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Primavera ’17: Depois de Justice… fez-se festa-até-ao-sol-raiar

Na primeira noite do NOS Primavera Sound, os Justice expeliram um vibe de D.A.N.C.E que dominou todo o recinto do festival

Após uma debandada primaveril a marcar o início das festividades, eis que as portas do tão aguardado festival se abriram. Percorreu-se a entrada, absorveu-se a energia e o espírito festivaleiro aqui tão vincado e cada uma das pessoas que por cá se encontrou neste primeiro dia de warm-up tomou as suas opções de como melhor aproveitar o Nos primavera Sound.

Mantendo-se fiéis ao espaço e aproveitamento do mesmo, disposição das “zonas” e demais elementos que caracterizam este festival, uns decidiram inspeccionar o que as barracas e stands tinham para oferecer antes de rumar aos palcos em actividade, outros optaram por saciar a fome e sede sentida antes de desgastarem energias com os concertos programados que os esperaram, outros deslocaram-se directamente para os espaços verdes que compõem os dois cenários onde os artistas actuaram e, num estado de descontracção e relaxamento, deitaram-se na relva a ouvir a escutar os sons que cobriram estes sectores do recinto.

Tomou as rédeas, na abertura da edição 2017, o artista português Samuel Úria. Continuando a dar destaque ao melhor que a musicalidade portuguesa tem para oferecer, não só os conterrâneos dos artistas lusos, como igualmente todos os que vestem o manto de nacionalidade estrangeira apreciaram as melodias que melhor representam e compõem o ambiente de mansidão que aqui se vislumbrou. Com um novo trabalho na bagagem que o acompanha, Samuel exortou vibrações de natureza lo-fi e teceu uma atmosfera aconchegante e sentimental.

Após a sua recente passagem pelo Vodafone Paredes de Coura 2016, os Cigarretes After Sex ocuparam o Palco Nos, entoando a sua voz melodiosa e fascinando os muitos que já ocupavam o recinto do festival. Um muito adorado cenário de dream pop moveu e despertou o lado mais saudosista dos que aqui se instalaram. Não pecaram por defeito, enaltecendo o que de melhor este festival tem para oferecer. Uma mensagem de pacificidade transmitiram, uma paz anestesiante promoveram.

Seguidamente, foi a vez de uns tais de Scott Mathews & Rodrigo Leão. Em jeito de “quebrar o gelo” e estabelecerem empatia com o público, afirmaram o seguinte: “Vocês não sabem quem nós somos, pois não?”. Por entre as guitarras e bateria, trouxeram-nos reverberações de suavidade, sempre exprimindo energias positivas.

Seguiu-se Miguel, promovendo a alternância do público entre os dois palcos que se encontraram em funcionamento neste primeiro dia do Primavera. Entre aplausos e aclamação, munidos de visuais, interpelando o público de modo a obter reações de entusiasmo, o californiano encheu o palco Nos de ritmos e batidas. O R&N não ficou olvidado, a sensualidade do vocalista não conheceu reservas, a dinâmica grupal não manifestou atritos, assim se destacando na memória de todos os que assistiram à sua actuação.

Provocaram uma avalanche de euforia e júbilo aquando da sua estreia em território nacional na edição do Nos Primavera Sound de 2015. Voltaram para marcar pela diferença e obter por parte do público reacções de exaltação e promover danças efusivas articuladas com o hip-hop eletrónico que iam apresentando no decurso da sua actuação. Foram eles o dinâmico duo Run The Jewels. Sempre com postura irreverente, Com uma intro dos queen assim retornaram a saudar o público luso. Sem descurar nos adereços característicos, o êxtase exuberante assolou todos os que seguiram as lyrics dos rapers. Sem cederem ao cansaço, conseguiram honrar os pilares que os moldam enquanto performers.

Poder-se-ia dizer que a noite já ia longa mas não nos deparamos com esse estado de espírito. Comprovou-se uma vontade de que a noite perdurasse e que mais bandas entrassem em acção, por forma a que o sentimento de aproveitamento e desfrute se prolongasse e vingasse neste primeiro dia.

Seguiu-se Flying Lotus, o mestre experimentalista que exibiu perante o público a sua destreza no controle e articulação de instrumentos e sons, possibilitando a aquisição de uma experiência sensorial em pleno e sem reservas. Localizado entre dois painéis, exibindo um novo conceito de performance visual, este artista, embora não haja deixado uma marca deveras significativa na música que exteriorizou, demonstrou-se hábil e expedito a captar a atenção do público pela via visual. Flylo, como aprecia ser intitulado na praça, certamente voltará para, uma vez mais, roubar a atenção dos portugueses e corroborar o porque de ser o versado e experto por que se apresenta e titula.

A encerrar a abertura do festival, já havendo partilhado experiências com o público tuga, os Justice findaram o Palco Nos. Rasgos de sonoridades electrónicas, contagiantes e eruptivas levaram a que todos não fossem capaz de permanecer inquietos e aproveitassem para gastar os últimos cartuchos de energia que por hoje seria possível dispensar neste recinto. Os adereços visuais, tal como outros artistas se haviam munido deles, aqui não se demonstraram lacunosos, articulando meticulosamente os pesados e carregados sonidos electrónicos com uma exibição fascinante e cativante de luzes. Presenteando o público com o seu novo álbum, mas não descurando de clássicos que tornaram reféns milhares de adeptos, os Justice expeliram um vibe de D.A.N.C.E que dominou todo o recinto do festival.

Poder-se-ia dizer que a noite epilogou com o término da actuação da dupla francesa mas a verdade é que muitos ainda se deslocaram ao estabelecimento Indústria, local reservado, em estreia, a amparar as afters do festival portuense. Uma panóplia de sonâncias preencheu as quatro paredes da casa, possibilitando aos praticantes de “festa-até-ao-sol-raiar” bailar até ao soar da madrugada.