Sevdaliza: música para os nossos sentidos

Após três passagens por Portugal, no último ano e meio, Sevdaliza apresenta-se num espetáculo em nome próprio pela primeira vez. O cineteatro Capitólio, em Lisboa, foi o local escolhido por Sevda Alizadeh, de 31 anos, cantora, compositora e produtora Irani-holandesa, para a apresentação da sua nova digressão "The Great Hope Design Tour".

Texto: Inês Gonçalves

Depois do sucesso atingido com o lançamento do seu álbum de estreia “Ison” e o single Human, que lhe trouxeram o reconhecimento já há muito merecido, Sevdaliza leva-nos para o seu próprio mundo, um mundo onde todos os nossos sentidos despertam.

A artista que privilegia o processo criativo e a liberdade de expressão, combina na perfeição a sua poderosa capacidade vocal com a sua figura misteriosa e hipnotizante. A sua sonoridade alternativa e vanguardista surge logo no início do concerto com “Voodoov”, do EP “The Calling”, lançado no início deste ano.

© Joana Martins

Com um sedutor vestido branco, Sevdaliza é imersiva na sua arte – é ela que pensa e desenha tudo aquilo que vemos em palco. Esta imersão também passa pela direção dos seus próprios videoclips, o último lançado “Shahmaran” recebeu o prémio de “Best Alternative Video International”. A componente visual e teatral destaca-se com “Libertine”, “Scarlette”, “Human” e “Human Nature”, com a bailarina Elodie Augur, a surgir em palco com apontamentos de dança contemporânea.

Com novos arranjos e instrumentais, Sevdaliza interpreta “Soothsayer” com recurso a um teclado e uma projeção de vídeo, gravada no momento, para onde olhava fixamente e que permitia estreitar ainda mais a forte ligação com o público.

Depois de “Shahmaran”, aproveita para apresentar os músicos que a acompanham ao longo da digressão: os já habituais Leon Den Engelsen (teclas), Anthony Marck Amirkhan (bateria) e Jonas Pap (violoncelo), que acrescenta um cunho sombrio e melancólico ao espetáculo.

A interação entre artista e público foi constante, com reações explosivas à sonoridade mais agressiva de “Amandine Insensible” e aos quatro novos temas que foram surgindo durante o concerto: “Kalim”, “Darkest Hour”, “Rhode” e “Key”.

A música “That Other Girl” do EP “The Suspended Kid” de 2015, transporta-nos para a fase inicial do seu percurso artístico. A batida lenta e prolongada desta fase, contrasta com o novo tema “Rhode”, que apresenta uma eletrónica mais vincada e pesada.

© Joana Martins

Seguidamente a um momento de instrumental, Sevdaliza surge com um novo guarda-roupa para apresentar o último capítulo do seu espetáculo. Abre com “Key”, um dos novos temas, que foi muito bem recebido pelo público, passando para “Hubris”, onde pede que o público a acompanhe, finalizando com “Marilyn Monroe”, numa versão crua e despida, quando comparada com a versão original. A artista aproveita o tema para fazer uma pausa e agradecer ao público que a acarinhou desde a sua estreia em solo Nacional, na Ilha da Madeira, em Agosto de 2017.

Emocionada, reforçou a importância do apoio do público para a construção do seu trajeto de forma independente e livre. Dando continuidade, o público canta em uníssono os últimos refrões e faz por merecer o encore com “Loves way”, que sem dúvida fez o momento alto da noite de todos os presentes.

© Joana Martins

Sevdaliza desceu à primeira fila por duas vezes para agradecer ao público dedicado, que esteve presente de corpo e alma no Capitólio. A arte de Sevdaliza e as suas mensagens, não se aproximam de nada daquilo que já vimos ou ouvimos no panorama musical, o que a torna uma das artistas mais interessantes e marcantes da atualidade.

Sevdaliza – galeria completa

© Joana Martins
© Joana Martins