Nick Murphy: camaleão no nome e nas influências musicais

O homem que foi outrora Chet Faker apresentou-se no Coliseu de Lisboa para dar a conhecer o novo projeto, onde a guitarra, piano e eletrónica deram luz ao espaço escuro.
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Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis. Eram muitos os heterónimos de Fernando Pessoa e cada um com a sua personalidade artística. Nick Murphy não é assim tão diferente: deixou o seu primeiro nome artístico Chet Faker para trás, e com ele um estilo musical mais inspirado na música eletrónica. Agora assina Nick Murphy, está mais adaptado ao trabalho de banda (baixo, saxofone e bateria) e aposta nas guitarradas e baladas no piano.

Lisboa passava por uma noite quente e o Coliseu dos Recreios, praticamente lotado, estava consequentemente a ferver. O concerto de Nick Murphy estava marcado para as 21h30, mas começou com meia hora de atraso, muito devido à primeira parte de Cleopold.

Cleopold Galeria Completa

O meu nome é Nick Murphy e vou tocar uma série de canções que escrevi durante a minha breve existência neste planeta”, foi das poucas frases que se ouviu do artista australiano, tímido mas ainda assim cativante. Portugal foi o primeiro destino na digressão europeia de “Run Fast Sleep Naked”, o seu mais recente álbum.

Muitos dos fãs presentes conheciam melhor os trabalhos do compostior na versão de Chet Faker. Isso sentiu-se na segunda música, com “Gold” – provavelmente o seu maior hit – com o qual consegue, com relativa facilidade, agarrar por completo uma plateia que ainda estava a aquecer. Explosivo, marcante!

Uma das grandes vantagens deste Nick Murphy, para a qual o público por vezes nem está bem preparado, decorre de ter com ele uma grande banda, que lhe dá um suporte incrível nas passagens das músicas. Foi assim de “Gold” para “1998” e mais umas quantas ao longo do concerto. O carinho de Nick para com a banda também foi notório durante o espectáculo, já que houve espaço para cada um deles brilhar com os seus instrumentos e receber uma bonita ovação de aplausos no final das performances a solo.

Até “I’m Into You”, o artista jogou com os seus sons mais recentes, em estilos mais quentes e descontraídos, combinando na perfeição com o ambiente do Coliseu. Nessa música tudo se alterou (qual camaleão?) e surgiu apenas o cantautor e o seu piano. Juntos fizeram o momento mais doce, tocante de todo o espectáculo. O coro fez-se notar nas notas mais altas mas a sobriedade de cada palavra ainda está gravada nas mentes de todos.

Nick Murphy Galeria Completa

Voltando à parte com banda, e da nova era de Nick Murphy, “The Trouble With Us”e “Birthday Card” foram as que saltaram mais à vista, e que maior interação receberam do caloroso público. Outra das vantagens é que Nick não foge ao seu modelo, apenas o tenta tornar ainda mais apreciativo ao vivo. Ali, no Coliseu dos Recreios, conseguiu-o.

Para o encore, Nick Murphy terminou com “Dangerous” e “Sanity” e revalidou a aposta num artista que não se perdeu e quer apenas novos percursos e chegar mais longe, à sua maneira e da forma que gosta de fazer. E o que há melhor de ver do que um artista consagrado?

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