Se uma banda tributo incomoda muita gente, 6 incomodam muito mais – ComTributos Fest 2018

As bandas de tributo são um fenómeno, longe de ser apenas português, mas que contagiou definitivamente o nosso panorama musical.

O ComTributos Fest juntou seis bandas de tributo: Iron Beast (Iron Maiden), Gods of War (Amon Amarth), Torn (Korn), Re-Censurados (Censurados), Bulls on Parade (Rage Against The Machine) e Beyond Strength (Pantera) em que cada uma delas coloca o seu cunho pessoal, uns assemelham-se mais aos “originais” do que outros mas factor comum a todos é a paixão pela musica e serem eles próprios grandes fãs da banda á qual prestam homenagem.

Bandas tributo são, regra geral, um sucesso garantido pois tocam aquilo que o público gosta de ouvir e não há necessidade de grandes investimentos na promoção, até porque as canções originais estão aí, algumas há várias décadas. Geralmente todos começam da mesma forma. Alguns amigos, com o “bichinho” da música, reúnem-se e decidem tocar uns acordes. Com o tempo evoluem e começam a tocar em festas ou pequenos bares mas surge a dúvida: enveredar por originais ou tributos?

© Jorge Pereira

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Os argumentos dos que seguem a via dos tributos é forte e o país pequeno é dominado pelos mesmos há muitos anos. Quase todos, embora bons músicos, não são profissionais, exercem outra atividade até porque no final do mês há contas para pagar. É sensato que no mundo dos negócios seja melhor jogar pelo seguro e não correr riscos desnecessários. Um empresário ou o dono de um bar não tem capacidade financeira para contratar uma banda cabeça de cartaz, mas é muito provável que tenha a casa cheia se tiver uma banda que presta tributo a outra mundialmente famosa.

Mas a vida destes elementos não é um mar de rosas e não pensem que ter uma banda de tributo é só ganhar dinheiro.  Não têm quem monte e desmonte o material, não têm onde ficar depois de um concerto longe de casa e têm de se fazer à estrada de madrugada, algumas vezes para retomar a sua profissão nesse mesmo dia.

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Por outro lado existe uma certa rivalidade, às vezes a roçar o ódio como se pode observar facilmente nas redes sociais, com as bandas de originais que as acusam de matar a música original e de retirar espaço aos grupos que apostam em trabalhos de autor. Existe uma luta por um espaço para tocar mas a argumentação não pode passar por cima de algo tão importante como é a escolha do público. Querer exigir que o público aceite e admire determinada banda só porque algumas pessoas acham que é boa não vai funcionar e atacar as bandas de tributo não é o mais recomendável.

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Iron Beast – galeria completa

São públicos diferentes e existe espaço para todos. Tem os que preferem ver a banda do amigo num bar e tem público que prefere ver um tributo, uma oportunidade de sentirem que estão a ver um determinado artista, que porventura nunca vão conseguir ver ao vivo.

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Gods of War – galeria completa

Tenho a certeza que as bandas de tributo vieram para ficar, cobrem um espaço musical que está órfão, que não está interessado no que se faz hoje, que busca sensações que já não encontra no mercado, que vão ter sempre um público fiel ao grupo homenageado e que irão sempre cantar nos seus concertos.

Palavra final para a organização que apesar de ser o primeiro evento parece que já estão nestas andanças há muito tempo.

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Torn – galeria completa

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