No LAV – Lisboa Ao Vivo, não só tivemos oportunidade de assistir a uma banda-lenda (os Ibéria) como tivemos ainda o prazer de vermos músicos de alto calibre, e que partilharam já palco com algumas das maiores estrelas da constelação do rock, a fazerem o que sabem fazer melhor: rockar, curtir e deitar – metaforicamente! – fogo ao palco. Ambas o conseguiram.
Começando com Ibéria, a ansiedade era grande. Sendo uma das mais importante e antigas bandas da cena hard rock portuguesa (os seus primeiros passos são dados nos anos 80), voltaram à carga em 2008. Conseguiriam ainda manter a chama? Sim, arderam com toda a segurança e garra, começando com uma das suas criações mais recentes: Sanctuary of Dreams, single do albúm Much Higher Than A Hope (2017). Com laivos dum metal mais pesado, foi uma óptima escolha para abrir as portas. Seguiram-se No Pride e She Devil, The End of Days (com os seus vertiginosos solos de guitarra), terminando em grande com Hollywood (primeiro single da banda, regravado e incluído no óptimo Revolution, 2011). Um brinde, os grandes são sempre bem-vindos.

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Seguiram-se os The Dead Daisies – rockeiros de alma, corpo e técnica e com um C.V. De fazer corar os mais orgulhosos músicos. Vejamos: na voz, John Corabi (que andou com companhias como Mötley Crüe, Marc Mendoza, baixo, já “baixou” com Thin Lizzy e Whitesnake), ali, na bateria, o senhor Deen Castronovo partilhou palco com Journey e Hard Line, e, finalmente, Doug Aldrich na guitarra e que já vimos ao lado de Coverdale com Whitesnake há uns anos ou rasgando com Dio.

Que tal, para credenciais? Filhos da nobre linhagem do Hard Rock, mostraram que, se é um género que já há muitos anos perdeu a sua possibilidade de evolução ou de verdadeiro regresso, continua a ser uma paixão para muitos, que a mantêm viva com inesgotável ferocidade. O primeiro tiro foi dado com Midnight Moses (cover da banda Sensational Alex Harvey Band), o que foi uma surpresa. Do baralho, seguiram-se Dead and Gone, Ressurrected e o poderoso Last Time I Saw The Sun. Deparamo-nos depois com outro cover: Join Together dos The Who e, mais tarde, uma cover deliciosa de Bitch, dos Rolling Stones. Song And A Prayer e Long Way To Go tiveram o seu direito a brilhar e a última oferta foi Helter Skelter dos míticos Beatles.

Um óptimo concerto e, em termos de escolha de canções, uma óptima planura e antologia de algumas das melhores da sua carreira que, ainda que curta (2013), já conta com 5 álbuns no cinto.





