Os portugueses Da Chick e Linda Martini aqueceram a noite que esteve explosiva para os cabeças-de-cartaz

Primeiro dia de um novo festival na mítica Alfândega do Porto. Estavam os ingredientes lançados para uma noite forte de muito rock n’roll e festa, não fossem Guano Apes e Gogol Bordello (respectivamente) quem o público mais ansiava assistir.

Pois bem, tiveram de esperar pois quem ficou com a responsabilidade de aquecer os motores do festival foi energética Da Chick, que no North Music Festival estreou a sua banda de acompanhamento: os Foxy Band. A banda trouxe um estilo mais jazzy à atuação hiperactiva da cantora, o que acabou por se tornar uma mistura interessante para as poucas dezenas que assistiram ao seu concerto desde início. Apesar dos esforços imensos, o público não aderia e o concerto de cerca de uma hora ficou apenas marcado pela energia (que neste caso não foi contagiante) de Da Chick. A artista terminou com uma “rock’alhada” como a própria disse, o que acabou por ser uma excelente introdução à banda seguinte: os lisboetas Linda Martini.

Olhando para o público, percebia-se nitidamente que este era um festival para todas as faixas etárias. Isso acabou por também não favorecer muito a atuação dos Linda Martini, que no seu set fizeram questão de promover algumas músicas do álbum homónimo lançado o ano passado. “Boca de Sal” e “Gravidade” foram alguns dos temas novos que conciliaram com outros tão mais conhecidos do público como “Amor Combate” ou “Juventude Sónica”. Estas últimas foram das que resultaram num maior feedback do público. Aliás, pena foi o concerto ter apenas uma hora já que os Linda Martini acabaram num momento em que se sentia um maior feedback de quem estava colado nas primeiras filas.

Mas bem, o que todos queriam mesmo ver (e recordar) eram os Guano Apes. Minutos antes do começo, sentiu-se uma maior número de cabeças na Alfândega do Porto, que apesar de não estar cheio, estava já muito bem composto.
Por volta das 21h30, a banda alemã subiu a palco e Sandra Nasic teve uma inesperada surpresa. Um dos fãs da primeira fila trazia um cartaz onde se podia ler “Hoje a Sandra Nasic faz anos. Vamos cantar-lhe os parabéns.”. A Alfândega entoou um “Happy Birthday” que deixou a vocalista boquiaberta e de seguida agradeceu veemente aos seus fãs. E claro, se Sandra já vinha motivada para o concerto (ela fez questão de dizer que gosta muito de Portugal e que iria passar cinco dias no Porto) ainda mais se entusiasmou depois de tamanha recepção.
Os Guano Apes não faltaram ao prometido e deram um show cheio de rock n’roll onde a própria Sandra Nasic apresentou-se em grande forma. Nenhum dos grandes temas da banda ficou para trás. Ouviram-se, e também se entoaram em monumentais ‘moches’, “Big in Japan” ou “Open Your Eyes”. Uma das surpresas da noite esteve na música “Lose Yourself”, originária do rapper Eminem. A banda disse ser grande fã do tema e deu-lhe o seu rock mais alternativo para afirmar aquela letra já tão vezes decorada.

Os fãs estavam loucos com o set de hora e meia dos Guano Apes mas agora esperavam trocar os saltos pela dança da música cultural dos Gogol Bordello. Incrivelmente não foi isto que aconteceu. Bem melhor! Também os Gogol Bordello entraram cheios de vontade de fazer estragos à beira-rio e deram um espectáculo digno de saltos e alegria. O “Alcohol” não falhou: tanto no single tocado como na garrafa de vinho tinto que Eugene trouxe a palco e tantas vezes se hidratou ao longo do concerto. A banda multifacetada ajudou e muito a não abrandar o ritmo e a deixar ao rubro as cerca de 10mil pessoas que estiveram ali naquela noite. Os temas mais gipsy “Wonderlust King” ou “My Companjera” não faltaram ao reportório mas foi o  hit “Start Wearing Purple” a entregar o maior entusiasmo da noite!
Um fun fact: Eugene Hutz, o vocalista dos Gogol Bordello, fez muitas vezes questão de se dirigir ao público em português… mas do Brasil, suscitando alguma troça. Mas desengane-se se acha que o artista de origem ucraniana fez um fail ao procurar frases no Google Tradutor. Apenas viveu durante alguns anos no Brasil, daí o seu sotaque apurado. E para o demonstrar até fez questão de cantar um pouco de “Morena Tropicana”, de Alceu Valença.

No palco dance, Ermo e Xinobi (live) deram o ar da sua graça e chamaram a atenção de algumas dezenas de espectadores.

Com fotografia de Igor de Aboim e texto de Rui Sousa, a galeria fotográfica pode ser consutada AQUI