Seu Jorge – Uma noite poética no Coliseu do Porto

O Coliseu enchia-se com os inúmeros fãs que Seu Jorge vem coleccionando de cada vez que atua em Portugal.
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Com os ânimos ao rubro o concerto começou com um flirt ao público com Chega de saudade, canção icónica da Bossa Nova de António Carlos Jobim e Vinícius de Moraes onde se ouve «vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser…não quero mais esse negócio de você longe de mim». Continua com Everybody loves the sunshine que remete para uma parte intimista do concerto com Zé do Caroço e a paixão declamatória com a poesia de Negro drama dos Racionais Mc’s apontando o dedo à desigualdade social e que faz reflectir sobre a integração do negro na sociedade brasileira «…eu visto preto dentro e fora, guerreiro, poeta, entre o tempo e a memória…pesadelo é um elogio, pra quem vive na guerra, a paz nunca existiu…mas aí se tiver de voltar para a favela, eu vou voltar de cabeça erguida, porque assim é que é, renascendo das cinzas fino e forte, guerreiro de fé, vagabundo nato!».

© Teresa Mesquita

Reaviva o flirt com Carolina «Oh Carolina, eu preciso de você…» e Mina do Condomínio «me perdi com o seu sorriso…» e sai de cena com samba no pé dando espaço a banda. Quando regressa faz a apresentação dos cinco músicos que o acompanham e o coliseu explode com o sucesso Amiga da minha mulher, onde Seu Jorge bem-disposto conta a estória por trás dessa canção.

Segue-se Pretinha do álbum Moro no Brasil da Farofa Carioca, de 1997 do qual Seu Jorge foi fundador e o qual deixou em 1999 para se lançar a solo com o álbum Samba esporte fino em 2001.

© Teresa Mesquita

Seu Jorge, apelidado assim por um amigo músico é o nome artístico de Jorge Mário da Silva, ator, compositor, multi-instrumentista brasileiro de MPB e R&B, Samba e Soul. É um dos artistas brasileiros mais respeitados mundialmente radicado desde 2013 em Los Angeles. Cheio de projectos concilia digressões com participações em filmes protagonizando recentemente o filme Marighella de Wagner Moura, apresentado no Festival de Berlin em Fevereiro de 2019 e estreará em breve numa serie da Netflix, A Irmandade.

Depois a solo foi a vez do tributo a David Bowie com Life on Mars, Lady Stardust e Space Oddity do album The Life Aquatic Studio Sessions, 2015 que Seu Jorge gravou para o filme The life aquatic with Steve Zissou onde as traduções das letras não são exactas mas as melodias e o estilo são mantidos e que foram apreciadas pelo próprio Bowie.

© Teresa Mesquita

Com o regresso da banda cantou Retrato a branco e preto de Tom Jobim e despede-se pela primeira vez com Tive razão «E você sabe como é que é, eu vou mas poderei voltar quando você quiser…» e um Obrigado Porto!

Como a legião de fãs não deu tréguas Seu Jorge voltou e cantou Te queria para mim seguindo-se Mas que nada de Jorge Bem Jor e despede-se com Burguesinha deixando os fãs num alvoroço.

Segundo Seu Jorge, «o papel do artista é fazer as pessoas ficarem encantadas e emocionadas seja onde for». Digo com propriedade que o papel foi mais que cumprido.

Seu Jorge Galeria Completa

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