GABINETE DE IMPRENSA

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Diogo Santos analisa os Melhores de 2018

Tivemos um ano rico em nova discografia nacional. O mesmo não podemos afirmar no contexto internacional. Diogo Santos analisa os melhores discos nacionais e internacionais do ano, os concertos marcantes, a surpresa e a decepção deste ano que finda.

Discos Nacionais:

1 – 1986Vários Artistas – Sem margens para dúvidas, é o disco do ano. O processo deste disco iniciou-se quando Nuno Markl decidiu desafiar João Só a fazer algum material inédito que fosse ao encontro das personagens da série e do som produzido nos anos 80 para a série que estava a fazer, 1986 (que viria a ser um sucesso na RTP, nomeadamente online). Capa negra como manda a lei, uma contra-capa como já poucas se fazem, todas as músicas introduzidas por um excerto da personagem em questão (pois cada personagem tem a sua música) e a reunião dum conjunto de artistas que não se vê todos os dias: Ana Bacalhau, Catarina Salinas, David Fonseca João Só, Lena D’Água, Márcia, Miguel Araújo, Rita Redshoes, Samuel Úria e Tatanka. É preciso acrescentar algo mais sobre esta obra de arte?!

 

2 – ResistênciaVentos e Mares – 4 anos depois do último registo de estúdio, o colectivo regressa com uma dezena de canções, inspiradas pelo vento e pelo mar. À primeira vista destaca-se o facto de o colectivo ter trabalhado pela primeira vez canções de bandas como a Quinta do Bill, Clã, GNR ou Jorge Palma. Neste disco podemos verificar versões brilhantes de “Zorro”, “Sopro do Coração” ou “Se Eu Pudesse Um Dia”. Caso para dizer, “eles estão aí para continuar”!

 

3 – Dead ComboOdeon Hotel – Os Dead Combo regressaram aos originais, também 4 anos depois de “A Bunch of Meninos”. O duo regressou mais maduro e com uma excelente performance em estúdio. Assistidos por Alain Johannes (com colaborações nos Queen of Stone Age, Chris Cornell e por aí fora), o disco conta ainda com a voz de Mark Lanegan em “I Know, I’m Alone”, bem como de vários amigos, que acompanharam Tó Trips e Pedro Gonçalves na Tour de apresentação deste trabalho. Houve ainda tempo e espaço para homenagear Zé Pedro, com a música The Egyptian Magician (nome de uma das faixas comediantes do The Jerky Boys que abria os sets que Zé Pedro fazia para oferecer aos amigos).

 

4 – David FonsecaRadio Gemini – A celebrar 20 anos de carreira, David Fonseca criou um disco com o conceito de programa de rádio. Como pontapé-de-saída contemplou-nos com “Oh My Heart”, com o videoclip a ser gravado no Japão. Ao longo das 21 faixas o músico atravessa um pouco daquilo que são os estilos deste complexo mundo musical, num trabalho criativo, “elástico” e comprovativo: David Fonseca é o homem dos sete-ofícios!

 

5 – Meu General20 Ao Vivo – Depois de pisar o palco com nomes como Zé Pedro, Marco Nunes, ou João Alves, o portuense lança um registo ao vivo com a sua banda de suporte solidificada e a praticar bom rock n’roll. O disco já foi alvo de análise aqui e é alvo de nova menção. Justa, diga-se.

 

Discos Internacionais:

1 – Bruce SpringsteenSpringsteen on Broadway – Tudo começou com uma festa de despedida do Presidente Barack Obama da Casa Branca. O seu amigo Bruce Springsteen cantou e contou algumas das histórias mais marcantes da sua carreira, presentes na sua auto-biografia “Born to Run”. Daí até Obama sugerir o carismático artista a pôr um espectáculo de pé semelhante ao que este lhe havia contemplado, foi um pequeno passo. Depois de 236 aparições no Walter Kerr Theatre, surgiu o registo desse magnífico espectáculo.

 

2 – Arctic MonkeysTranquility Base Hotel & Casino – Começou a ser pensado em 2016 depois do manager da banda oferecer ao vocalista Alex Turner um piano. Comparado às raízes da banda, este disco é um autêntico turn off the amps. No entanto, não deixa de ter substância viciante como o single que dá nome ao disco. Um disco de pop lounge numa banda rock fica difícil de apresentar em grandes festivais, como foi comprovado no NOS Alive, no entanto, é um 6º disco da banda britânica com qualidade… mesmo que incompreendida.

 

3 – Paul McCartneyEgypt Station – 5 anos depois de “New”, o mítico membro dos Beatles voltou aos trabalhos de originais, o 25º da carreira. Aos 76 anos, o músico convida-nos a viajar “numa rádio”, a par de David Fonseca com “Radio Gemini”, que vimos anteriormente.

 

4 – SlashLiving the Dream – Com concerto agendado para 15 de Março do próximo ano em Lisboa, e após realizar a 2º digressão mais lucrativa da história da música com a sua banda de sempre, os Guns N’Roses, o guitarrista continua a viver o seu sonho, desta feita junto dos Myles Kennedy & The Conspirators (sua banda de suporte a solo). Myles Kennedy mostrou novamente a sua extraordinária voz neste 4º disco que grava junto de Slah, embora esta seja previsível. É um bom disco, não o melhor da carreira a solo do mítico guitarrista. Esperemos então que ele tenha guardado alguns “cartuchos” para a o regresso aos originais dos Guns N’Roses, que poderá acontecer já em 2019.

 

5 – Rolling StonesVoodoo Lounge Uncut – Muito se aguarda pelo novo trabalho de originais da banda Mick Jagger e Keith Richards. Tivemos direito presentes extraordinários nos últimos anos como Sticky Fingers Live (presente no nosso best of do ano transacto), Havana Moon, Blue & Lonesome e este trabalho de 1994 é mais um desses presente. Desta feita, retirado da baú. Serve um pouco como um lembrete “Nós ainda estamos aqui”, sempre com um olhar ao futuro próximo, neste caso, à No Filter Tour que continuará, desta feita pelo continente americano no ano de 2019.

 

Destaque do ano:

Titãs12 Flores Amarelas: A Ópera Rock – O bom rock em português não se pratica apenas em Portugal. A ideia já tinha sido anunciada há muito e foi terminada após a saída da banda de Paulo Miklos. Uma banda histórica do Brasil a sair da sua zona de conforto. A ópera viu a luz do dia e foi um autêntico sucesso. A história tem como personagens 3 Marias e aborda os temas mais complexos e sensíveis das sociedades actuais. Virou disco de estúdio e disco ao vivo, ambos de uma grande qualidade. Bravo, Titãs!

 

Concertos Nacionais do Ano:

1 – Xutos & PontapésRock in Rio Lisboa – Não foi a melhor actuação da banda. O Ai Se Ele Cai e o Contentores não convenceram. No entanto, a actuação foi corajosa. Nunca é fácil subir ao palco sem o líder e fundador duma banda como era Zé Pedro. Mas quando se trata de palcos como o do Rock in Rio, a responsabilidade acresce ainda mais. E a banda deu bem conta do recado, levando o público ao delírio com os clássicos de sempre e também através dos temas novos, “Fim do Mundo” e “Mar de Outono”. Houve ainda tempo para homenagear o malogrado guitarrista, recuperando as suas fitas na performance de “Maria” no Estádio do Restlo (2009) e chamando ao palco vários amigos e familiares seus para ser invocada, numa só voz, o última tema do espectáculo, “A Minha Casinha”. Uma homenagem justa. Afinal, um pouco de todos nós é também Zé Pedro.

2 – MuseRock in Rio Lisboa – Com novo disco no bolso, a banda britânica juntou ao material novo os êxitos que compuseram ao longo dos já 24 anos de carreira, para delírio dos fãs que preenchiam o Parque da Bela Vista.

3 – 1986Altice Arena – Uma reunião de artistas, por uma causa nobre, na maior sala de espectáculos do país. A Imagem do Som esteve lá e testemunhou a riqueza de espectáculo que foi: um alinhamento estrondoso numa noite que se quis singular.

4 – Two Door Cinema ClubNOS Alive – A banda norte-irlandesa chegou a Lisboa bem cotada e não desfraldou as expectativas. Um concerto mexido e a finalizar com a cereja no topo do bolo, “Sun”, o maior êxito da banda formada em 2007.

5 – U2Altice ArenaSongs of Experience foi a decepção do ano transacto e portanto, o espectáculo valeu pelo cenário e pelos êxitos da banda de Bono. Ainda assim, ter U2 em Portugal é uma ocasião cada vez mais rara, pelo que há que aproveitar. Foi bom. Podia ter sido melhor.

2019 promete no mundo da música: existe a possibilidade dos Rolling Stones e dos Guns N’Roses lançarem novos álbuns de originais, enquanto “Duro” verá a luz do dia a 18 de Janeiro. O novo disco dos Xutos & Pontapés marcará o início das celebrações dos 40 anos de carreira. Destaque-se ainda “Jogo Sujo”, novo trabalho de originais de Meu General e Alex, vocalista do Lado Esquerdo, que lançará o seu primeiro EP a solo, “Bruto”.

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