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NOS Primavera Sound: A montanha russa do segundo dia do festival

Primavera Sound

Texto: Tiago Pinto
Fotografias: Rui Oliveira

Segundo dia do Festival, para muitos o dia em que se faz uso pleno das potencialidades que este tem para oferecer uma vez que este dia se concretizou numa sexta-feira. A enchente fora notória, a peregrinação ao recinto visualmente mais impactante, tanto mais que se verificou que, a dias do início do Festival, a venda de ingressos para este dia em particular se haviam esgotado.

Os rituais permanecem idênticos, determinadas pessoas decidem aproveitar para conhecer o espaço, passear pelo recinto enquanto já alguns artistas actuam, outros posicionam-se no espaço reservado à actuação de cada um dos artistas que compõem o alinhamento da edição de 2017.

O calor ainda se abate, os dias soalheiros permitem que todos desfrutem do parque. Aguardou-se o disparo que marcou o início das actuações dos artistas que por aqui passaram e compuseram o alinhamento deste segundo dia.

Encontrando-se o festival a fazer uso de todas as suas componentes, com a entrada em funcionamento dos remanescentes dois palcos, inactivos no dia que muitos apelidam de warm-up, escutam-se os primeiros sons provenientes dos mais distintos espectros do universo musical.

Havendo-se manifestado impossível assistir a todas as actuações, pelas mais que conhecidas sobreposições de horários, eis o que temos para vos relatar:

Australianos de renome, os psychedelic-rockers Pond estiveram de regresso. Havendo passado pelo Vodafone Paredes de Coura 2016, e já anteriormente actuado no Primavera Sound, o seu excentrismo e exotismo fizeram com que muitos se amontoassem diante o Palco Nos para assistir à sua actuação. Com um novo álbum na sua bagageira, a saber “The Weather”, lançado no presente ano, Nick e os companheiros voltaram à carga ao promover mais um concerto repleto de animação e entusiasmo.

Foto de Imagem do Som.

A tarde estava deveras propicia a abancar no relvado e consumir umas cervejas. Sendo esta a prática dominante, os Whitney subiram ao palco Super Bock e acompanharam o estado de relaxamento e pacifismo que se encontrava assente no recinto. Guitarradas suaves e voz melódica fizeram deste concerto uma excelente companhia para um final de tarde soalheiro. Haviam conquistado o público português aquando da sua passagem pelo Vodafone Paredes de Coura e novamente o fizeram.

Foto de Imagem do Som.

Uma das artistas mais aguardadas nesta edição, havendo em tempos encantado os que assistiram aos seus concerto em território nacional, Angel Olsen subiu ao Palco Nos, entoou as suas lyrics adornadas de saudosismo, nostalgia e algum pesar, mas incessantemente arquitectado com um instrumentalismo celeste, ideal para a mensagem que pretende transmitir e primoroso. Novamente, com muitos sentados no espaço verde que circunda o Palco Nos a absorver esta atmosfera de intimismo que a artista habilmente cria, Angel Olsen soube cativar.

Foto de Imagem do Som.

Já passavam das 22H00, muitos já se haviam aventurado na praça da alimentação a forrar o estômago, outros adoptaram o mesmo comportamento, mas decidiram deslocar-se ao exterior do festival e organizar jantar com o que trouxeram de casa.

Tudo preparado para a continuidade das festividades. Foi a vez de Bon Iver subir ao Palco Nos e justificar, em parte, o porque de os ingressos para este dia haverem esgotado. Justin Vernon e companhia provocaram uma enchente nesta zona do recinto. Os vibes folk, a voz harmoniosa, os adereços e elementos empregues na sua actuação, fizeram deste concerto um dos pontos altos da edição 2017 do Nos Primavera Sound.

Uma setlist composta de sonoridades provindas desde os seus mais antigos trabalhos, até aos mais recentes, arrematando com a para sempre única e singular Skinny Love, Bon Iver perdurará na memória de todos os que aqui se encontraram a assistir à sua exibição.

Posteriormente foi a vez de Skepta, lamentavelmente coincidente com Hamilton Leithauser, músico e rapper oriundo das terras de Sua Majestade, ocupar o Palco Super Bock. Não descurando da importância dos visuais para possibilitar uma experiência mais vincada por parte do público, os seus ritmos e batidas fizeram festa neste espaço do Festival.

Foto de Imagem do Som.

Deverá ter sido a escolha mais árdua a ser tomada por parte dos festivaleiros. Estar diante do génio da música electrónica experimental e ambiente Nicolas Jaar, ou entregarem-se de corpo e alma ao rock de peso, ímpeto e vigor dos australianos King Gizzard & the Lizard Wizard. Ambas as escolhas eram igualmente válidas, mas decisões tinham de ser executadas e decidimos assistir à performance magistral de Nicolas Jaar.

Desconhecendo terras mais a norte, uma vez que sempre que agracia Portugal com a sua presença desloca-se à capital, o músico presenteou os que se encontravam perante ele, envolto num cenário de misticidade, uma live performance digna de se perpetuar por muitos anos e ser considerado um marco do Nos Primavera Sound. Desde a agitação com The Governor, até ao “baixar da cortina” com a apreçada Space is Only Noise if You Can See, o nova-iorquino não frustrou as altas expectativas estabelecidas aquando da sua confirmação na presente edição e, certamente, não suscitou em ninguém o sentimento de arrependimento e remorso por não haverem assistido à actuação da banda coincidente, em termos de horário.

Foto de Imagem do Som.

A noite já ia longa, muito já se havia desfrutado, muitos sons e experiências já se haviam degustado, mas para muitos chegara a altura de se despirem das suas inibições e servirem-se dos seus derradeiros cartuchos de energia com os timbres electrónicos que assolaram o palco Pitchfork, muitos conscientes de que, terminando o tacho oferecido pelo Festival nos quatro pontos do recinto, a festa seguiria, uma vez mais, para o estabelecimento Industria.