O “quarto” mágico de Tim Bernardes

O CCB recebeu uma das novas figuras brasileiras mais acarinhadas em Portugal. Música que emociona e que dá que pensar, tal como Tim Bernardes fez na criação de “Recomeçar” no seu próprio quarto.
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Quinta-feira, noite amena em Belém e um espetáculo de Tim Bernardes praticamente esgotado no Centro Cultural de Belém (CCB). Pois bem, para quem não conhece o artista brasileiro, até pode ficar surpreendido com uma casa praticamente cheia. Agora, para quem segue o trabalho do vocalista de Terno, sabe que as músicas contagiam, ficam no ouvido, fazem chorar, estremecer, estoirar. E se isso acontece a cada verso do álbum “Recomeçar”, então ao vivo a experiência só pode melhorar (se isso for possível).

O concerto começou minutos depois da hora marcada. Tim Bernardes chegou ao palco, acenou respondendo aos fortes aplausos da plateia lisboeta e colocou-se à frente do piano. O espaço estava escuro, intimista e estava apenas presenciado por uma pequena luz de um candeeiro, iguais aos daqueles de ter por casa.

Sem interagir verbalmente, fixou os dedos no piano e aí percebeu-se que Tim ia começar com “Recomeçar”, provavelmente o tema mais angustiante e, ao mesmo tempo, o mais motivador de todo o álbum (com o mesmo nome, editado em 2017).

Na sua primeira intervenção com o público deixou a ideia do gosto que tem em visitar Portugal e que toda aquele palco lhe fazia lembrar o seu quarto, onde em 2012 começou a escrever as primeiras letras. Estávamos perante um quarto mágico de músicas tristes e igualmente bonitas. 

O artista foi trocando o piano pelas guitarras e vice-versa, apostando assim em diferentes versões das suas músicas mais aclamadas. “ Ela “, “Quis Mudar”, “Talvez” e mais umas quantas que encantam. Sobretudo o sexo feminino que preenchia grande parte das cadeiras do CCB. 

A força nas interpretações são sentidas em todas as músicas sem excepção. Tim Bernardes é uma força da natureza, especialmente com o seu farto piano dando mais poder à voz de um jovem maduro de 27 anos.

Tim Bernardes ainda teve a gentileza de oferecer alguns temas dos Terno, banda da qual é vocalista no Brasil. “Volta” foi uma das mais pedidas e o músico fez-lhes a vontade no encore. Antes disso apostou em algumas versões curiosas, relembrando o seu gosto por músicas dos anos 60 e 70: Black Sabbath (“Changes”) de Jorge Ben Jor (“Que Nega É Essa”) e uma de Jards Macalé (“Soluços”). A impressão que fica é que todas as músicas, com o cunho de Tim Bernardes, podem ainda ficar mais espetaculares.

Tim ainda exprimiu a sua paixão pela sala ampla do CCB, que entre risos, comparou à atuação que fez no Estádio Maracanã para a abertura de Los Hermanos. Também arranjou tempo para agradecer a Salvador Sobral e os Capitão Fausto pelas participações em versões das suas músicas que foram saindo das plataformas digitais durante a última semana.

Foi também a última música uma versão mais recente, neste caso de Gal Costa com o tem “Realmente Lindo”. Que será a forma correta de descrever estas quase duas horas com música que aquece mas destrói, que arrefece mas junta. Há quem tenha chorado, quem tenha ficado sem fôlego. Certo é que ninguém ficou indiferente a tamanho concerto.

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