O Sol da Caparica 2019: O segundo dia

O fado e o funk partilharam o protagonismo no segundo dia do festival.
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A brisa que se fazia sentir durante a tarde, no parque urbano da Caparica, convidava-nos para um final de tarde agradável e descontraído. Depois de um café forte, para aguentar as emoções vividas no primeiro dia, era tempo de explorar o recinto.

Além do skatepark e dos palcos dedicados à música, o recinto conta com um palco Licor Beirão, dedicado à comédia e o palco Dança by Next, onde podemos ver performances de dança por algumas das melhores crews nacionais.

Por volta das 17h, Diana Lima, nome jovem da música portuguesa, subia ao Palco Fullest, para delírio do público, que mostrou que já conhece bem o trabalho deste novo talento. Apresentou vários temas com uma pop actual, que vai buscar um bocadinho de R&B. Deu especial destaque a “Se Tudo Mudar”, com letra e produção de Diogo Piçarra.

© Joana Ruth

Diana Lima Galeria Completa

A onda de novos talentos continuava no Palco Fullest, desta vez com as Lookalike, nome artístico das gémeas Sofia e Carlota, que apostaram em “Mountains” de Agir e Carolina Deslandes, para puxar para si o público que andava pelo recinto. Acompanhadas por uma banda muito coesa, tiveram liberdade para arriscar. Intercalaram covers com temas originais como “Acabou”, o seu single de apresentação.

© Joana Ruth

Lookalike Galeria Completa

Depois foi tempo de viajarmos para ritmos mais populares e maduros. Dany Silva, músico cabo-verdiano, que já conta com 40 anos de carreira, pôs todo o público a dançar e a desfrutar, enquanto revelava “um carinho especial pelo Semba” e pelos ritmos angolanos. Houve “farra” na Caparica.

© Joana Ruth

Dany Silva Galeria Completa

Depois da farra, as atenções estavam colocadas no Palco Sagres, onde o cenário de Luísa Sobral estava preparado para receber a artista. Começa com “Nádia” e “Benjamin”, tema que revela ter composto durante a sua segunda gravidez.

Houve tempo para partilha e para dançar. A artista que se congratula por ter encontrado “3 músicas divertidas, em 5 álbuns” aposta numa versão “ainda mais divertida” de “Engraxador” e enche as medidas do público, que a recebeu de braços abertos.

© Joana Ruth

Luisa Sobral Galeria Completa

Depois foi tempo de “Só um Beijo”, tema que na sua versão original tem a participação do seu irmão Salvador, mas que aqui contou com a voz de Manuel Rocha. Músico que acompanha a cantora a compositora nesta sua Tour “Rosa”.

Depois foi tempo de contar histórias. Revelou que “Dois Namorados”, nasceu de uma história de amor, daquelas que estamos habituados a ver nos filmes antigos, a preto e branco. Maria e Armando conheceram-se quando tinham 7 e 6 anos de idade, respetivamente. Estávamos em 1942. Ela casou, depois enviuvou. Ele esperou por ela uma vida inteira. Cruzaram-se 68 anos depois e apaixonaram-se. Luísa diz que o que a levou a compor o tema foi uma revelação ternurenta de Maria: “Dormimos tão juntinhos, tão juntinhos, que eu deixo de saber quais são os meus pés e quais são os dele.”. O público derreteu.

Termina com “Xico” e deixa cheios os corações de quem marcou presença à frente do palco principal.

O relógio apontava para as 20h45m quando os portugueses “The Happy Mess” sobem ao palco Fullest. A banda que junta rock e uma electrónica pop, a fazer recordar os anos 80, manteve o público cheio de energia do príncipio ao fim.

© Joana Ruth

The Happy Mess Galeria Completa

Depois foi a vez de Luís Represas. O músico que se apresentou com a sua banda no palco Sagres não esqueceu nenhum dos maiores êxitos. Nem o público. Foi acompanhado em uníssono em “Hora do Lobo”, “As Ruas da Minha Cidade”, “Feiticeira” e “Ser Poeta”, onde dá voz ao poema de Florbela Espanca.

O artista que agradece a realização de um festival “como este, onde se celebra a Lusofonia, onde se juntam famílias”, manteve o público preso às filas da frente, sem deixar de recordar o tema dos Trovante, “Saudade”, que faz parte do imaginário de todos nós.

© Joana Ruth

Luis Represas Galeria Completa

Fred Ferreira, músico que integra os Orelha Negra, agora apresenta-se em nome próprio, como Fred. O artista trouxe uma nova realidade musical ao palco Fullest. Apresenta-se na bateria, ao centro do palco, acompanhado por um jovem guitarrista e um jovem teclista. Mergulha nos instrumentais e nas misturas, criando uma sonoridade muito própria e interessante.

© Joana Ruth

Fred Ferreira Galeria Completa

A noite continuava quente, com Carlão a fazer saltar o público que estava presente na Costa da Caparica. Apresentou um espectáculo electrizante com temas como “Entretenimento”, “Agulha no Palheiro” e “Na batalha”. Houve tempo para um momento mais calmo, “Na Margem”, onde é acompanhado por Bruno Ribeiro, dono de uma voz que, a curto prazo, certamente se vai afirmar no panorama nacional.

Depois, foi tempo de “Bandida” e “Viver Pra Sempre”, onde contou com a participação especial dos jovens “Porbatuka”. Para loucura dos fãs que já leva consigo desde os tempos de Da Weasel, termina com uma nova versão de “Dialectos de Ternura”.

© Joana Ruth

Carlão Galeria Completa

A encerrar as actuações do Palco Fullest, estiveram os Jafumega, que nos fizeram viajar no tempo até aos anos 80 e mostraram que a idade não passa por eles. Contaram com muito público com vontade de dançar e recordar. Dedicaram “Homem da Rádio” a todos aqueles que fazem rádio neste país e relembraram que é muito é muito fácil dançar com “Romaria”.

© Joana Ruth

Jafumega Galeria Completa

Mariza, um dos nomes mais esperados, sobe ao palco principal para loucura do público que já aguardava por si, há muitas, muitas horas. Começa com “É mentira”, “Sou (Rochedo)” e “Quem me dera”, onde puxou pelas vozes de todos, até dos mais tímidos.

Ouvem-se os primeiros acordes de “O melhor de mim” e o público reage efusivamente, mostrando que Mariza não é só um dos maiores nomes do fado nacional, mas também um dos mais acarinhados.

© Joana Ruth

Mariza Galeria Completa

A artista que se agiganta a cada interpretação, trouxe-nos a sua versão de “Rosa branca” e depois “Chuva” que refrescou a noite de todos os presentes. Desce do palco e termina com “Gente da minha terra”, no meio do público, fazendo questão de caminhar até onde lhe era possível, para cumprimentar, em jeito de agradecimento, todos os presentes.

O final do dia estava reservado para o funk. Seu Jorge, um dos grandes nomes da música brasileira, subiu ao palco perto das 00h40m. Inicia o espetáculo com temas conhecidos como “Amiga da minha mulher” e “Mina do Condomínio”. O artista trouxe o funk, mas também trouxe o samba, e trouxe o reggae. A guitarra não o impediu de sambar e de mostrar que os ritmos brasileiros estão-lhe na alma.

© Joana Ruth

Seu Jorge Galeria Completa

Com cerca de 1h30 de concerto, Seu Jorge apresentou-se em grande plano, deixando o público ansioso pelo seu novo trabalho, que irá sair brevemente.

O segundo dia do festival da Caparica encerrou com “I Love Baile Funk”, mantendo a chama do Brasil acesa pela noite dentro.

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