MEO Marés Vivas, toda a emoção num festival que não pára de crescer

A 13ª edição do MEO Marés Vivas aconteceu de 19 a 21 de julho, depois de em 2018 ter alterado a sua localização para um local mais amplo, na Antiga Seca do Bacalhau, em Vila Nova de Gaia, onde pudesse acolher mais público, alterando a disposição dos palcos na espectativa do aumento de público acima dos 40000 contando chegar às 50 mil pessoas.
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Antes do festival começar, os passes de 3 dias e os bilhetes diários para o segundo dia já se encontravam esgotados e isto se saldou em uma média de entradas diárias de cerca de 35 mil espectadores.

O festival dividiu-se em 4 palcos com propostas distintas e que, certamente, ofereceram uma leque variado que agradou a todos, até ao festivaleiro mais céptico e arrepiado com a brisa marinha que tem sempre a sua presença bem marcada neste evento.

O Palco MEO, onde se apresentaram os cabeças de cartaz, com destaque nesta edição para Keane, Ornatos Violeta e Sting, o palco Santa Casa com apresentações de nomes recém-chegados, tal como Joana Espadinha, e outros com a sua presença já bem firmada no panorama musical português, como João Só que sempre entrega um trabalho irrepreensível.

Sublinho o carácter familiar de um cartaz que percorre estilos e tempos que agrada a “miúdos” e a “graúdos”.

© Teresa Mesquita

Tanto nos apresenta jovens talentos como Traço, que venceram o 1º Concurso de Bandas de Garagem do Município de Gaia, como monstros consagrados como Sting e ainda, e talvez a pérola deste festival, a reunião tão aguardada de Ornatos Violeta, uma das bandas portuguesas mais queridas de sempre e que, mesmo após o seu fim, continuaram a marcar gerações tanto com a sua fusão de ritmos como letras desafiantes e sempre actuais que fazem com que todos, em algum momento da vida, nos tenhamos identificado com as suas palavras. 

O MEO Marés Vivas abriu com Beatriz Pessoa, no Palco Santa Casa, que teve a difícil tarefa de arrebitar os poucos festivaleiros que começavam a circular pelo festival e que não estavam já agarrados às grades do palco principal. O aquecimento do festival, no Bloco Moche, coube a um nome já conceituado da nossa praça na área do hip-hop, Kappa Jotta, que logo meteu o pessoal a dançar.

© Teresa Mesquita

Kappa Jotta Galeria Completa

Seguiu-se Joana Espadinha a agitar o palco Santa Casa. 

© Teresa Mesquita

Joana Espadinha Galeria Completa

Coube a Mishlawi a abertura do Palco MEO com o público a alinhar e a agitar o corpo com os braços no ar a pedido. Seguiram-se Os Quatro e Meia, animados, que não deixaram a energia morrer.

© Teresa Mesquita

MishlawiGaleria Completa

Neste primeiro dia de festival, os Keane foram os grandes cabeças de cartaz – depois de uma pausa, a banda apresentou novos temas mas, essencialmente, recordou os principais sucessos. O grupo de Tom Chaplin, Tim Rice-Oxley, Jesse Quin e Richard Hughes não atuava em Portugal desde 2013 pelo que os fãs estavam ansiosos por esta actuação.

Keane é aquela banda que já atingiu o estatuto em que, enquanto tocavam Bedshaped, um casal diz para a filha, de uns 8 anos, “Ouve, esta é a música do pai e da mãe.”.

© Teresa Mesquita

Keane Galeria Completa

Tom Chaplin, sempre cativante, manteve o público ao rubro solicitando a sua participação e elogiando a qualidade da sua cantoria, tendo ainda tempo para dar os parabéns à Sara.

Com o clássico Everybody’s Changing, todos os telemóveis ligados a filmar, solta ainda um “It is so lovely to see you”.

Uma noite bem fria que foi aquecida pelos corações de uma multidão afinada e encantada.

A encerrar o primeiro dia de festival, no Palco MEO, estiveram o Kodaline, a banda irlandesa, que desta vez ocupou o palco principal.

Foram recebidos com entusiamo pelos muitos fãs da banda que não foram desiludidos por um alinhamento que não faltou às espectativas. Em War o público definitivamente rendeu-se em suave ovação.

© Teresa Mesquita

Kodaline Galeria Completa

Para fim de noite, Plutónio ainda pôs a mexer a sua base de fãs.

No segundo dia o Festival MEO Marés Vivas viveu a sua maior enchente e abriu o palco principal com mais uns britânicos, Don Broco. O quarteto composto pelo vocalista Rob Damiani, o guitarrista Simon Delaney, o baixista Tom Doyle e o baterista Matt Donnely tiveram honras de aquecer a já grande quantidade de público que se acumulava junto ao palco principal.

© Teresa Mesquita

Don Broco Galeria Completa

De seguida, Carlão, a solo mas já depois do regresso anunciado dos Da Weasel para 2020, e no dia do seu 44º aniversário, fez a festa. Animou e foi animado. E não ficou por aqui neste dia.

© Teresa Mesquita

Carlão Galeria Completa

Às 22.00, suecos Mando Diao abriram em força, com uma base de fãs bem simpática em Portugal, mas viram o seu concerto interrompido pouco depois e por cerca de meia hora devido a problemas técnicos. Quando já se começava a temer que o espectáculo ficasse por ali, o som foi reposto e o palco voltou a incendiar-se com a interpretação de Mr Moon do primeiro álbum de 2002.

© Teresa Mesquita

Mando Diao Galeria Completa

E chegou a hora dos mais aguardados da noite, Ornatos Violeta, oleados como se nunca tivessem parado de estar juntos, abrem o concerto com uma música do primeiro álbum, Um Crime à Minha Porta.

Certo é que as suas vidas têm sido na música e Manuel Cruz, além do trabalho a solo, sempre se desdobrou em mil participações e projectos.

Os muitos fãs da banda foram de grande criatividade nos cartazes acarinhando especialmente Manuel Cruz, vocalista e guitarrista, Peixe, guitarrista, e Kinörm o baterista.

© Teresa Mesquita

Percorrendo músicas dos seus dois álbuns, Cão! e O Monstro Precisa de Amigos, o público fez questão de acompanhar afinado.

Ouvi Dizer foi o momento do convidado especial, Carlão, amigo de longa data, que aqui fez as vezes da melancólica voz de Espadinha no original. Brindaram-nos, depois, com Casa (Vem Fazer de Conta), tema que os Da Weasel gravaram com Manel Cruz no álbum Re-Definições, há 15 anos. 

No alinhamento não podiam faltar Chaga, O.M.E.M. e Dia Mau, de O Monstro precisa de Amigos e ainda Dama do Sinal do seu primeiro álbum, o inolvidável Cão!.

Fazem o seu primeiro adeus ao palco com Capitão Romance que colocou todo o público no verdadeiro mood nostálgico e sabendo, de antemão, que ainda muito estava para vir.

Ornatos brindaram-nos com não um mas, sim, três encores. Porque eles podem. E, sim, todos são Dias de Fé.

No único concerto a Norte, o monstro provou que ainda continua a precisar de amigos.

© Teresa Mesquita

Ornatos Violeta Galeria Completa

No último dia de festival, o MEO Marés Vivas prova porque é um festival dos clássicos.

Com a juventude a brilhar nos palcos Santa Casa e Bloco Moche, foi no Palco MEO que se consolidaram os clássicos.

A abrir o palco principal esteve o cantautor portuense, com raízes brasileiras, Tiago Nacarato, que não desiludiu proporcionando um espectáculo belo e honesto.

© Teresa Mesquita

Tiago Nacarato Galeria Completa

Às 20.40 chegou a vez de Morcheeba, a banda britânica reduzida actualmente à vocalista Skye Edwards e ao guitarrista Ross Godfrey mas que continua a fazer valer o porquê do seu constante sucesso. O concerto, embora recheado de baladas, não teve um momento menos intenso, com a carismática Skye sempre a manter o ar de sua graça. Terminaram com o clássico Rome wasn’t built in a day que levou a plateia ao rubro.

© Teresa Mesquita

Morcheeba Galeria Completa

Sting foi o grande cabeça de cartaz de domingo, o último dia do MEO Marés Vivas. O artista que já em 2017 tinha actuado neste festival e que, como única exigência, tinha colocado a vontade de chegar um dia antes para conhecer o Porto.

Abriu o concerto com incontornáveis êxitos como Message in a Bottle, ainda do tempo dos The Police, e Englishman In New York.

E continuou sempre em altas com um público vibrante a cantar todos os êxitos, a acolher em inglês e a ser acolhido em português pelo britânico que já declarou o seu amor por Portugal por mais que uma vez.

Seguiu-se uma viagem por toda a carreira de Sting onde não faltaram músicas como Fields of Gold, Shape Of My Heart, Roxane, Desert Rose, onde todos ondularam com o som mais exótico, Demolition Man e a encerrar, antes do encore, Every Breath You Take.

Após Sting, e ao final de 3 dias intensos, o recinto começou a esvaziar mas ainda ficaram os resistentes para uns HMB que fecharam o palco principal com o maior êxito da banda, O Amor é Assim.

Fica-nos assim a memória de mais um MEO Marés Vivas que entregou aquilo a que se propunha e que mantém o bichinho para próximo festival com cheirinho a maresia.

Texto: Cristina Guerreiro

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