Vagos Open Air – O Adeus ao Vagos Open Air

Vagos Open Air  – Não serão petições nem argumentos e muito menos insultos que irão reverter a decisão tomada pela organização

Por PEDRO SIMÃO

Vagos Open Air

Tendo-se já afirmado como o festival mais importante do Heavy Metal nacional, o VOA assume-se como um ponto de encontro para “metaleiros” provenientes de todo o país. Mais ainda, é um marco para alguns estrangeiros, nomeadamente espanhóis, ingleses e alemães. Para muitos, o primeiro fim de semana de Agosto já estava destinado para a deslocação a Vagos no âmbito de assistir a uma série de concertos de algumas das melhores bandas deste estilo musical.

Apenas contextualizando, o VOA surgiu em 2009, tendo-se sediado, inicialmente, no campo de futebol da Lagoa de Calvão. Logo nesse ano, ainda sem possuir um nome concretamente definido, atraiu mais de 3500 visitantes nos dois dias. Com um crescimento tão acentuado, aliado a um sucesso exorbitante, em 2013 a organização decide reposicionar o festival, alojando-o na Quinta do Ega. Por outras palavras, o VOA passa a ter lugar no centro de Vagos, facilitando, assim, os acessos, a mobilidade, o alojamento e a obtenção de bens para os demais festivaleiros. Portanto, diga-se, uma alteração pouco significativa do local, uma vez que se mantém o nome do evento, estando este conjugado com o local onde efetivamente ocorre.

_MG_0827__1200 _imagemdosom.ptNo entanto, 2016 dita um novo rumo para este festival. Mais concretamente, o Vagos Open Air “voa” para a Quinta da Marialva, em Corroios. Segundo a Prime Artists, a empresa organizadora, esta mudança representa uma: “uma mudança estratégica de localização para a área de Lisboa e o desenvolvimento de uma nova identidade”. O evento irá acontecer, igualmente, nas mesmas datas, mantendo, assim, essa conjetura.

Numa análise mais crítica, constata-se que, na generalidade, os festivaleiros não ficaram agradados com esta alteração. A quantidade de comentários e de apupos foi-se alastrando pelas redes sociais, repudiando esta decisão. O grupo de metaleiros que já se tinha familiarizado com o local, juntamente com os que residem relativamente perto do evento, bem como os estrangeiros que se deslocavam assiduamente ao “Vagos” têm mostrado o seu extremo desagrado. Outro fator que também não atenua as hostes é a conservação do nome “VOA” independentemente da alteração de local.

De referir que, segundo a Câmara Municipal de Vagos (CMV), a edilidade manteve-se em constante contacto com a promotora e “continuou a acreditar e a desenvolver todos os esforços e conversações no sentido da manutenção da realização deste Festival”. Primando pela justiça e pelo cumprimento de protocolos, a CMV visava satisfazer este compromisso, bem como outros já estipulados. Citando um comunicado da mesma, confira-se que esta: “cumpriu escrupulosamente todas as cláusulas e condições do contrato assinado com a Prime Artists relativamente à realização do evento em causa”. Mais ainda, tendo o Vagos Open Air um impacto tão significativo na economia local, era expectável e, aliás, já se encontrava anunciada e estipulada a continuidade do evento na Quinta do Ega.

_MG_2911__1200aaaa _imagemdosom.ptJá a Prime Artists aponta que ocorreu um incumprimento de promessas, justificando um constante deteriorar de relações com a CMV. A organizadora acrescenta que se tornou insustentável a continuidade do projeto, remetendo para a alteração de local. Contudo, esta informação é reiterada pela CMV, reforçando que: “é a própria Prime Artists que, em 2014, em declarações à Lusa, afirma que o evento cresceu e que passou de 3500 visitantes em 2009, para 16500 em 2014”.

Em termos éticos, a transladação do Vagos Open Air dita a perda de um público-alvo fixo, o que tem fomentado incessantes comentários de discórdia. Não serão petições nem argumentos e muito menos insultos que irão reverter a decisão tomada pela organização. A procura de um público em quantidade sobrepôs-se à consolidação de um grupo de festivaleiros que iriam certamente deslocar-se ao evento, fosse pela presença das bandas ou simplesmente pelo convívio. Em sequência do raciocínio anterior, a proximidade geográfica com a capital do país funcionou efetivamente como um motor para a busca de novas oportunidades e de um novo sucesso.

Existe, efetivamente, uma quebra de relações entre as duas partes, o que tem indignado os destinatários do evento. A probabilidade de o festival “retomar” o rumo da sustentabilidade incrementa uma vez que a concentração de pessoas afeta ao Heavy Metal é significativamente superior no novo local. Contudo, a ausência de justificações plausíveis e a continuidade de utilização do nome “VOA” são sólidos argumentos que fomentam o desagrado de um grande leque de fãs deste estilo musical e, mais concretamente, deste evento em si.

 

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