Invicta canta Resistência alto e bem, sem medo

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Às vezes o amor resiste, às vezes (ou sempre) nasce selvagem.

Mas antes, o supergrupo de tributo à música portuguesa dá as boas noites a uma cidade invicta chuvosa lá fora, com o tema instrumental, “Mano a Mano”. Desgarrada de guitarras entre Mário Delgado e Pedro Jóia. Tim e Fernando Cunha nem sabem para onde se devem virar, dada a agilidade e mestria dos solistas da Resistência.
Plateia em pé do Coliseu do Porto pouco composta, mas diga-se, assim foi bom à mesma: como o Fernando Cunha me confidenciou em tempos – “Resistência é um concerto para se ver de pé”!
Depois dos temas “Fado” e “No Meu Quarto”, Tim cumprimenta os casais (e solteiros) do dia 14 de Fevereiro, relatando que o tema que se seguia marcou o “início da nova era da Resistência, tenho aqui gravado no telemóvel, eu, o Fernando Cunha e o Pedro Ayres, mas é mais fácil cantar-vos”. Mais fácil e melhor, seguiram e cantaram sem medo (“Vai Sem Medo”, o primeiro single do álbum “Horizonte”).
Olavo quis ver o “Porto cá em cima!” (não, não estava a falar de futebol), era um convite às palmas da plateia na canção “Cantiga de Amor”. O concerto e a gente continuou, a merecida homenagem da Resistência a um dos mais importantes autores da música portuguesa: “A Gente Vai Continuar”, de Jorge Palma. Tema que contou com as vozes do público do norte nos refrões, e estendeu a animação até “Timor”.
“Liberdade” é efetivamente um momento de libertação. As vozes, as guitarras. Tim subiu a voz em esforço, mas cantou alto e bem, sem medo.
É verdade, é dia dos namorados: Fernando Cunha dedica e assume a voz principal de uma das canções mais cantadas da noite, “Se Te Amo”, do grupo de Tomar, Quinta do Bill. No fim da canção, Tim acrescenta: “banda com grandes músicas, quem não conhece os filhos da nação?” – pergunta com resposta cantada, o Coliseu inteiro, Alexandre Frazão meteu ritmo, as guitarras acompanharam e assim se homenageou duplamente a banda de Carlos Moisés.
O concerto já vai na recta final, o público deliciado com os solos de percussão e bateria de José Salgueiro e Alexandre Frazão. Tempo ainda para Olavo Bilac nos cantar (em estreia) a versão de “Sopro do Coração” da banda de Vila do Conde, Clã. João Aguardela e Zé Pedro são dois nomes eternos do coração da música portuguesa, o concerto encerra com “A Noite” e “Não Sou o Único”.
Os músicos voltam ao palco para mais três canções de despedida. Fernando Cunha apresenta os músicos e agradece à cidade invicta, ao evento “Ás Vezes o Amor” e ao Montepio. “Reininho, se estás aí, esta é para ti” – a dedicatória de Miguel Ângelo antes de interpretar “Sete Naves” dos GNR, versão promissora a integrar o novo disco da Resistência com lançamento agendado para 2018. No fim da noite não morremos, voltamos a nascer. Selvagens, claro. Até já Resistência, obrigado.