Leprous – O regresso brilhante a Lisboa meia década depois

O grupo baseou praticamente metade da sua performance nos temas do novo "Pitfalls", com ótimos resultados na maior parte dos casos.
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Como tempo voa! Parece que foi ontem, mas já passou meia década desde a anterior passagem dos Leprous, pela capital portuguesa. A banda esteve em Lisboa em 2015, para promover o álbum “The Congregation”, tendo depois disso, atuado em Portugal apenas no ano passado, em Tomar, no Comendatio Fest. O grupo norueguês regressou agora a Portugal para duas datas, uma no Porto (Hard Club) e outra em Lisboa, no LAV – Lisboa ao Vivo, para apresentar o seu álbum atual, o diferente “Pitfalls”. Para a abertura trouxe duas bandas de inequívoca qualidade, o que nem sempre acontece no que diz respeito a bandas de suporte.

Ainda alguns minutos antes das 21h, os Maraton começaram iniciaram o seu espetáculo, tendo abrilhantado esta noite de concertos com a sua sonoridade muito personalizada, ainda que com influências notórias de bandas como os próprios Leprous e Muse. Essas referências são perfeitamente aceitáveis, tendo em conta que o grupo ainda só tem um álbum, lançado em abril de 2019, e as semelhanças com a atração principal da noite, fizeram com que Maraton fosse um nome que encaixava que nem uma luva no cartaz. Isso confirmou-se desde os primeiros temas que a banda conterrânea dos Leprous tocou, com uma excelente recetividade por parte dos muitos presentes na sala de espetáculos lisboeta. Com uma boa presença em palco e ideias musicais acima da média, para um primeiro álbum, os Maraton deixaram uma marca positiva nesta noite, tendo seguramente ganho alguns fãs ou pelo menos curiosos por ouvir melhor a música da banda. O vocalista, além de uma boa prestação a meio do concerto foi cantar para a plateia, tendo ,estado, por uns segundos, a atuar deitado no chão.

Klone © Jorge Pereira

Bem mais contidos e sem uma proficiência técnica tão evidente como os Maraton, os Klone destacaram-se mais pelo feeling das suas músicas e da sua performance. Apesar de serem franceses, a sua sonoridade atual aproxima-se mais de uns Katatonia, Antimatter ou Anathema do que propriamente dos conterrâneos Gojira ou Hacride. Isto só para situar o espectro sonoro no qual os Klone se inserem, porque o grupo parece ser detentor de música algo própria, pese embora sem grandes rasgos de criatividade. Talvez pelo pouco atrevimento, a banda tarda em destacar-se, porque qualidade acima da média parece óbvio que tem. A performance dos Klone nesta noite foi inequivocamente de bom nível e o grupo interpretou da melhor forma os seus temas. A nível de festivais nacionais, o som deste grupo francês encaixaria perfeitamente, num qualquer cartaz do Under The Doom Fest. Vamos ver se tal se concretiza. O que é um facto é que não foi uma má adição à tour dos Leprous, pois trouxe alguma variedade ao cartaz. A reação por parte do público, essa, não foi tão efusiva como no caso da primeira banda da noite.

Maraton © Jorge Pereira

Ao contrário dos anteriores, os Leprous já são um nome firmado do rock/metal progressivo e tiveram ainda mais público, do que aquele que os recebeu há cinco anos, no RCA Club, também em Lisboa. Justificou-se a presença da banda, numa sala um pouco mais ampla, sendo que este espetáculo foi novamente digno dos pergaminhos dos noruegueses. O grupo baseou praticamente metade da sua performance nos temas do novo “Pitfalls”, com ótimos resultados na maior parte dos casos. “Bellow” e “Alleviate” têm uma sensibilidade pop ao alcance de poucos, e prometem fazer parte dos alinhamentos futuros da banda, bem como uma demolidora “The Sky Is Red“, música escolhida para encerrar a noite. “Distant Bells“, outra do mais recente álbum, também se destacou pela positiva, principalmente pela excelente performance do líder Einar Solberg, sendo que “I Lose Hope” e “MB. Indifferentia” já receberam mais indiferença, por parte de um público que acolheu fervorosamente a maior parte dos temas. Claro que músicas do calibre de “Stuck“, “Third Law“, “The Price“, “The Flood” e “From the Flame” tocadas e cantadas com a excelência com que os seus interpretes o fazem, ajudam a que qualquer espetáculo de Leprous tenha nota elevada. Pelo meio houve uma boa versão de “Angel” dos Massive Attack, que roubou precioso tempo, que podia ter sido usado na interpretação de clássicos como “The Cloak“, “Slave” e “Foe“, entre outros, que infelizmente não foram tocados nesta noite. Ainda assim foi cerca e uma hora e meia de excelente música, o que já é impagável!

Leprous © Jorge Pereira

Leprous + Maraton + KloneGaleria Completa

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