Lustre vestiu chinelo e calção para dançar em Santa Rita

Numa época em que a música portuguesa no Festival da Canção é tão contestada, o hip-hop javardo e portuense de Conjunto Corona parece unir cada vez mais pessoas.
Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn

Este sábado, o grupo passou pelo Lustre, em Braga e, apesar da casa não estar cheia, a discoteca foi mais uma saída clamorosa na rotunda de Santa Rita.

© Hélio Carvalho

Com 40 minutos de atraso – apesar de ninguém parecer muito importado -, entram às pingas os rapazes de chinelo de piscina, meia branca e calções. dB, o músico-produtor, arranca o concerto com o beat de “187 no Bloco”.

O público tem bem estudada a letra. É uma imagem que se tem repetido desde que o Conjunto Corona começou a apresentar o seu novo álbum, “Santa Rita Lifestyle”, em dezembro.

Toda a música tem dedicatória, a maior parte dirigida para a zona metropolitana do Porto. Ora para a praia da Madalena, ora para Gondomar, ora para Ermesinde. De dois dedos no ar, à la major Valentim Loureiro, o público responde sempre efusivamente.

© Hélio Carvalho

Segue-se “Perdido na Variante”, uma música que conta com o contributo de PZ. O músico não esteve presente, mas quem esteve não se rogou em cantar a sua parte.

No palco, o Homem do Robe, icónica personagem do conjunto, fumava e dançava enquanto caminhava vagarosamente pelo palco, de meia enfiada na cabeça. Não é preciso microfone quando se tem este carisma em palco. No entanto, quase estragava o concerto logo na entrada em palco, quando entornou whiskey na mesa de mistura de dB.

Mas se “Santa Rita Lifestyle” é a descoberta da religião por parte de uma personagem fictícia que “decide ir à rua de chinelo e calção” e a “fumar o seu ‘pavão’”, não podia faltar uma leitura quase evangélica. A banda saiu e ficou no ar a gravação de Melinda Gandra, uma senhora cuja chamada para o programa “Opinião Pública” ficou conhecida por profetizar um mundo sombrio. Ironicamente, a senhora Gandra é aplaudida com entusiasmo.

O concerto continuou com músicas de álbuns passados, a maior parte do álbum “Cimo de Vila Velvet Cantina”. “Chino no Olho” arrancou gritos do público. Mas clamores maiores vieram com “Mafiando Bairro Adentro”, a ode aos bairros e localidades do Porto, que colocou todos a pedir que Lamaçães, freguesia bracarense que dB disse conhecer “pela estátua do Tourigalo”, fosse citada no refrão.

© Hélio Carvalho

Nota-se claramente uma diferença no público que já conhece Conjunto Corona e aqueles que se espantam pela primeira vez. Os primeiros estão na fila da frente, à espera do momento em que o Homem do Robe distribui copos de hidromel pelo público. Os leigos ficam atrás, de boca aberta e sorridentes, perante a vinda dos messias do hip-hop portuenso-javardo.

Entre músicas ainda mais antigas, como “Pontapé nas Costas”, “Bongo Bizarre” e “Pacotes”, chegou então o momento “tradicional” nos concertos de Conjunto Corona: o copo de hidromel.

A banda saiu uns minutos do palco, para o encore menos surpreendente de sempre. “Vocês fizeram muito barulho, nós cantamos mais, mas vou só à casa-de-banho”, disse dB.

Regressaram e repetiram então “187 no Bloco” e “Santa Rita Lifestyle”. Foi o final de uma noite em que o Lustre se juntou ao país na aclamação de Santa Rita como uma rotunda de valor. Quanto ao Conjunto Corona, lá continuarão a profetizar o bom, foleiro e ironicamente acolhedor mundo do Porto.

 

Corona – galeria completa

OUTRAS NOTÍCIAS

NOVAiDS White-01