NU, não faltaram músicas de Drifter, que esteve nomeado para o prémio de Álbum do Ano da IMPALA (Associação de Empresas de Música Independente) em 2017. Tierra del Fuego: La Mar e Tierra del Fuego: Nisshin Maru contam a história de um barco japonês clandestino que caçava baleias e o momento em que as baleias se unem para destruir essa ameaça, e neste concerto protagonizaram um dos momentos mais aplaudidos da noite com o seu instrumental excecional. Segue-se Salty Eyes com o público a cantar em uníssono.

Para a (primeira) despedida, deixam-nos com Heavy, o primeiro single de NU lançado no final do ano passado. Poucos minutos depois voltam a pisar o palco para terminarem de nos mostrar o novo álbum. Rui Gaspar foi o responsável pelo momento mais bonito e intimista do concerto ao interpretar I Don’t Want Nobody, um tema da sua autoria em que todos os presentes na sala se calaram para o ouvir. De seguida, ouvia-se Feathers and Wax, o único tema que faltava ouvir de NU, e aquela noite em que os First Breath After Coma mostraram aos lisboetas que são uma banda que sabe o que anda a fazer parecia ter acabado. No entanto, para o segundo encore presentearam a plateia com Blup, uma música que, segundo Roberto, “não estava para ser”, mas que fez as delícias de todos.

© Joana Ruth

Os First Breath After Coma são a prova viva de que os jovens são capazes de produzir boa música em Portugal. São mesmo como um primeiro respiro depois de um coma, uma lufada de ar fresco, cheios de vontade de crescer e inovar e sem medos de ser diferentes. Aliás, que primam por essa diferença mesmo.

A digressão de apresentação de NU começou “em casa” (Leiria) e irá passar pelo Porto e Coimbra. Depois de terras lusitanas, têm concertos marcados em mais de 20 cidades europeias.

First Breath After Coma – galeria completa AQUI

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