SENZA: a mistura quente de culturas da banda das viagens

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© Teresa Lopes da Silva

Os aveirenses SENZA passaram pelo espaço Bleza, em Lisboa, com temas de fusão lusófona e histórias de bagagem cheia

Com vista para o rio Tejo, o concerto tem início com o tema “Ilha de Divar”, ilha por onde passaram, em Goa.. “Do outro lado do rio, onde o céu encontra o mar” e assim começa a viagem ao continente SENZA.

Catarina Duarte, uma das metades da banda, encarrega-se de apresentar e contar a história de cada música ao longo da noite, como um pequeno bloco de notas e memórias. Confessa que na viagem à Índia, principalmente Goa – “por onde já não se sente muita presença portuguesa, que desvanece cada vez mais” -, não dispuseram de tempo suficiente para conhecer toda aquela riqueza cultural mas que também não saberiam se seria (ou se é) de facto possível. A tentativa de guardar e mostrar o que dessa viagem ficou, ouve-se em “Goa”, momento onde o público foi convidado a participar, entre palmas e um refrão bem entoado.

© Teresa Lopes da Silva

“Mercado das Especiarias” retrata a azáfama do maior mercado de especiarias de Goa, com letra bem teatral a pedir para “não puxar” nem “empurrar” quem tenta conhecer este local zig-zagueado mas único. “Poeteira”, uma música especial para Catarina, reforça a doçura, confiança e clareza da sua voz: uma verdadeira pérola rara que conforta e tranquiliza quem ouve as viagens únicas dos SENZA.

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De destacar o single de estreia “Praia da Independência”, com o público de amigos e curiosos a entoar o refrão orelhudo; a recente “Mistura” dançada e bem animada que transporta qualquer uma festa; e o final a convidar para seguir o “Coração Gigante”.

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Um concerto que percorreu grande parte dos temas dos dois discos já editados – “Praia da Independência, de 2016, que contou com selo de “Disco Antena 1” e o mais recente “Antes da Monção”, deste ano. A banda de Aveiro, composta por Catarina Duarte e Nuno Caldeira, partiu em 2015 à aventura pelo sudeste asiático. Os SENZA nascem das viagens e moldam-se pelas pessoas, cheiros e cores que conhecem. Prestes a começar uma tour pela Namíbia, passaram já por mais de 80 palcos e vários continentes com as memórias de tantos outros países. Sempre em português, talvez sejam dos grandes embaixadores da língua portuguesa pelo globo fora mas que poucos ainda conhecem por terras lusitanas.

Apesar da noite morna mas fresca, calma mas cheia de compasso, os SENZA transparecem um potencial fora do comum na fusão lusófona, aqui mais tradicional, e que não se deixa contagiar por sonoridades mais contemporâneas e tecnológicas. A música dos SENZA é uma fotografia musical dos locais por onde passam, não focada, mas suficientemente nítida para dar a mão ao público e viajar com ele.

© Teresa Lopes da Silva

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