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Rui Veloso: O encanta gerações

Rui Veloso: O encanta gerações

Márcia Rodrigues
Márcia Rodrigues
Cresci na Figueira da Foz até me apaixonar por Lisboa. Estou a fazer o Mestrado em Jornalismo, e aqui, na Imagem do Som, junto o gosto pela escrita com o gosto pela música.
O concerto ainda estava a meio, mas os “És o maior, Rui”, “Bravo”, “Lindo”, já se faziam ouvir por toda a arena do Campo Pequeno ...

Juntaram-se quase cinco mil fãs, desde pequenos aos graúdos, para este Concerto de Natal.

Passavam dez minutos da hora marcada para o concerto quando o coro Remix Ensemble conduzido pelo maestro Paulo Lourenço pisou o palco montado no Campo Pequeno. O pano prateado atrás dos coristas lembrava que este concerto não era um concerto normal – era de Natal – e por isso presentearam os fãs de Rui Veloso com versões acappella de temas bem conhecidos da música portuguesa como A Queda do Império de Vitorino, O Homem das Castanhas, Os Putos e Lisboa Menina e Moça de Carlos do Carmo.

© Jorge Pereira

Quinze minutos depois entra Rui Veloso, recebido por uma plateia eufórica, e, sem tempo a perder, canta Praia das Lágrimas. Logo depois o coro sai de cena e a ouvem-se Sei de Uma Camponesa, Todo o Tempo do Mundo, Já Não Há Canções de Amor, Fado do Ladrão Enamorado, Nunca me Esqueci de Ti, Guadiana, Não Há Estrelas no Céu e Jura, acompanhadas por um público que começa a desinibir-se e a cantarolar a letra das canções.

O concerto ainda estava a meio, mas os “És o maior, Rui”, “Bravo”, “Lindo”, já se faziam ouvir por toda a arena do Campo Pequeno assim que o músico do Porto fazia uma pequena pausa. Juntaram-se quase cinco mil fãs, desde pequenos aos graúdos, para este Concerto de Natal.

© Jorge Pereira

Rui Veloso contou ainda com um convidado de peso – Antonio Serrano. O espanhol juntou-se à “festa” para dar um toque especial, a temas como Fado Pessoano, com a sua harmónica. Segue-se Eléctrico Amarelo, a última música escrita em parceria com Carlos Tê e que estava a tocar ao vivo pela primeira vez, que dedicou aos filhos, aos amigos que “fizeram a gentileza” de o ir ver e a “um homem muito especial e importante da música portuguesa, Vitorino.” Antonio Serrano protagonizou também um momento de improviso misturando estilos como blues e jazz.

Entre os “Portos” (Porto Sentido e Porto Côvo) e Ninguém Escreve à Alice pede uma “ainda maior” salva de palmas aos chefes do nosso país, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa e ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, que ocupavam os primeiros lugares da plateia.

A pedido do filho Manuel, porque “há que fazer a vontade às crianças”, Rui Veloso tocou também a única música que alguma vez gravou em inglês, intitulada Golden Days. Já passavam duas horas depois do início do concerto quando surgiram temas como Não Invoquem o Amor em Vão, Lado Lunar, Sayago Blues e o eterno Chico Fininho para animar uma plateia que parecia já acusar alguns sinais de cansaço. Para o encore deixou A Paixão (Segundo Nicolau da Viola), ou o Anel de Rubi como se tornou conhecida pela maioria dos portugueses, e Presépio de Lata, porque afinal tratava-se de um concerto natalício e era necessário “lembrar aqueles que quase não têm Natal”.

© Jorge Pereira

Com uma setlist alinhada de forma a dar proveito aos vários géneros de Rui Veloso, uma banda composta por excelentes profissionais, desde os guitarristas às vozes de apoio (que, por sinal, os seus solos mereceram os maiores aplausos da noite e ovações de pé), e a voz inconfundível do pai do rock português, as três horas do concerto foram uma verdadeira viagem pelos quase 40 anos da sua carreira.

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Márcia Rodrigues
Márcia Rodrigues
Cresci na Figueira da Foz até me apaixonar por Lisboa. Estou a fazer o Mestrado em Jornalismo, e aqui, na Imagem do Som, junto o gosto pela escrita com o gosto pela música.