O trap obrigou-se a fazer vénia à queen Janelle Monae – 3ºDia do SBSR

No terceiro e último dia de Super Bock Super Rock, os Migos eram o grande cabeça de cartaz e deram conta do recado do entretenimento. Profjam e Mike El Nite foram as grandes referências nacionais num dia do melhor concerto do festival: a incrível Janelle Monae.
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O sol estava bem alto, as pessoas começavam a chegar ao recinto. Um público bem mais jovem do que nos dias anteriores: enquanto o primeiro e segundo dia tiveram Lana Del Rey e Phoenix como cabeças de cartaz, respetivamente, e um grupo mais diversificado de faixa etária. A maioria vinha à procura do recente e imersivo trap ou outras influências de rap. Este era o dia ideal para isso: os fogosos Migos ou as pérolas nacionais Profjam ou Mike El Nite anteviam espetáculos com a já tão óbvia pirotecnia. Mas foi ao som do simples Rubel que o SBSR de sábado começou.

Simplicidade é mesmo o adjetivo mais correto para descrever o que o artista brasileiro constrói com a sua música. Com uma enorme banda, com direito a bateria, teclado, baixo, guitarra elétrica. Ao centro Rubel com a sua guitarrinha oferecia músicas quentes e sensíveis, bem adequados ao forte sol que caía na cabeça dos festivaleiros. “Quando Bate Aquela Saudade”, aquele que é o grande hit de Rubel foi claramente a música mais ecoada pelos fãs do brasileiro. Aquele dia começava a prometer.

Passando ao palco principal com o concerto de Profjam, um dos artistas nacionais com mais hype do momento, no palco LG os portugueses TNT davam sonoridades de rock e rap a um público que procurava o trap mas se ia entretendo com aquele modelo.

Às 19h30, hora do começo do concerto de Profjam, percebeu-se que a afluência era muito maior que no dia anterior. A organização falou em 30 mil visitantes neste terceiro dia e uma moldura gigante já constava no concerto do português. “Prof” estava acompanhado por um baterista e o icónico Mike El Nite no deck (o artista que mais tarde encheu o Palco Somersby). Não esquecendo nenhum dos seus principais sons que o colocaram na berra, o grande momento da hora de concerto foi para o tema “À Vontade”, quando o rapper chamou a mãe a palco para lhe dedicar a música, deixando uma mensagem muito forte: “Eu só estou aqui a tocar hoje graças a ela e ao meu pai. Vocês também só estão aqui a assistir graças a eles! Quando eles envelhecerem, cuidem deles”.

© Melissa Vieira

Profjam Galeria Completa

De volta ao palco secundário, Masego dava amor na ponta do seu saxofone. Música feliz e acompanhada por músicos também eles felizes, o autor de ‘Tadow’ ou ‘You Gon’ Learn Some Jazz Today’, consegue ritmar o jazz, os blues e o R&B de formas totalmente desconcertantes. É impossível não vibrar e dar um pé de dança neste modelo do jovem norte-americano, que tocou praticamente todas as músicas do seu primeiro e único álbum editado. Um nome a apontar para futuros festivais em 2020.

© Melissa Vieira

Masego Galeria Completa

Às 21h30, infelizmente hora de aconchegar o estômago, as bancas de restauração enchiam-se de enormes filas. Também nesta hora era o começo do concerto que a incrível Janelle Monae. Multifacetada, não escolhesse o funk, soul, R&B e rock como alguns dos estilos usados nos seus temas, a hora de concerto de Monae entrou em diretrizes que nem o público que estava à espera de Migos e estivesse ali a assistir, ficasse indiferente.

Alterando três vezes de vestimenta, nota-se uma certa extrencidade no look que se desfaz rapidamente quando a ouvimos em conexão extrema com a sua banda: ela é moon walk à Michael Jackson, moves à Prince. As referências estão lá, depois Monae constrói o espetáculo à sua maneira. Tempo ainda para mensagens fortes de pro-imigração, pro-LGBT e um selo de anti-Trump.

Uma mulher da moda que é uma rainha em todos os planos naquele que foi provavelmente o melhor concerto do Super Bock Super Rock deste ano.

© Melissa Vieira

Janelle Monae Galeria Completa

Pouco mais de meia hora depois, e com muito mais pessoas a compor o céu aberto, entravam os Migos em ação. Quavo, Offset e Takeoff são família – os dois primeiros são primos, o último é sobrinho do primeiro.

Eles são conhecidos como os “memes da era do hip hop” e há razões suficientes para os descrever dessa forma. Primeiro porque as músicas entretêm, tal como os memes. Segundo porque todo o espetáculo à volta do concerto em si é também ele muito visual – há chamas, gelo seco. Tudo para entreter nos espaços certos, lá está.

Durante a hora de concerto, as imagens nas tvs ao lado do concerto, mostravam fãs em êxtase e a cantar as músicas de cor e com a mesma pujança do trio.

Em ‘Walk It Talk It’ o descalabro completo no que toca a ritmo e braços no ar – a festa excedeu-se por toda a Herdade do Cabeço da Flauta, numa promessa que Migos cumpriram e bem na primeira presença em Portugal.

© Melissa Vieira

Migos Galeria Completa

No Palco Somersby, Mike El Nite abria o recinto a altas horas. Não com muitas pessoas mas com as suficientes, até porque os Migos ainda partiam a louça no palco principal, Nite apareceu totalmente de amarelo pronto para dar nas vistas.

Com o álbum “Inter-Missão”, editado o ano passado, o artista foi de música em música contagiando mais público. E como se isso não bastasse, ainda contou com participações especiais de Pedro Mafama e Profjam, que tinham actuado horas antes ainda com o sol no alto. Claro que todos esperavam por Dr. Bayard, o tema que já se tornou um clássico do trap nacional. Mike El Nite apareceu no palco com uma camisola do Estrela de Amadora vestida (patrocinada por Dr. Bayard, claro está) e um saco gigante de vários quilos de rebuçados para distribuir durante os minutos da música. Festa de qualidade e boa para a tosse, sem dúvida!

A fechar a noite no palco principal estiveram os Disclosure, eles tal e qual como o festival, estiveram na última edição do Meco em 2014. Esta versão, cinco anos depois, acaba por ser menos contagiante. Além da versão DJ Set oferecer menos espetáculo que a sessão normal do duo, a banda também não está no seu boom como acontecera há uma mão cheia de anos. Mesmo assim, músicas como “F for You” ou “When a Fire Starts To Burn” deixam o público a ritmos diferentes, impossíveis de dançar e abanar o esqueleto. Foi assim com todos os hits, até não dar mais.

© Melissa Vieira

Disclosure Galeria Completa

O SBSR volta em 2020, novamente no Meco, nos dias 16, 17 e 18 de julho. E a Imagem do Som promete estar lá para o viver!

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