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DESTAQUESNOS ALIVE

NOS Alive despede-se com Depeche Mode.

Texto: Pedro Beires
Fotografia: Mário Monteiro

Tudo o que é bom acaba… Mas até acabar, ainda havia muito para ouvir, cantar e dançar nesta edição de NOS Alive.

Último dia de mais uma edição do NOS Alive. O sol quis aparecer para aquecer o início de tarde, enquanto não chegaram as já tradicionais ventanias que acompanham este festival.

Para abrir as hostilidades no Palco NOS, os The Black Mamba trazem um set virtuoso e sensual que deixa a multidão a bater o pé, sentindo o “groove” que há para dar e vender na sonoridade da banda portuguesa. Acompanhado por músicos de excelência, Tatanka mostrou como o blues lhe corre pelas veias, com os seus característicos arranjos vocais e ainda umas espectaculares guitarradas. Um belo concerto, a justificar plenamente a presença neste cartaz tão selecto. Houve ainda espaço para anunciar uma data no Coliseu dos Recreios, dia 3 de Fevereiro do próximo ano.

Entretanto, no Palco Heineken ouvia-se o blues rock de Benjamin Booker que se estreou em Portugal para apresentar “Witness”, um trabalho lançado no passado mês de Junho. Acompanhado de um trio tímido mas intenso, o artista norte-americano criou um ambiente caseiro, com momentos de uma cativante subtileza, que contrastavam com a potência do blues rock empolgante que não faltou.

Ainda com o sol a tentar furar por entre as nuvens que carregaram os céus lisboetas, os Kodaline passam pelo palco NOS depois de em 2015 se terem estreado em Portugal neste mesmo evento. Com dois álbuns na bagagem, o grupo de Dublin conquistou uma boa parte do público, num estilo muito próprio que mistura suavidade com vivacidade, mostrando também que tem em Portugal uma base de fãs significativa. Os coros liderados pelo vocalista Steve Garrigan ecoaram por todo o Passeio Marítimo de Algés, enquanto as brisas incansáveis sopravam na bandeira portuguesa que os irlandeses simpaticamente levaram para o palco. Veremos o que nos reserva o próximo trabalho deste quarteto, prometido para 2017.

Mas não é só de música que o NOS Alive vive. O Palco Comédia trouxe-nos ao longo destes dias uma excelente amostra do humor que se faz no nosso Portugal. Pelas 8 da noite, Carlos Coutinho Vilhena mostrava perante um imenso público o porquê de ter mais de 100 mil seguidores na sua página oficial. O seu humor simples, com histórias caricatas do dia-a-dia de tantos de nós, é uma fórmula eficaz para levar às gargalhadas os milhares que vieram assistir à sua actuação. Em entrevista à Imagem do Som, Carlos diz que “precisa de viver, de experienciar”, pois são essas vivências que alimentam o seu humor.

Já com o palco NOS bem aquecido chega o tão aguardado concerto dos Imagine Dragons, que fazem o “hat-trick” de participações neste festival. Com (quase) toda a multidão que esgotou este dia de festival, os Imagine Dragons trouxeram a Algés “Evolve” – o novo álbum acabado de sair – sem esquecer “Smoke + Mirrors” e “Nightvision”, sempre mantendo a pujança a que habituaram o público português. Dan Reynolds pôs os muitos fãs do grupo norte-americano em êxtase, com a intensidade de temas como o novo single “Believer”, a sempre potente “Demons” e “Radioactive”, que fechou o concerto com chave d’ouro. Emocionante ver as pessoas que em áreas mais distantes do palco saltavam, dançavam e sorriam ao som de “On Top of the World”, naquele que terá sido um dos grandes momentos do NOS Alive 2017. Acompanhado dos habituais timbalões e até um bombo, onde aproveita para libertar emoções pelo meio de várias canções, Reynolds entregou-nos a sua genuinidade habitual, tendo inclusivamente estado vários minutos deitado no palco de braços cruzados enquanto o guitarrista Wayne Sermon desbundava num solo que nos deixou de boca aberta. Curiosamente, esse momento musical é iniciado com “Seven Nation Army”, tendo o referido solo culminado no momento mais pesado do concerto, com “I’m So Sorry”. Os Imagine Dragons voltaram a deixar a sua marca neste festival, onde certamente irão voltar nas próximas edições, com um concerto à altura das elevadas expectativas aliado a um magnífico espectáculo iluminação cromática.

Uma passagem rápida pelo Palco Heineken, onde os Fleet Foxes apresentam o recém-lançado “Crack-Up”. Um concerto recheado de alegria, onde os intensos e profundos coros do vocalista Robin Pecknold nos levavam a mergulhar num imaginário de liberdade e emoção.

Bem antes do “primetime” habitual chegam então os cabeças de cartaz, os Depeche Mode, em mais uma paragem da Global Spirit Tour. Muitos fãs dos Imagine Dragons estavam ainda a matar a fome, levando a que a actuação dos Depeche Mode começasse ligeiramente desfalcada de público. Nada que afecte a energia de David Gahan, que há 37 anos dá a voz a este grupo com uma sonoridade absolutamente única, adereçado com imagens e grafismos criativos, numa arte que claramente não é para o gosto do comum mortal. Com a força do bombo e os ciclos dos sintetizadores, a banda de Essex percorreu o alinhamento ao seu estilo. Nota para um momento distinto em “Judas”, onde o guitarrista Martin Gore assume as rédeas da voz, acompanhado só ao piano. Nas filas da frente continua-se a cantar “You want my love” depois do fim do tema, levando o pianista a repetir os acordes desta canção. No entanto, fica a ideia que neste dia de festival estiveram significativamente mais fãs dos Imagine Dragons, pois é apenas quando chega “Enjoy the Silence” – o grande “hit” já a fechar a primeira parte – que se ouvem as vozes dos milhares de festivaleiros acompanhadas dos telemóveis a registar os momentos para a eternidade. E claro, para fechar só podia mesmo ser com a frase “Reach out and touch faith!”, seguida do lendário “riff” que é a imagem de marca de “Personal Jesus”, o grande sucesso da banda inglesa.

Tocam as 12 badaladas e as multidões dispersam pelo recinto. No Palco Comédia, cada vez mais acarinhado pelos festivaleiros, Salvador Martinha e o seu inigualável carisma fazem as delícias da multidão que invade a tenda depois do fecho do palco principal.
Por outro lado, no Palco Heineken tinha já começado um concerto muito aguardado: Cage The Elephant. No Porto, em 24 horas voaram os bilhetes para um concerto que estava pensado para o Hard Club e foi mudado para o Coliseu. E aqui no NOS Alive, os Cage The Elephant mostraram que quando cá voltarem, será provavelmente para o palco principal. O público vibrou ao som da banda de Kentucky, que chega ao NOS Alive com 4 discos na bagagem.
O público português fez ecoar todas as palavras de “Trouble”, “Come a Little Closer” (onde até houve direito a um pequeno “strip”…) e claro, “Cigarette Daydreams”. Uma coisa é certa: estes vieram para ficar.
Tal como os Cage The Elephant, também os The Avalanches tiram partido do fecho prematuro do Palco NOS, pois têm perante eles uma plateia que preenche o Palco Heineken e os arredores, com as batidas do Palco NOS Clubbing a soarem por entre as músicas. O grupo australiano traz “Wildflower” a Portugal e, com um estilo que mistura instrumentos “convencionais” com electrónica, electrizaram com muita energia e movimento a avalanche (!) de festivaleiros que queriam queimar os últimos cartuchos de mais 3 grandes dias.

Em jeito de balanço final, há que dar os parabéns a toda a organização, que todos os anos consegue subir a fasquia e reforçar o estatuto que este festival já conquistou a nível nacional e internacional. A crescente presença de imprensa estrangeira e o enorme número de festivaleiros das origens mais variadas é uma justa recompensa da qualidade apresentada – ano após ano – neste evento que se diz que traz um impacto estimado na região de 55 milhões de euros.
Sejam estes valores assertivos ou não, a verdade está à vista de todos: o NOS Alive já deixou a sua marca na história dos eventos nacionais e está cada vez mais a conquistar o panorama internacional. Que continue a ambição, mas que venha – no mínimo – mais do mesmo, porque é assim tão bom.

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