Muse são de outra galáxia – e todos nós queremos viver lá

O Passeio Marítimo de Algés recebeu os Muse numa noite de outro Mundo. Até porque os próprios efeitos especiais (incluindo robots) mereciam planetas mais distantes. “We Are Caged In Simlations”, foi esta a mensagem que ficou exposta no ecrã gigante que estava sobre o palco, onde se ouvia os riffs de “Algorithm” e onde os Muse iam começar a tocar minutos depois.
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Com uma casa bem recheada, Matthew Bellamy e companhia tinham a tarefa de voltar a surpreender (o que por um lado torna-se difícil depois de tantos concertos em Portugal). Mas esta tour, Simulations, tinha sido aclamada tanto pela crítica especializada como por todos os fãs europeus. E o que vimos ali naquelas duas horas foi realmente de outro planeta!

Nas primeiras músicas destaque para os 12 soldados do espaço que foram até ao limite do palco apontar as suas armas e com danças bizarras, acompanhar Bellamy. Também em “Pressure”, vários astronautas colcocaram-se nas extremidades do palco, aproveitando os drops violentos para lançar gelo seco das suas maquinarias às costas.

© Teresa Mesquita

Depois o primeiro grande momento da noite: “Uprising”. Aquela que é provavelmente a música mais conhecida de toda a banda, oi tocada com força e dedicação. No mítico refrão “They will not control us, we will be victorious”, todos os fãs de punho em riste, também eles em sinal de vitória. Toda a magnitude que se vivia em Algés era única. Sentiam-se vozes estremecidas, a tentar acompanhar os agudos de Bellamy mas no fundo o que interessava era aproveitar todo aquele momento.

Só quem esteve em Algés percebe todo aquele espetáculo visual que está por trás da banda. Os Muse, com vários anos de experiência, sabem que têm de dar cada vez mais. Apostaram em temáticas nas quais exploram nos seus álbuns, tais como a ficção científica e o futuro (ele sempre tão perto).

© Teresa Mesquita

Houve óculos e coletes luminosos para Matt Bellamy, um monstro esquelético suspenso por fios, confetis, espingardas de fumo, balões e muitas cores fortes a sair dos ecrãs. Os Muse não olham a custos para entreter os seus fãs e querem oferecer uma experiência única a quem os segue há duas décadas.

A assistir estavam muitos casais que aproveitavam o começo das músicas para trocar algumas carícias e beijos, enaltecendo a certeza que o rock dos Muse também apaixona. Foi assim especialmente em “Big Down”, um tema que juntou os três elementos dos Muse em versão acústica no fundo do palco, somente com um piano, uma pequena bateria e um baixo. O público respondia com as luzes do telemóvel e a abanar os braços levemente de um lado para o outro. Atrás, aqueles que tinham sido soldados, agora eram almas que levitavam à frente do grande ecrã.

“Madness” levou uma grande salva de palmas pela força que transmitiu, “Running Out” foi provavelmente a música entoada na já noite de quarta-feira em Lisboa e em “Take a Bow”, o vocalista comelou a cantar para uma caveira fazendo contacto com os seus longos e estilosos óculos. “Starlight” era outro dos grandes temas esperados.

© Teresa Mesquita

O público já os conhece de cor e acompanha toda a música com aplausos sucessivos que também ajudam a dar ritmo à música. Bellamy agita a guitarra como se de uma raquete de ténis se tratasse, enquanto o baixista Chris Wolstenholm sente o som com sucessivas direções da cabeça de cima para baixo e vice-versa.

O concerto entrava já na recta final. Mas as susrpresas visuais não paravam de aparecer. Primeiro dois robots dançaram (à robots, claro está!) “Algorithm”, tornando aquele espetáculo ainda mais futurista. Mas o melhor estava para vir: de repente, um esqueleto gigante com capacete, de braço esticado e com grandes garras encheu a parte de trás do palco, enquanto os três britânicos faziam quase um medley de várias músicas recentes do seu último álbum.

O boneco, suspenso por fios, servia de marioneta e interagia consoante as mensagens das músicas. No final, para rematar, “Knights of Cydonia”, com dezenas de balões pretos e brancos a pairar sobre o público que, em clima de festa, batia-lhes com toda a força para lhes dar continuação.

© Teresa Mesquita

Continuação também teve a música, com aproximadamente cinco minutos de coros entre os Muses e os fãs e mais um hastear da bandeira portuguesa e um bom “obrigado”, dito em Português de Portugal. Uma palavra possível para definir os Muse é “futurista”. Os sons da guitarra e do baixo fazem-nos viajar por outros planetas, os batuques da bateria lembram uma marcha eletrizante das tropas do inimigo de uma galáxia distante.

A banda britânica leva-nos pela fantasia e a ficção científica, onde não falta nada dos mundos mais imagináveis e perigosamente possíveis. O espetáculo visual da tour “Simulation Theory” é provavelmente uma das coisas mais incríveis a que o público português já assistiu. E por tudo isto, esperamos uma nova visita, Muse!

MUSE Galeria Completa

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