Oh Happy Night!

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As expectativas estavam no alto: um dos melhores grupos de Gospel do mundo tinham o concerto esgotado na Sala Suggia da Casa da Música. Esperava-se magia, vibração, alma… E quem lá esteve conseguiu isso, e muito mais.

A par da noite fria que se fazia sentir no exterior da casa que tanta música traz aos portuenses, demorou a que o público se fizesse sentir. Numa primeira parte completa de música original da banda, sentiu se o esforço por parte dos músicos a quebrar o gelo. “We love Portugal!” dizia uma das cantoras, conseguindo a primeira onda de calor da noite.
De música em música sentia-se a energia a aumentar e os casacos a cair. Houve também espaço para momentos mais calmos onde a ligação com o público se ia intensificando. Sentiu-se aos poucos o cair da barreira plateia-palco, e uma sensação de unificação ia-se espalhando pela sala. A tal magia estava a ser convocada…
Após um curto intervalo, o prometido e, para muitos, tão esperado momento, chegava – era a hora de cantar, saltar e gritar músicas da Rainha B’! Sim, falo claro do mais recente tributo prestado pelos Harlem Gospel Choir, a uma das artistas Pop mais aclamadas do séc. XXI: Beyoncé Knowles. Quem já era fã da, também, americana, sentiu com certeza que o nome da sua diva foi respeitado, e até elevado, durante a segunda parte deste concerto; já quem não era, possivelmente foi para casa ouvir as versões originais e caiu na desilusão.
Não caindo no erro de adaptar apenas os seus hits – 30 anos de experiência traduzem-se em boas decisões – o coro nova-iorquino conseguiu fluir dos seus próprios originais para um reportório menos conhecido de Beyoncé, quase sem que ninguém desse por ela. Mantendo o ritmo e a suavidade da melodia que tanto os caracteriza, deixaram a sua marca definitiva em “Listen”, ou “Dangerously in love”, temas que fizeram arrepiar até o espetador mais insensível.
Para finalizar em grande, e na boa tradição Gospel, mais de vinte pessoas se juntaram à banda em cima do palco para uma ultima celebração. Aí, não tínhamos só uma Casa da Música aquecida, mas já a suar de alegria.
As fotografias são do Igor de Aboim: