Entrevista: Raquel Silva

Foi no feriado nacional do 5 de outubro que encontramos os americanos Lucid Fly a passear em Portugal pela primeira vez. Em atividade desde 2001, assumem-se como uma banda de Rock Alternativo com várias Nuances Progressivas e Melódicas.

Naturais da Flórida mas a viver na Cidade de Los Angeles na Califórnia, os Lucid Fly contam já com três EP’s e preparam-se agora para lançar o primeiro álbum “Building Castles in Air” com data prevista de lançamento para 11 de novembro.

A Imagem do Som esteve a conversa com a Vocalista Nikki Layne e o Guitarrista Doug Mecca, e foi debaixo do solarengo sol de Lisboa que ficamos a saber algumas novidades sobre o Álbum, bem como o desejo de voltar a Portugal para uma digressão na Europa.

1. Já passaram 11 anos desde o lançamento do vosso primeiro EP. Depois disso, lançaram mais dois EP’s mas só agora em 2016 é que vão lançar o vosso primeiro álbum. Porquê só agora?

Doug: Os EP’s são efetivamente mais baratos de se fazer mas quando começamos a compor as canções para este álbum percebemos que aquilo era mesmo o nosso estilo. Nós sempre soubemos qual era o nosso estilo, mas aqui fizemos uma coisa muito pessoal nomeadamente na maneira como escrevemos as letras juntos e até na própria história das canções. Acho que esta proximidade não era tão evidente nos trabalhos anteriores, há quase que uma sintonia entre nós.

Nikki: Eu sinto que ainda estávamos numa fase experimental a ver qual era realmente o nosso género, e até mesmo o número de elementos que compunham a banda [riso]. Uma banda só é banda até ter um álbum feito porque tu lembras-te de uma banda pelo seu álbum. Eu concordo com o Doug mas agora sinto que finalmente nos encontrámos enquanto banda.

2. E com este álbum, como definem a vossa sonoridade?

Nikki: Tem mais texturas, mais camadas, é mais atmosférico. Quando estava a compor para este álbum queria ser mais autêntica e queria sentir o que estava a cantar. Quando não sabes o que estás a cantar, não passas emoção para quem te está a ouvir. Sinto que as letras estão mais verdadeiras.

Doug: Acho que dedicamos mais tempo a tudo, neste disco. No passado talvez as nossas canções não estivessem totalmente finalizadas, não as levamos a um nível acima. Começamos a fazê-lo numa das últimas canções do último trabalho. Pensamos “e se acrescentarmos mais, se não ficarmos apenas pela bateria, baixo, guitarras e voz, e se acrescentarmos mais camadas?” e fizemos isso em todos os temas deste álbum.

Nikki: Nós experimentamos muito… Começamos de uma forma e depois decidimos fazer algo diferente, por exemplo tentámos mudar a bateria e compusemos um beat diferente no computador, algo que não fosse tão natural, tão banal.

Doug: E depois tivemos que aprender a tocá-las, tivemos que as ouvir para as tocar.

Nikki: Ainda ninguém ouviu as canções, isso é assustador [risos]

3 – Há pouco, comentaram entre vocês que o ano de 2016 foi particularmente mau e isso acabou por ser refletir no processo de lançamento do álbum. Querem nos explicar porquê?

Nikki: As coisas demoraram muito tempo a acontecer, principalmente em estúdio. Nós somos muito perfeccionistas e acabou por ser muito difícil lidar com isso mas a uma dada altura, tivemos que ter em mente que “o que está feito, está feito”.

Doug: Tivemos problemas pessoas que ocorreram em simultâneo..

Nikki: Eu tive que alterar a minha dieta, tive que tirar aquilo que adorava comer e mais recentemente perdemos o nosso cão..  Os últimos tempos foram de loucos [riso]

4. Os Lucid Fly nunca tocaram em Portugal. Numa futura digressão pela Europa, Portugal está incluído no vosso itinerário?

Nikki: Esse é um dos nossos objetivos. Nós gostávamos de fazer uma digressão pelos EUA mas sentimos que podemos ter uma maior aceitação pelo público fora dos EUA.

Doug: Nós conectamo-nos melhor com os músicos aqui na Europa do que nos EUA, mas devíamos começar a contactar mais com pessoal nos EUA porque lá há mais oportunidades talvez. Mas parece que aqui estamos mais dentro do circuito de bandas do que lá, e aqui o nosso género musical parece ser mais apreciado. Verificamos isso no outro dia na Alemanha, vimos muitas bandas que não víamos a ter sucesso nos EUA.

5. Aqui a realidade é um pouco diferente dos EUA embora também exista competição entre bandas. Contem-nos um pouco como funcionam as coisas por lá, em Los Angeles. 

Nikki: É difícil fazer com que as pessoas vão aos nossos concertos, com tantos outros concertos a decorrer e tantas opções de coisas para fazer. Por vezes os fãs perguntam a hora exata a que vamos subir ao palco “é as 21h05? porque preciso de ir a outro lado a seguir”. Ainda assim, Los Angeles é fantástico. Há lá casas de concertos lendárias.

Doug: No Oeste andamos bastante separados de tudo. Há centenas de quilómetros entre cidades o que também dificulta porque gastamos muito combustível para chegar a outros locais. Não sei como é aqui em Portugal mas nos EUA se não conhecem a banda é pouco provável que apareçam no teu concerto. No entanto, outros concertos de bandas do mesmo estilo mas já famosas esgotam.

6. Nikki, nunca te compararam fisicamente a Sandra Nasic dos Guano Apes?

Nikki: Oh!.. Uma Thurman! [risos] Não, mas adorava..

Doug: Na América, acho que os Guanos Apes não são muito conhecidos. É um género musical que acaba por passar um pouco despercebido talvez. Mas deviam ser..!

Nikki: Obrigada [risos]

7. Quais são os próximos objetivos de Lucid Fly?

Nikki: É fazer a digressão, por todo o mundo. Demorámos demasiado tempo neste álbum. Uma coisa que aprendi foi mandar o álbum cá para fora e seguir em frente. Continuar a criar porque sinto que tenho mais músicas para fazer e mostrar.

8. Só mais uma pergunta: Porquê “Building Castles in Air “ para título do álbum?

Nikki: Sonhar muito! Pensar o mais longe possível e esse significado está presente em cada canção do álbum

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