Lana del Rey, “Chemtrails over the Country Club”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
“Chemtrails over the Country Club” conjuga as capacidades da cantora com a sua sensibilidade melancólica, oferecendo um disco notável e surpreendente na sua complexidade”.

Lana del Rey ficou mundialmente conhecida em 2012, com o álbum “Born to Die”, onde, além do tema-título, estava o hit “Video Games”. Estas canções acabaram por defini-la perante o grande público, que não se apercebeu de que a nova-iorquina não era uma estrela pop comum e que a sua música apontava em direções que tinham o indie como referência e a melancolia como estado de alma. Os álbuns seguintes confirmaram estas opções, até chegarmos a “Chemtrails over the Country Club”, sétimo disco em dez anos de carreira, se incluirmos os poemas “Violet Bent Backwards Over the Grass”. Surpreendentemente, já estava a ser escrito aquando do lançamento do anterior, “Norman Fucking Rockwell” (2019), o que comprova o quanto Lana é prolífica na arte de compor canções, o que tem a evidente contra-indicação não só de complicar o acompanhamento da sua evolução criativa, como também de deixar espreitar o perigo de escorregar para a preguiça. Somado a isto, a capa, mais uma expressão da estética retro a que se entendeu chamar de “Americana” e que a autora cultiva, fazia recordar a expressão “evolução na continuidade”. Felizmente, nenhum destes receios se confirmou.

Lana Del Rey | “Chemtrails over the Country Club” | 2021

Chemtrails…” inicia-se com “White Dress” e o solitário som dum piano, até ouvirmos Lana a sussurrar sobre as suas memórias, de quando tinha 19 anos, adorava o sol e ouvia os White Stripes. O resto da banda acaba por entrar, num registo jazzy, acompanhando o tom geral, arrastado e lastimoso. A melancolia prossegue no tema-título, com a cantora em ambivalências, ora recordando o passado, ora analisando o presente: “It’s beautiful how this deep normality settles down over me / I’m not bored or unhappy, I’m still so strange and wild”. Na canção seguinte, “Tulsa Jesus Freak”, Lana constrói uma das letras mais interessantes de “Chemtrails…”, associando uma sua relação amorosa com algo quase extra-sensorial: “You should stay real close to Jesus / Keep that bottle at your hand, my man / Find your way back to my bed again /Sing me like a Bible hymn”.

Nas duas canções seguintes, “Let me Love You” e “Wild at Heart” (com a guitarra a substituir o piano) a cantora retrata Los Angeles e a Califórnia, mas parece indiciar estar disposta a abarcar novas aventuras, provavelmente na Costa Este de onde é natural, até porque não se sente “bem” por ali: “I’m wild at heart (…) but I’m not a star”. O som muda em “Dark But Just a Game”, com a chegada duma electrónica suave, com Lana a viajar pelo Nebraska e pelo Arkansas nas canções seguintes. Mais para o final aparecem convidadas. A primeira é Nikki Lane, da “zona country”, em “Breaking up Slowly”, para voz e guitarra. Trata-se duma homenagem de Lana a algumas das songwriters que a inspiraram, nomeadamente Joan Baez, Joni Mitchell, Stevie Nicks e Courtney Love. Nesse sentido, termina com uma cover, precisamente de Joni Mitchell, “For Free”, na companhia de Weyes Blood e Zella Day, ambas mais da área indie, que se juntam a Lana del Rey ao piano.

Chemtrails…” foi escrito e produzido em parceria com Jack Antonoff, tal como acontecera no disco anterior. O líder dos fun. e dos Bleachers continua apostado em trabalhar com vozes femininas, contando com Lorde e Taylor Swift no curriculum. A verdade é que com Lana del Rey acertou em cheio, conseguindo conjugar as capacidades da cantora com a sua sensibilidade melancólica, produzindo um disco notável e surpreendente na sua complexidade.

Pedro Brás Marques

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