Imogen Heap: música na palma da mão

A britânica Imogen Heap regressou a Portugal, oito anos depois da última passagem por Lisboa. Agora no Capitólio, trouxe a mais recente Mycelia World Tour com a companhia de Guy Sigsworth.

Guitar Song, tema nunca lançado oficialmente, foi como que uma pequena amostra da confiança que Imogen Heap tem para com o público que assiste aos seus espetáculos. Bem humorada e sempre alegre, a noite adivinhava-se, no mínimo, especial. Introduzida a banda, chega a altura de testar as suas companheiras, as Mi.Mu Gloves.

Depois Entanglement, do álbum mais recente “Sparks” (2014), e antes de Breathe In, tema do projeto Frou Frou, Imogen apresenta o instrumento que veste e tanta curiosidade desperta. As luvas – provavelmente as mais particulares do mundo da música – conseguem gravar vozes, criar loops e tocar instrumentos ligados a um computador. Parece complicado (e é) mas Imogen, a sua criadora, assume todos os movimentos e gestos como componente da performance. Cada música com uma coreografia específica para criar momentos, ritmos e singularidades que, confessa, não seria possível sem tecnologia.

© Rodrigo Vaz

Depois de uma semana em Lisboa e da passagem pela edição 2018 da Web Summit – que considerou “um mundo aparte” mas divertido – confessa o amor pela capital portuguesa e a felicidade no regresso ao nosso país. Agradece ainda ao público pela presença e segue com You Know Where To Find Me. Ausenta-se do palco com a banda e deixa as atenções para Guy Sigsworth. A solo e com o seu teclado, apresenta um Memento (For D). No regresso, Imogen demonstra a admiração pelo amigo e provoca o público com a pena que sente por ainda não terem tido oportunidade de ouvir o álbum “STET”, estreia a solo de Guy Sigsworth, com lançamento previsto para março de 2019.

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Little Bird – do álbum “Ellipse” de 2009 que lhe valeu um Grammy para Best Engineered Album, Non-Classical – leva a sala numa viagem nas asas da voz cristalina e robótica da cantora. O tema rock dos Frou Frou, Close Up, introduz a bateria robótica controlada por Imogen através das suas luvas. Momento de desgaste físico confessado pela intérprete mas que elevou o ambiente da plateia a novos extremos. Para respirar, aparece The Moment I Said It, apenas ao piano e sem banda, seguido de um intervalo de 20 minutos.

Com as luzes a criarem de novo o ambiente intimista, Imogen surge através do público, com o monólogo falado do tema Neglected Space. Uma conversa musical cara a cara com o Capitólio e com o mundo.

Em tour desde setembro, Imogen não transporta roupa de espetáculos: “temos muitos instrumentos e matérias para levar nas viagens”. Por essa razão, opta por vestir designers locais e escolheu Alexandra Moura para o vestido desta noite em Portugal.

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Continua a recorrente interação humorada com o público e apresenta Tiny Human, single de 2015 que retrata a sua experiência como mãe, e Let Go, tema que catapultou os Frou Frou para a fama, ainda que por pouco tempo. Guy Sigsworth volta ao seu solo com a oriental Nirai Kanai, que antecipava um dos momentos de maior empatia com a plateia: Goodnight and Go e Hide and Seek, os dois temas mais conhecidos de Imogen Heap. Com encore anunciado e a menção ao mais recente trabalho de composição na peça Harry Potter and the Cursed Child, em Londres, chegam Only Got One e a etérea Shurayo, que fará parte do trabalho de Sigsworth.

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Imogen Heap pode não ser um dos nomes mais conhecidos do grande público mas a sua passagem por Lisboa provou que o seu papel na indústria importa e vai continuar a deixar marcas. Apesar do evitável e longo intervalo, a britânica sabe como ninguém dar uso ao seu peculiar instrumento vocal e às tecnologias que a acompanham e caracterizam. Imogen tem o mundo e a música na palma das mãos.

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