Patrick Watson sonha e a obra nasce

Patrick Watson tem um dom celestial de musicalidade e elegância que lhe permite criar bandas sonoras emocionais para um público transversal.
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O canadiano Patrick Watson colonizou as ultimas duas décadas da música com os seu falsete, dotes de piano e magia de orquestração. Visita regular do nosso país, regressou ao Porto a 24 de fevereiro de 2020 para promover o mais recente álbum “Wave”, editado em outubro de 2019.

Descrito pelo próprio como aprendizagem de flutuação pela vida, o álbum marca uma reconciliação do musico consigo próprio e um realinhamento com a dinâmica do universo.

A Casa da Musica estava esgotada há meses para assistir a um espetáculo que apesar de se antecipar imperdível conseguiu superar as expectativas. Watson subiu ao palco acompanhado por um conjunto de músicos exímios, porque talento atrai talento, e nenhuma obra prima se alimenta de concessões à mediania. A sua aparência é confundível com os estereótipos do cientista louco ou do maestro que engoliu a própria musica, mas não há etiqueta para genialidade.

Wave” foi tocado na integra, apenas interpolado por dois intrusos: “Slip Into Your Skin“, resgatado ao premiado “Close to Paradise“, e “Hearts“, extraido do antecedente “Love Songs For Robots“.

O alinhamento começou por seguir a cartilha do álbum, confirmando a sua vocação conceptual. Abriu com o balanço contagiante do single “Dream For Dreming“, escorregou para a soberba planação de “The Wave“, que foi subindo e subindo até pousar na suavidade etérea e estratosférica de “Strange Rain“. A patine flamenca de “Melody Noir” criou uma tensão de sensualidade angustiante e de difícil libertação. “Wild Flower”, Turn Out the Lights” e “Broken” seguiram a ordem inversa à do disco, apostando numa progressão de sensações crescente, da tranquilidade à inquietação, e desta à interrogação insistente: “Do you feel a little broken? Do you feel a little broken?“. A ordem restableceu-se com “Look at You“, que caminhou ao encontro do romantismo sonâmbulo de “Drive” e desaguou na magnifica “Here Comes The River“, um hino entre a resignação e a esperança, com arranjos de outra galáxia.

O primeiro encore repristinou “Big Bird in a Small Cage” e o hino “Adventures in Your Own Backyard“, e o segundo revisitou o clássico dos The Cinematic Orchestra “To Build a Home“.

Patrick Watson tem um dom celestial de musicalidade e elegância que lhe permite criar bandas sonoras emocionais para um público transversal. E a miscelânea de quem vai para ver e quem vai para ser visto, funde-se no seu apelo ao instinto primordial do sentir.

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