Hozier não é só feito de “uma ida à igreja”

O Coliseu dos Recreios foi o local escolhido para o pontapé de saída da digressão europeia de Hozier.

Hozier escolheu Lisboa para começar a sua digressão pela Europa e trouxe consigo uma das maiores surpresas da noite: Suzanne Santo. As pessoas, que pouco a pouco iam ocupando as cadeiras do Coliseu dos Recreios, provavelmente não estavam familiarizadas com este nome da música norte-americana. Mas ao longo das seis músicas que cantou na primeira parte do concerto, Suzanne Santo conseguiu conquistar todos os presentes com o seu timbre e a sua boa disposição e até recebeu uma ovação em pé no momento da sua despedida.

Uma hora depois, chegou a vez de Hozier pisar o palco. Passaram-se quase três anos desde que o cantor irlandês se estreou no nosso país. As expectativas da plateia eram altas. 

© Nuno Conceição (Everything is New)

A setlist do concerto foi maioritariamente composta por temas do seu primeiro álbum homónimo, lançado em 2014, e do seu recente EP Nina Cried Power, de setembro deste ano. Curiosamente, Hozier começou com Like Real People Do, a mesma música que deu início ao concerto de 2016. Seguiu-se Nina Cried Power e ninguém conseguiu ficar indiferente a uma das mais recentes e poderosas músicas do cantor.

Voltamos aos clássicos com Jackie and Wilson, From Eden e Angel of Small Death & The Codeine Scene, onde Suzanne Santo volta a dar nas vistas com um solo de violino. Foi no fim de muitos gritos, palmas e obrigados que Hozier finalmente interagiu com o público, pedindo aos presentes que mostrassem os seus dotes musicais em uníssono. Não correu mal, mas não ficou à altura do cantor em To Be Alone ou em NFWMB (Nothing Fucks With My Baby).

© Nuno Conceição (Everything is New)

O momento mais bonito e intimista da noite aconteceu quando Hozier ficou sozinho em palco apenas acompanhado pela sua guitarra e nos cantou uma das músicas mais especiais para si – Cherry Wine.

A banda regressou para nos mostrar mais algumas músicas nunca ouvidas ao vivo pelo público português, Shrike, Moment’s Silence (Commom Tongue) e Movement, um tema que ainda não foi lançado e só foi tocado para alguns públicos.

© Nuno Conceição (Everything is New)

Someone New e Take Me To Church protagonizaram os momentos mais altos de todo o concerto. Ouviam-se gritos de apoio a Hozier cada vez que fazia uma pausa entre palavras e as letras cantadas pela plateia ecoavam em todo o Coliseu. Para o encore, abraçou a bandeira de Portugal e cantou um cover de Say My Name das Destiny’s Child, para surpresa de todos os presentes, e despediu-se com Work Song.

Com um instrumental perfeito, as influências gospel ao longo de todo o concerto e a sua presença em palco, Hozier provou que a sua carreira não se deve apenas a Take Me To Church e há todo um novo trabalho recheado de tesouros para descobrir.