Pussy Riot no Vodafone Paredes de Coura

43

Depois do lançamento da nova música, “Elections”, no dia das eleições presidenciais russas em Maio, o grupo punk político é a mais recente confirmação no Vodafone Paredes de Coura.

O número de membros foi sempre uma variável das Pussy Riot. Fundado por Nadya Tolokonnikova em 2011, em Moscovo, o elenco rotativo de músicos e artistas chegou a contar com 11 activistas nos seus protestos. Apresentações provocadoras, e não autorizadas, em locais públicos, como forma de promover a igualdade de género, os direitos LGBT e a oposição clara ao presidente russo, Vladimir Putin e às elites russas. Protestos que lhes valeram, e valem, uma série de condenações: Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova cumpriram pena de 21 meses de prisão após uma apresentação em 2012; Alyokhina foi detida em Agosto de 2017 na cidade siberiana de Yakutsk, após um protesto contra a prisão do cineasta ucraniano Oleg Sentsov; este ano, dois membros desapareceram na Crimeia e reapareceram depois interrogados pelas autoridades.

  Mas, mais do que penas de prisão, as acções das Pussy Riot trouxeram-lhes um público mundial para a sua mensagem e para a música pós-feminista que fazem enquanto banda punk. Seis anos depois das primeiras condenações, o colectivo continua a revolta contra o regime de Putin e expandiu a sua ira até Donald Trump, como é visível no single “Make America Great Again” do EP, “XXX”, lançado em 2016.

  Ao vivo, Pussy Riot, apoiam-se fortemente no electro rap e nas coreografias artísticas. Mas, como afirma Nadya, o objectivo vai além do entretenimento, com a vontade de ter “consequências mais profundas.” As recentes actuações têm sido descritas como uma celebração extática dos temas da música de libertação e inclusão de grupos marginalizados e como uma revolta dançante que será difícil de bater, e que chega, em Agosto, à Praia Fluvial do Taboão.