Iminente: um festival unido pela multiculturalidade – Dia 3

Carlão, Sara Tavares e Gisela João cantaram estilos diferentes mas juntaram-se por inteiro no Festival da Arte Urbana, o Iminente

O último dia de Festival Iminente, apesar de ter os nomes musicais mais consolidados de todo o festival foi o único dia que não conseguiu esgotar bilhetes (4500). Mesmo assim, o Panorâmico de Monsanto estava com uma casa muito bem composta. Como no sábado abusamos pela noite dentro (domingo foi mais difícil para sair da cama e consequentemente mais complicado para chegar a horas).

Passava pouco das 17h quando o shuttle oriundo da Ajuda nos levou à porta do Festival Iminente. Todas as apresentações e mais algumas estavam feitas desde os dois dias anteriores, por isso corremos para os espectáculos. O primeiro que a Imagem do Som teve oportunidade de assistir, realizou-se no Palco Cave.

Lá, com meia casa, estava Napoleão Mira no palco a declamar poemas, com um som misturado pelo DJ a dar ainda mais força às palavras do artista. Napoleão é pai de Samuel. Samuel Mira, o rapper. Sam The Kid, como é conhecido no mundo artístico. Aqui, as rimas não tinham tanta fluência como as do filho mas as palavras eram mais intrusivas saltando cada uma para os corpos atentos.

Com o fim do espectáculo e mais uma volta pelo Panorâmico (não nos esquecêssemos de ter visto alguma coisa que nos tivesse escapado), Carlão começava a trautear a sua primeira música. Vimos tudo do sítio mais alto do Panorâmico, aliás o mesmo local onde Fatboy Slim atuou de surpresa, na sexta-feira.

O antigo vocalista dos Da Weasel mostrou uma grande vibe e deu ao público aquilo que ele queria ouvir. Os hits “Viver Para Sempre” ou “Os Tais” não faltaram a um reportório que aproveitou para dar a conhecer novas músicas do novo álbum “Entretenimento?”. Pelo meio, ainda pediu justiça a Marielle Franco, a ativista assassinada no Brasil e que mereceu uma obra do escultor Vhils, ali no próprio Panorâmico.

© Joana Pereira

Carlão – galeria completa AQUI

Assistimos novamente ao recital de poemas da belíssima Sónia Balacó e a uma battle de breakdance de um grupo de dançarinos, voltámos ao Cave, desta vez para assistir aos ritmos vibrantes e dançantes da também bela Sequin. A casa, essa estava mais composta que no concerto de Napoleão Mira e claro, muito mais ritmado!

Acabado o concerto, Sara Tavares já ia dando um pouco de africanalidade a um público que vinha de sítios, culturas e de gostos diferentes mas pessoas que gostavam de assimilar cada nota e cada peça de arte em seu redor. A artista luso cabo-verdiana tocou “Coisas Bunitas” e tantas outras que fazem dela a nova rainha do soul africano.

© Joana Pereira

Sara Tavares – galeria completa AQUI

Ainda com o concerto a decorrer, no Palco Cave os Farra Fanfarra davam toda uma nova musicalidade àquele dia. Os instrumentos de sopro fizeram-se ouvir a alto e bom som, juntamente com interpretações de músicas bem conhecidas do público. Ali está, como o nome indica, a verdadeira fanfarra festiva.

© Joana Pereira

Farra Fanfarra – galeria completa AQUI

Para fechar a noite e o Festival Iminente, ouviu-se fado. O fado da barcelense Gisela João encanta a cada nota, sempre bem acompanhada pelos seus três músicos com as guitarras portuguesas bem afinadas. A sinceridade e o amor com que Gisela se entregou fez com que, mesmo aqueles que não apreciam o género musical, sentissem, de alguma forma, uma proximidade com a artista. Agradeceu, chorou, contou o lado bom da vida. Deu para tudo. Até para aparecer Samuel Úria como convidado surpresa e cantar em dueto o tema do artista de Tondela, “Lenço Enxuto”.

© Joana Pereira

Gisela João – galeria completa AQUI

Foi uma excelente forma de terminar um festival que promoveu as artes performativas, fossem elas música, street art ou o puro caminho da multiculturalidade, onde há espaço para todos. E em Monsanto estavam todos para o mesmo! Até para o ano.