Orquestra Clássica do Centro acompanha Jorge Palma no Coliseu do Porto - Imagem do Som
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Orquestra Clássica do Centro acompanha Jorge Palma no Coliseu do Porto

Noite quente dentro e fora de uma das salas mais emblemáticas da invicta. Mesmo no fundo da plateia, o público do norte conseguia escutar (quinze minutos antes do concerto começar) as últimas afinações da Orquestra Clássica do Centro.

Abrem-se as cortinas, entra o Maestro Rui Massena e a orquestra já afinada dá início a uma introdução instrumental para o espectáculo da noite. Palma entra em palco e não perde tempo a pedir: “põe-me o braço no ombro, eu preciso de alguém”. Alguém? Jorge, tens o coliseu cheio a acompanhar-te, não estás frágil, estás ágil.

O som na sala estava longe da perfeição no primeiro tema e a pecar em quantidade (as palmas do público ainda moderadas pareciam ensurdecedoras, dada a falta de intensidade sonora: possivelmente um difícil desafio o de fazer som numa sala já tida com uma acústica complicada, hoje a misturar uma banda “rock” com uma orquestra). Foi talvez este o “Lado Errado da Noite”, o que não impede Jorge Palma de pedir lume e caracterizar o momento como: “noite maravilhosa”.

” é a quarta canção da noite a embalar o público do coliseu que se adivinhava desejoso de cantar e de se fazer ouvir. Mas ainda não era o momento. Depois de “O Meu Amor Existe” e de “Passos em Volta”, entramos nas profundezas do mar: “Estrela do Mar” revela o mais interessante arranjo escutado até aqui, com o protagonismo dividido entre o piano, os sopros, as cordas e a percussão.

Dois previsíveis acasos: a “Canção de Lisboa” é tomada de assalto pelas palmas das gentes do norte, no refrão; ao fim da música, Jorge Palma declara – “é o melhor público do mundo”. Não Jorge, depois dessa declaração não segues tranquilo a tua setlist…e salta Jorge, e salta Jorge olé, olé” – missão cumprida, Palma levanta-se do piano, vem ao fundo do palco e brinda a plateia com o salto requisitado, valeu.

Depois de “Bairro do Amor”, tempo do anfitrião da noite abandonar o piano e passar para a guitarra acústica: canta “Jeremias, o Fora da Lei”. Se alguém dormia sossegado, acordou: também há rock nesta noite (e agora sem orquestra).

Já com a banda apresentada (entre os músicos, Vicente Palma, filho de Jorge Palma) é tempo de uma confissão: “isto não seria possível sem a maravilhosa presença da Orquestra Clássica do Centro e do Maestro Rui Massena”. O Porto aplaude e faz-se ouvir em “Encosta-te a Mim

Fabuloso momento instrumental da noite que culmina em tons de suspense para a canção que se aproxima (evidencia-se a notória direção artística de Rui Massena): “Deixa-me Rir” é mais um êxito a esboçar satisfação nas bancadas do coliseu que aplaude simpaticamente a equipa técnica apresentada por Palma. Estamos a chegar ao fim. Onde? Em “Portugal, Portugal”. Finalmente: o ambiente e a envolvência recriada pela orquestra nas canções foi válida e assertiva, mas o público esperava esta força e intensidade para a última canção da noite. E que força, que exaltação. E pode ser que ainda venha mais…

Depois de “Passeio dos Prodígios” e “Terra dos Sonhos” com Palma ao piano e à voz, os aplausos do público são suficientes para “ir buscar” o maestro para palco outra vez. Palma tratou disso, aliás, foi buscar o maestro que havia dentro de si, mandando Rui Massena para o piano. Massena passa a sua batuta para as mãos do cantor que afinal, já trazia uma religiosamente guardada numa caixa. Palma não dirige a orquestra por mais de vinte segundos, dirigindo-se ao piano para junto de Rui Massena: acontece um cativante improviso a quatro mãos, o público levanta-se para aplaudir. Levanta-se para aplaudir aqueles que afirmam que vão continuar enquanto houver estrada para andar. Continuem: pela celebração, por algumas das mais marcantes canções genialmente compostas na música portuguesa, de sempre, para sempre.

 

Texto: Alexandre Carvalho

Fotografias: Igor de Aboim

 

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