Tiny Soul Concert e a Quinta das Canções – Salvador Sobral e André Santos

André Santos e Salvador Sobral recriam, com cunho pessoal, grandes temas da música portuguesa
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Com a chuva que se fez sentir durante a noite passada, a vontade era estar em casa a ouvir muita música e a beber um bom vinho, de preferência entre amigos, em excelente companhia. Se a todos estes factores juntarmos uma causa social, podemos dizer que é uma noite de sábado perfeita.

O Tiny Soul Concert é isto mesmo: Um encontro intimista, um abraço de alma, uma noite entre amigos, com bom vinho, petiscos e muita música, tendo como objectivo apoiar uma causa social, que varia de noite para noite, de Tiny para Tiny. Este projeto sem fins lucrativos surgiu no final de 2017, durante um jantar de amigos, e desde então já conta com 14 noites de sucesso, reunindo até à data cerca de 4.000,00 euros em donativos que são recolhidos à entrada de cada concerto, em vez dos tradicionais bilhetes para espectáculos. Os artistas são sempre diferentes e os locais também, contudo o ambiente familiar e aconchegante mantém-se.

A Casa D’Avenida, no coração de Setúbal, era por isso o cenário perfeito para o ambiente intimista que se pretendia. Esta Casa que nasceu em 2011, carrega muito mais história e tradição do que os curtos 8 anos da sua existência. A Maria João Frade, proprietária, abre-nos as portas e recebe-nos com todo o carinho. Há espaço para a arte, nas suas variadas formas, há espaço para conviver, e há espaço para sentir. A Casa D’Avenida é por isso a Casa de todos aqueles que lá queiram viver

© Joana Ruth

Com a sala principal preenchida, foi tempo para uma pequena apresentação do projecto e da associação escolhida por Salvador Sobral para este Tiny: A Minicor – Associação Coragem, que apoia crianças que sofrem de doenças cardíacas. O relógio a apontava para as 22h15m e tudo estava pronto para desfrutar da Quinta das Canções – Projecto de Salvador Sobral e André Santos (dos Mano a Mano).

Se para todos os presentes o sentimento geral era de privilégio por poder ouvir tão perto aquele que é o artista nacional mais mediático dos últimos anos, para o Salvador e para o André foi a oportunidade perfeita para estarem em família, descontraídos, a apresentarem uma Quinta que é uma forma de homenagem à música portuguesa

© Joana Ruth

Arrancam com um mashup entre “No fundo dos teus olhos de água” tema de Lena d’Água e “Tu e Eu”, numa versão do Conjunto Académico João Paulo, passando depois para “”, de Jorge Palma. “O primeiro gomo da tangerina”, de Sérgio Godinho, foi o tema que arrancou as primeiras gargalhadas entre artistas e público. Entre sorrisos e muitas palmas, Salvador destacou aquilo que para ele é a maior valência da música: a verdade. E verdade era o que pairava naquela pequena grande sala da Casa D’Avenida. As homenagens continuaram com “Senta-te aí”, dos Rio Grande, “O navio dela”, de Manel Cruz (Ornatos Violeta) e “Travessia do Deserto” de José Mário Branco, tema que Salvador classificou como “a essência da música portuguesa”. A noite previa-se quente e longa e por isso houve tempo e espaço para uma não-balada de Amália Rodrigues, “Maria Lisboa”, e para uma dedicatória a todos os presentes que padeciam do famoso vírus da gripe, com “Todos os homens são maricas quando estão com gripe”, tema celebrizado por Vitorino, no álbum “Eu que me comovo por tudo e por nada

© Joana Ruth

Entre petiscos e bom vinho, o ambiente continuava muito acolhedor. A música estava no ponto, as interpretações de Salvador estavam ao nível daquilo a que já estamos habituados. Ao fim de 9 canções, de 9 artistas diferentes, a sensação era de que estávamos a ouvir temas do próprio Salvador, escritos por ele e para ele.

Foi por ela”, de Fausto Bordalo Dias, “Pigmentação” do Quarteto 1111, “Lado Esquerdo”, dos Clã, “Sem Emenda”, de Joana Espadinha, “O Verdadeiro Amor”, da sua irmã Luísa Sobral e “Casei com uma velha”, do madeirense Max, foram os temas que se seguiram, sempre irrepreensíveis.

© Joana Ruth

Depois de uma gigante salva de palmas, agradecimentos e despedidas, Salvador e André voltam para um encore no meio da sala para interpretar o tema que trouxe o cantor para o epicentro e para a história da música nacional, “Amar pelos Dois”, eternizado como vencedor da Eurovisão em 2017. Se, nos últimos tempos, o artista procurou descolar este “rótulo” da Eurovisão, neste espetáculo, como o próprio frisou, sentiu um “ímpeto enorme” de interpretar o tema. Havia amor, descontração e um grande prazer tanto por parte dos artistas como por parte dos presentes. Foi um momento tão especial como a sua atuação no dia 13 de Maio de 2017, em Kiev.

Como o mote era acabar em festa, “Anda estragar-me os planos”, do seu último álbum “Paris, Lisboa” encheu as medidas do público, que no final abraçou com alma Salvador e André.

© Joana Ruth

Interpretações feitas, foi tempo de descontrair e de conviver o resto da noite. No final saímos com a certeza de que, tanto para quem colecciona Tinys como para quem se estreou nestas andanças, ficou a vontade de voltar e de repetir uma noite memorável

Quinta das Canções – Salvador Sobral e André Santos Galeria Completa

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